Uma premiação agregadora; confira a análise do Globo de Ouro

Musicais e produções estrangeiras foram destaques na premiação

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postado em 10/01/2017 09:04 / atualizado em 10/01/2017 18:31

Reprodução/HBO
 
Mesmo com uma legião de fãs crescente, a série Game of thrones seguiu esnobada pelos votantes do Globo de Ouro. Indicada como melhor série de drama, em 2012 e, anualmente, desde 2015, perdeu terreno na premiação, mais uma vez, pelo fator de renovação assinalado no evento. Não adianta nem o presidente da HBO (que detém a série) Michael Lombardo ameaçar, como fã, a necessidade de outros seis anos de temporadas: o fim está assegurado para 2018, pelos produtores David Benioff e D.B. Weiss, com a exibição da oitava temporada.

Sem o Globo de Ouro, Game of thrones se sustenta pelos fãs. Segundo publicou a sessão de entretenimento da revista Time, houve incremento de 70% de público, reflexo do crescimento, com a adoção de novas plataformas digitais. A estimativa é a de que, com streaming, houve salto para 23 milhões de interessados, a cada episódio. O Globo de Ouro, porém, fez valer a reciclagem de brilho, e, uma das cinco produções candidatas com três indicações, The Crown, conquistou o mais esperado prêmio, logo na primeira indicação.

Também no pontapé inicial rumo à consagração, a melhor série de musical ou comédia foi Atlanta, que examina a cena do rap, tendo desbancado séries estabelecidas como Veep e Transparent. Nas categorias de interpretação, houve fôlego para a afirmação de dois atores negros: Donald Glover (a força criadora por trás de Atlanta) e Tracee Ellis Ross (de Black-ish, voltada às dificuldades de identificação de família negra, em meio à vizinhança classe média, branca).

Sete anos depois da indicação de Preciosa: Uma história de esperança (sem prêmio), uma outra trama de crescimento difícil, rodeada por violência e preconceito racial, rendeu ao longa-metragem Moonlight: Sob a luz do luar o prêmio de melhor drama. Indicar filmes sobre segregação nem vem a ser novidade, no Globo de Ouro, vide Histórias cruzadas (2012), o premiado 12 anos de escravidão (2014) e Selma (2015). Indicado na categoria de diretor, o cineasta Barry Jenkins (de Moonlight) não viu efetivada a costumeira dobradinha melhor filme/ melhor diretor, uma vez que o Globo de Ouro apostou na volta dos musicais, consagrando o jovem diretor Damien Chazelle. O filme dele – estrelado pelo casal premiado como melhores intérpretes de musical, Emma Stone e Ryan Gosling – levou todos os sete troféus aos quais competia.

Oscar
 
Nem tão rara entre os vencedores do Globo de Ouro, o gênero foi revitalizado e pode vir a surpreender nas indicações para o Oscar, no próximo dia 24. O último musical premiado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas foi Chicago (2003). Ainda assim, prevaleceu certo racha, uma vez que o diretor de Chicago Rob Marshall saiu de mãos vazias. Com 32 anos, a serem completados no próximo dia 19, Damien Chazelle (à frente de La la land) terá o desafio de empatar, no provável Oscar, com feito de Norman Tauroy, o mais jovem cineasta premiado (Skippy, uma fita dos anos de 1930). O seleto grupo de diretores de musical consagrados pela Academia teve em Carol Reed (Oliver!) o mais recente representante.

Num grupo restrito de indicadas estrangeiras, a francesa Isabelle Hupert (de Elle). Desde 2000, apenas ela e outras três atrizes (as não premiadas Penélope Cruz, Kristin-Scott Thomas e Marion Cotillard) disputaram a estatueta. Na quinta indicação ao prêmio, a coadjuvante de Cercas Viola Davis finalmente levou em categoria dominada por atrizes negras. “Meu corpo, meu rosto e a minha idade são suficientes”, disse Viola, enquanto apresentava, e celebrava (como musa inspiradora), a grande estrela da noite, Meryl Streep.

O “impacto de vê-la na tela me deu a vontade de seguir na profissão”, completou Viola, para Streep, dona do mais impactante discurso da noite. Com muita crítica na fala, especialmente em torno do cenário nebuloso para a América de Donald Trump, a prestigiada Streep ressaltou: “Quando poderosos usam sua posição privilegiada para empregar bully nos outros, todos nós perdemos”. Alfinetada de classe.
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