Saiba quais serão os destaques da música sertaneja em 2017

Um dos estilos mais celebrados atualmente no país, a música sertaneja começou a se consolidar nos anos 2000 com a chegada da vertente universitária

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postado em 19/03/2017 07:25 / atualizado em 17/03/2017 16:48

Universal Music/Divulgação

 

Um dos estilos mais celebrados atualmente no país, a música sertaneja começou a se consolidar nos anos 2000 com a chegada da vertente universitária. No ano passado, o gênero dominou os rádios, os serviços de streaming e as playlists com muita sofrência, mistura com outros ritmos e a presença de um discurso agora entoado pelas mulheres. O Diversão & Arte ouviu os principais artistas do gênero para entender qual será a cara da música sertaneja em 2017. Confira o que esperar da nova safra de cantores e de projetos.

Na levada pop

São Paulo — Desde o início da carreira, a dupla Matheus & Kauan adotou um sertanejo pop. Os irmãos chegaram a ser criticados pelos mais puristas, que reclamavam da ausência da viola entre os instrumentos da dupla, cujo trabalho explora bastante os instrumentos de metais. “O pessoal mais velho, muitas vezes, diz que a gente canta sertanejo, mas não tem viola e que está tocando reggae, que isso não tem nada a ver. Acho que tudo na vida precisa de renovação”, afirma Matheus ao Correio.

No ano passado, Matheus & Kauan inovaram mais uma vez e gravaram um material para o verão, com inspiração em uma sonoridade de reggae, da surf music e da música eletrônica comum aos sunsets internacionais. Assim, surgiu o DVD Na praia (2016), que foi filmado às margens do Lago Paranoá, em Brasília. O sucesso foi tanto que os irmãos decidiram que “em time que está ganhando não se mexe” e fizeram a segunda edição do Na praia, dessa vez, captada na praia do Leblon, no Rio de Janeiro, sob a ideia de continuidade do projeto. “Pelo reggae que a gente fez no Na praia, as pessoas se identificaram muito. Claro que a gente sempre está mudando algumas coisas, trazendo novidades, mas mantemos a linha pop desde o começo. Acho que essa é uma vertente que deu certo”, analisa Matheus.

 

 

O material foi lançado nas plataformas digitais em 10 de março, garantindo disco de platina, e chegou às lojas em versão física no último dia 17. Ao todo, são 23 faixas, sendo 18 inéditas, além de 15 escritas por Matheus em parceria com outros compositores. A fórmula é a mesma do primeiro Na praia: a levada do reggae unida ao sertanejo, um clima intimista e descontraído, e letras que apostam no romantismo. “A gente tem muita inspiração em música internacional, mas também da MPB e do rock. O sertanejo hoje atende esse lado bem mais pop do que era antigamente. Usa muito mais guitarra e batida eletrônica. A própria música O nosso santo bateu é um reggae que a gente misturou com metais. A gente escuta muito Coldplay e John Mayer. Acho que esse tipo de música inspira muito a gente a criar coisas novas e a ter melodias diferentes”, completa Kauan. 

Influência latina

As influências latinas aparecem nas músicas brasileiras desde 2016, com foco no reggaeton. Depois que Anitta apostou na parceria com Maluma em Sim ou não, outros artistas abriram espaço para o estilo, como Simone & Simaria (com Loka) e Luan Santana (com Acordando o prédio).

Responsável pelo blog Bem sertanejo e autor do livro homônimo, André Piunti aponta que o reggaeton é um ritmo em alta no Brasil. “Muitas pessoas falam disso nos bastidores, ele é o negócio do momento, mas é difícil ver alguém que assumiu o gênero e soube se encaixar bem nas músicas”, ressalta.

 

 

Mauricio Antonio/Divulgação


Mas a dupla Pedro Paulo & Alex apostou na mistura entre sertanejo e reggaeton desde o início da carreira, com músicas como Meu corpo dá sinal e Esqueceu do ex. “Eu morava em uma cidade perto do Paraguai e sempre ouvi muito (reggaeton). Um dia, nós escrevemos uma música, tive a ideia de inserir esse ritmo e deu certo”, conta Pedro Paulo.

Com cinco anos de carreira, os sertanejos lançaram em dezembro o CD Diferente como sempre, que exalta as características marcantes da música feita por eles. Pedro Paulo & Alex não investem apenas no ritmo latino nas suas músicas, as composições contam também com influências de dance, hip-hop, technotronic e dumb dance.

“Essa é a nossa identidade e as pessoas passam a respeitar isso, acabamos nos tornando o estilo PPA, principalmente por causa da introdução do reggaeton”, explica o cantor. 

O outro lado das mulheres 

As mulheres continuam causando alvoroço no sertanejo. Marcadas pela sofrência no último ano, elas querem mostrar uma pegada um pouco diferente em 2017: deixaram de lado o discurso da mulher traída.

Um dos nomes de maior destaque nos últimos tempos, Marília Mendonça aparece com o segundo disco Realidade — Ao vivo em Manaus e traz novidades. “Vi chegar muito mais do mesmo e quis trazer novas histórias, mostrar a realidade da mulher”, afirma a cantora.

Com 18 músicas inéditas, Marília se coloca no papel de mulher que trai em canções como Traição não tem perdão e Amante não tem lar. “O que dá certo no Brasil é a história que deu errado. Conheço várias histórias de amantes e nenhuma deu certo”, afirma a cantora.

Diferentemente do primeiro trabalho, em que as composições eram baseadas em histórias de sua vida, agora a sertaneja conta acontecimentos vividos por outras pessoas. Além do discurso de mulher que trai, Marília também retrata mulheres que deixam seus relacionamentos abusivos em busca de algo melhor, como em Mudou a estação.

Renovação feminina

Quem aparece com potencial para conquistar espaço no sertanejo feminino é a dupla Day & Lara. Com apenas um ano de formação e pouco mais de seis meses após começarem a divulgar músicas nas redes sociais, as cantoras lançam o primeiro trabalho da carreira, Day e Lara (...).

 

 



Compositoras responsáveis por hits de outros famosos como Você faz falta aqui (Maiara & Maraísa) e Só não deixa eu tomar birra (Lucas Lucco), as duas optaram por trazer letras um pouco diferentes do usual. “A gente quer falar de sentimento, do que acontece, mas com nossa identidade. A ideia é mostrar que existe o momento de sofrer, mas também o de virar o jogo e dar a volta por cima, e é desse lado que nós estamos”, esclarece Day. 

O disco de Day e Lara entra ainda na tendência da mistura de ritmos e, mesmo que não tenha reggaeton por enquanto, apresenta influências de vanera, polka paraguaia e pagodão sertanejo.

Espaço para o romance 

Se um dos clássicos sertanejos é Evidências, ninguém vai deixar de lembrar das músicas românticas quando pensar no estilo. Aliás, esse tipo continua como uma aposta certa para a música em 2017. “O romântico e a sofrência vão se manter, mas acredito que a música de balada vai perder um pouco de espaço”, adianta André Piunti. “Ninguém está tentando mudar de forma brusca, esse não é o momento de arriscar muito.”

Vidinha de balada, da dupla Henrique & Juliano, é uma amostra de que o romântico e a manutenção do estilo já conhecido pelos fãs é uma fórmula de sucesso. 

 

 



Com o próximo projeto previsto ainda para o primeiro semestre, o cantor também ressalta que não tem como mudar de estilo. “Isso é Henrique & Juliano. Cantamos músicas que falam de amor e gostamos disso”, afirma Henrique.

Outra dupla que continua com o estilo que a consagrou é Zé Neto & Cristiano. “Mantemos nossa identidade nesse novo trabalho, que vai de uma pegada mais romântica (Sonha comigo) para uma moda mais animada (Hoje eu tô excelente)”, explicam os cantores.

Responsáveis pelo hit mais tocado nas rádios no ano passado (Seu polícia), eles também recuperam a sofrência mostrada no trabalho anterior. “Canções como Amigo taxista, Dito e feito e Cadeira de aço colocam essa pegada em Um novo sonho.”

Beatriz Queiroz sob a supervisão de Severino Francisco
Adriana Izel viajou a convite da Universal Music

Os discos

 


Matheus & Kauan — Na praia 2
De Matheus & Kauan. Universal Music, 23 faixas. Preço médio: 
R$ 29,90.

Diferente como sempre
De Pedro Paulo & Alex. Sony Music, 18 faixas. Preço médio: R$ 19,90.

Marília Mendonça — Ao vivo em Manaus
De Marília Mendonça. Som Livre, 18 faixas. Preço médio: R$ 29,90.

Day e Lara (...)
De Day & Lara. Sony Music, CD com 14 faixas e DVD com 18. Preço médio do kit: R$ 29,90.

Um novo sonho
De Zé Neto & Cristiano. Som Livre, 24 faixas. Preço médio: 
R$ 29,90.

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