Quadrinistas tipo exportação: artistas brasileiros se destacam mundo afora

Em um segmento conhecido por figurões como Steve Ditko e Stan Lee, os brasileiros mostram seu talento ao mundo

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postado em 20/03/2017 06:01 / atualizado em 21/03/2017 14:58

Vertigo/Reprodução

Estampas de camisa, universos cinematográficos, séries de televisão, desenhos animados, brinquedos. Hoje é difícil não perceber a influência e a presença dos quadrinhos no cotidiano, mesmo para quem não é um leitor assíduo. Mas se engana quem diz que a indústria do “bang” “wham” e “pow” é apenas daqueles que vivem fora do país, com icônicos super-heróis, como Batman ou Homem-Aranha. O Brasil mostra no exterior que, no mundo das HQs, há muito espaço para talentos novos e diferentes nesse mercado.


Os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, considerados nomes fortes nos quadrinhos, receberam os prêmios Eisner e Eagle, e foram indicados a outros, como o Harvey e o Shel Dorf. Esses são fortes indicadores do talento brasileiro nos livros ilustrados. Mantendo a tradição de desenhar desde criança, os irmãos iniciaram a trajetória na época da faculdade. “Começamos a desenhar e tirar cópias das nossas histórias e vendíamos nosso fanzine. Eventualmente, fomos ganhando atenção do público e de editoras, que começaram a republicar nosso trabalho”, conta Fábio Moon.

A dupla consagrou sua presença no segmento ao publicaram o aclamado quadrinho Daytripper, inicialmente lançado em série em 2009 e, dois anos depois, como livro pela editora Vertigo, que os levou a ganhar. “O sucesso de Daytripper foi muito maior do que esperávamos” lembra Moon. “Achávamos que tínhamos, sim, uma história com potencial nas mãos, mas a recepção foi muito positiva. Ainda repercute muito.”

Convite especial

Também presente em selos grandes está o quadrinista Gustavo Duarte, que publicou, também em 2009, sua primeira história independente,. Com 20 anos de profissão, Duarte foi surpreendido pela proposta do criador dos quadrinhos dos Guardiões da galáxia, Andy Lanning, para trabalhar com ele em uma história especial dos heróis.

“Eu não esperava por causa do meu estilo de desenho, que é bem diferente do comercial para esse tipo de publicação. Mas, mesmo assim, a recepção do meu trabalho foi excepcional”, relata. “O especial que eu fiz com o Andy fazia parte de uma série com vários outros quadrinhos da Marvel, mas o dos Guardiões foi o que mais vendeu, por ter saído semanas antes do filme.”

Colega de trabalho de Fábio Moon e Gustavo Duarte, Felipe Nunes também mostra seu talento em um crescente sucesso na nova geração dos quadrinhos no Brasil. Com apenas 21 anos, já possui HQs aclamadas pela crítica, como Klaus, publicada em 2014, e Dodô, do ano seguinte. “Aos 15 anos, eu conheci o trabalho de João Montanaro. Com ele, vi um garoto com a mesma idade que eu trabalhando com isso ativamente e decidi correr atrás desta carreira”, ressalta. “Em 2011, eu lancei meu primeiro quadrinho independente, intitulado SOS, que foi um fanzine que lancei no Festival Internacional de Quadrinhos em Belo Horizonte e, a partir daí, não parei mais”, completa.

*Estagiário sob supervisão de Igor Silveira

Talentos locais

O Distrito Federal não fica atrás no mercado das páginas ilustradas, tendo, no seu próprio quadradinho, um cenário variado e representativo. Confira alguns nomes:

Lovelove6
Autora do quadrinho Garota Siririca, ela explora a sexualidade feminina em suas páginas.

Pedro D’Apremont
Quadrinista que morou na cidade de Angoulême por um ano, cidade no interior da França que sedia o maior festival de quadrinhos da Europa, marca presença com seus quadrinhos em revistas como a Vice americana.

Evandro Vieira

Além de quadrinista, Evandro é músico, o que, além da influência de Hervé Bouhis, o deu a ideia de unir o rock e as HQs em Rock vs Comics, que alcança sua terceira temporada de publicações.

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