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HQ 'Bar' reúne histórias de boteco

Obra lançada pelo coletivo O Miolo frito colheu elogios de escritores consagrados

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postado em 18/04/2017 07:30 / atualizado em 18/04/2017 10:39

Divulgação/Editora Mino
 

Juntar histórias em quadrinhos de vários autores com um tema em comum e algo que as ligue é uma missão complicada. Mas foi esse desafio que o coletivo O miolo frito resolveu enfrentar na primeira publicação do grupo por uma editora de fora do meio independente. O resultado disso é a HQ Bar (editora Mino), um compilado de histórias de boteco com um eixo entre elas.



O trabalho foi elogiado pelo quadrinista, ator e escritor Lourenço Mutarelli, que assinou o prefácio da obra. "Gosto do que eles produzem porque é algo novo, ao mesmo tempo que é a resistência e manutenção do underground. O que eles fazem, é novo e velho, ou clássico, ao mesmo tempo", escreveu.

Apesar de muito do livro ser pura ficção, algumas partes da narrativa, ambientada num bar do bairro da Bela Vista em São Paulo, tiveram como base a própria vivência dos quadrinistas. "Em muitas passagens usamos da nossa experiência própria, conversas e causos. O bar em si da história realmente existiu, ainda existe na verdade. Alguns personagens são baseados indiretamente em pessoas que conhecemos ou só vimos uma única vez", conta Benson Chin, um dos autores.

Antes de Bar, o grupo já havia lançado oito publicações, todas produzidas de forma independente. O suporte da editora, conta Benson, ajudou o grupo a encontrar o tom do livro e facilitou a produção. "Além de viabilizar toda a parte gráfica, que antes corríamos atrás sozinhos, com o alcance maior dela também esperamos que mais pessoas tenham contato com as nossas histórias, que fogem bastante do escopo do mainstream", espera.

O coletivo não nega que produzir um livro com narrativas escritas por diversos autores e, ainda assim, manter uma linha que ligue a história foi uma dificuldade grande. "Foi um pesadelo! Apesar de já fazermos algumas histórias a várias mãos, nunca fomos tão longe nesse processo, ainda mais que muitos personagens tinham um ‘autor próprio’ e acabavam mudando um pouco o tom das histórias", lembra Benson. Ele conta também que, para manter a unidade, grande parte do roteiro foi feita com todos os autores presentes. "E até o último segundo havia algo sendo definido."

Duas perguntas / Benson Chin


Como vocês enxergam esse cenário independente dos quadrinhos?
Somos parte da nova leva, estamos trabalhando juntos somente desde 2012. Desde lá já cresceu bastante e isso é muito importante, pois, querendo ou não, a circulação dos independentes é bastante restrita, então vemos trabalhos surgindo em vários estados do Brasil e encontramos muito desse pessoal nas várias feiras gráficas que estão acontecendo. Brasília é seguramente um dos centros mais expressivos dessa nova onda, e alguns autores daí já participaram nos nossos gibis, somos fãs!

O livro tem o prefácio do Lourenço Mutarelli, o que isso representa para vocês?
Foi bem significativo para a gente, ele acompanha o nosso trabalho desde a primeira revista, quando o Breno Ferreira e eu fazíamos o curso de quadrinhos que ele ministrava no Sesc Pompéia. Então, quatro anos depois, termos um álbum com o prefácio do mestre é mais do que esperamos em vida. Isso porque ele teve que tirar água de pedra, porque o que ele leu foi um xerox tosco do que tínhamos pronto na época, que mal dava pra ler.


Bar
Coletivo O miolo frito. 176 páginas. Editora Mino. R$ 64,90
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