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HQ Cão conta a história de um serial killer no sertão paulista

Cão, criado pelo quadrinista Breno Ferreira, é inspirado em crimes do século 19

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postado em 20/04/2017 07:33 / atualizado em 19/04/2017 18:31

Mino / Divulgação
No século 19, o pistoleiro Diogo da Rocha Figueira, conhecido como Dioguinho, era o terror do sertão paulista. Com uma ficha criminal de pelo menos 50 assassinatos, ele era temido pelas técnicas macabras e pela tentativa de se esconder da polícia em cavernas da região.


Foram as histórias de Dioguinho e as lendas criadas sobre ele que inspiraram o quadrinista Breno Ferreira a produzir a HQ Cão. “Sou do interior de São Paulo, e uma parte da minha família vive na zona rural. Desde pequeno, escutava várias histórias sobre coisas que aconteceram na região, todas repletas de exageros e fantasias. Uma delas era a história de um tal de Dioguinho, que passou bom tempo morando em cavernas enquanto se escondia da polícia e enganava as autoridades”, lembra.

Acostumado a publicações menores, Breno conta que escrever uma história maior foi um dos desafios do projeto. “Estava mais acostumado a fazer histórias curtas no coletivo O miolo frito e as tirinhas do Cabuloso suco gástrico. Isso principalmente pra começar, acho que era um bloqueio ligado à responsabilidade e tal”, lembra.

Para superar essa barreira, Breno optou por não escrever uma narrativa corrida, sem quebras, e separou a história em pedaços menores. “Optei por dividir em capítulos com intuito de ajudar a minha falta de experiência com uma narrativa comprida e acredito que tenha ajudado”, destaca.

Outra dificuldade foi o fato de já haver muitas publicações sobre a história de Dioguinho em diversos formatos, tanto documentais quanto ficcionais. “Minha preocupação foi tentar fazer algo diferente das narrativas que já existia, mas, ao mesmo tempo, usá-las a base histórica e até fictícia que já permeiam o personagem”, explica.

A pesquisa de referência e de mais elementos da história do assassino acabaram levando bastante tempo, conta Diego. Ele contou com a ajuda do irmão, Raphael Moraes, e do pai, Du Ferreira, no trabalho. “A pesquisa foi bem mais demorada do que eu esperava, meu pai e meu irmão participaram bastante do processo. Depois de um bom tempo fuçando livros (alguns bem antigos) e monografias, comecei a desenvolver o roteiro”, completa.

Apesar de admirar muitos quadrinistas, Breno cita os parceiros do coletivo O miolo frito como uma referência fundamental para o seu trabalho. “Ultimamente, percebo mais a presença dos amigos próximos, como os camaradas d’O miolo frito, que sem dúvida acrescentam muita coisa ao meu trabalho, desde sutilezas até grandes exageros”, aponta.

Cão
Breno Ferreira. Editora Mino. 88 páginas. R$ 41,90.

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