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Dobrando a Carioca traz atrações de peso para a capital, a partir de quinta

As apresentações acontecem até domingo no Teatro da Caixa

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postado em 18/05/2017 07:35

 
 
Um dos momentos mais reverenciados da história da MPB, nas últimas décadas, o projeto Dobrando a Carioca ganhou registro em CD e DVD, que serão lançados em Brasília, neste fim de semana. De hoje a domingo, os cantores e compositores e instrumentistas Moacyr Luz, Zé Renato, Guinga e Jards Macalé ocupam o palco do Teatro da Caixa Cultural com o espetáculo que vem sendo aplaudido em outras cidades.

A ideia do encontro foi de Moacyr Luz, e surgiu durante um bate papo com os colegas de ofício, numa mesa do centenário Bar Luiz, no centro do Rio de Janeiro, em 1999. “Naquela noite, entre um chope e outro, o assunto principal da conversa, obviamente, era a música. Decidimos, então, criar juntos um show que tivesse a cara do Rio, a partir do nome”, recorda-se Moacyr.

O Dobrando a Carioca estreou, logo em seguida, no Teatro João Caetano, dentro da programação do projeto Seis e Meia. Diante do sucesso de público e crítica, o show foi levado em outras cidades, tendo sido apresentado inclusive Brasília. “Durante os últimos 18 anos, sempre que a agenda dos quatro permitia, voltávamos a nos reunir. Aí, veio a gravação ao vivo do CD e DVD, no Teatro Ginástico, no Rio; e o lançamento no começo deste ano pela Biscoito Fino, numa parceria como o Canal Brasil”, conta o idealizador do projeto.

Desde então, houve apresentações no Teatro Riachuelo (Rio) e no auditório da Universidade Federal Fluminense (Niterói). Depois de Brasília, a turnê seguirá por outras capitais, a partir de São Paulo, no próximo mês. Segundo Moa (como o cantor e compositor é chamado pelos amigos), o show tem um clima bem descontraído. “O tempo todo, nós quatro estamos no palco. Enquanto um canta, os outros acompanham de alguma forma, tocando algum instrumento, fazendo vocal, cantando um refrão, ou, pelo menos, batucando uma caixa de fósforo.”

No repertório, além de composições autorais de cada um, foram reunidos clássicos de mestres da MPB. Assim, entre outras, o público vai poder apreciar a interpretação de Toada (Zé renato, Cláudio Nucci e Juca Filho), Saudade da Guanabara (Moacyr Luz), Vapor barato (Jards Macalé e Waly Salomão) e Você, você (Guinga e Chico Buarque), Um a zero (Pixinguinha, Benedito Lacerda e Nelson Ângelo) e Nega Dina (Zé Keti).

Entre um e outro bloco de canções, abre-se espaço para comentários, geralmente feitos por Macalé, tido como o “mais espirituoso” do grupo e, também, “por ser o mais vivido”, diz Guinga, em tom brincalhão. “Esse show permite a três cantores e compositores, na faixa etária dos 60 anos e a outro que já chegou aos 70 continuar mostrando suas músicas, e sobrevivendo de sua obra. E ainda temos o privilégio de interpretar parte do legado de geniais compositores que nos antecederam”, comemora o autor —  em parceria com Aldir Blanc – de Catavento e girassol.

Guinga faz outra observação: “De nós quatro que fazemos o Dobrando a Carioca, somente o Zé Renato não nasceu no Rio de Janeiro. Embora tenha nascido no Espírito Santo, tem o espírito carioca, pois vive no Rio desde criança, e é filho de um carioca, amante da música popular brasileira, que foi amigo de Sílvio Caldas e Jacob do Bandolim”.

Bem à vontade ao lado de Guiga, Macalé e Moacyr, Zé Renato vê o espetáculo como um “autêntico sarau carioca, até porque a inspiração vem do Rio de Janeiro, como bem demonstra o repertório que traz choro, samba, samba-canção que falam explicitamente de lugares da cidade onde vivemos e trabalhamos”, ressalta. “Aliás, é muito prazeroso dividir a cena com Guinga, Macalé e Moacyr. Além de companheiros de profissão, nós somos amigos e admiramos mutuamente o trabalho de cada um”, complementa.

Dobrando a Carioca
Show de Moacyr Luz, Zé Renato, Guinga e Jards Macalé hoje, amanhã e sábado, às 20h; e domingo, às 19h, no Teatro da Caixa (Setor Bancário Sul). Ingressos: R$ 20e R$ 10 (meia). Classificação indicativa livre. Informações: 3206-9450.
 
1 — Guinga 
Considerado pela crítica um dos mais criativos compositores e violonistas brasileiro, esse carioca do subúrbio de Madureira criou pérolas da MPB em parceria com Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro, além de Chico Buarque. Músicas de sua autoria são ouvidas em discos de Elis Regina, Michel Legrand, Sérgio Mendes, Clara Nunes e Leila Pinheiro.

2 — Jards Macalé 
Virtuoso violonista, artista inquieto e irreverente, Macalé está ligado à vanguarda da música popular brasileira. Integrou a banda de Caetano Veloso no álbum Transa; é parceiro de Waly Salomão em Vapor barato, faixa do Fa-tal, álbum clássico de Gal Costa. Com Moreira da Silva, fez vários shows no fim da década de 1970.

3 — Moacyr Luz 
Cantor, compositor e instrumentista com 12 discos lançados, é considerado figura fundamental para a música da Zona Norte Carioca. Desde 2005, comanda no Clube Renascença, no Andaraí (bairro vizinho de Vila Isabel) o Samba do Trabalhador, que ocorre às segundas-feiras.

4 — Zé Renato 
 Um dos fundadores do grupo Boca Livre, o cantor, compositor e violonista construiu uma carreira solo paralelamente; e faz sucesso em ambas. Tido como uma das mais belas vozes do Brasil e com ampla carreira internacional, já foi gravado por Milton Nascimento, Nana Caymmi, Zizi Possi, Joyce e Leila Pinheiro.
 
 
 
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