Jorge Ben Jor é homenageado no Parque da Cidade

Com sua batida inconfundível ele canta ao lado de Céu e Skank

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postado em 11/06/2017 07:32

Leo Aversa/Divulgação

 
No samba clássico Quando eu me chamar saudade, Nelson Cavaquinho cantava: “Me dê as flores em vida/ O carinho, a mão amiga...”. Em edições anteriores, o projeto Nívea Viva celebrou a memória de três nomes icônicos da MPB: Tom Jobim, Tim Maia e Elis Regina. Na que ocorre atualmente, com apresentações em algumas capitais brasileiras, pela primeira vez, o homenageado é um artista que mantém-se em plena atividade, dando importante contribuição à nossa cultura musical — o atemporal Jorge Ben Jor.

O espetáculo, no qual o cantor e compositor carioca tem ao seu lado, no palco, a cantora paulistana Céu, o grupo mineiro Skank e, claro, a Banda do Zé Pretinho, já passou por Porto Alegre, Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza e Belo Horizonte. Hoje chega a Brasília para apresentação gratuita, às 17h, na Praça das Fontes do Parque da Cidade.

Produzido por Monique Gardeberg, o show tem direção musical do Dadi Carvalho, ex-integrante dos Novos Baianos, que, desde Os Tribalistas, vem trabalhando com Marisa Monte, de quem é parceiro. Vídeos para cada canção interpretada são exibidos em telões de LED. Imagens do filme Viagem à lua, de Georges Méliès, por exemplo, podem ser apreciadas enquanto se ouve Os alquimistas estão chegando.

Um clipe de Concreto, amor e canção, de Ana Reis e Túlio Borges, vencedor do concurso Sua banda no Nívea — edição Brasília —, vai ser mostrado na abertura do show. O vídeo, com a cantora e compositora brasiliense e banda, foi escolhida por votação expressiva nas redes sociais.
 

Boa parte da obra de Ben Jor está representada no repertório, que permite o encontro dos artistas em cena. Há predominância de músicas consagradas como Mas que nada, Chove chuva, Taj Mahal, País tropical, Que maravilha e Fio Maravilha. Mas abre-se espaço também para as chamadas Lado B, entre elas Cadê o pênalti, gravada pelo Skank no CD de estreia.

Segundo Samuel Rosa, vocalista da banda, fazia todo o sentido gravar Cadê o pênalti no primeiro disco. “A obra de Jorge Ben Jor é forte e impactante e teve muita importância tanto na minha formação musical quanto na do Skank. Ainda criança, na década de 1970, eu já ouvia muito Tábua de esmeralda. Já dividimos o palco com ele algumas vezes, inclusive no Festival de Montreux, em 2001, e também em shows na Alemanha”, afirma Samuel.

Dividir a interpretação de músicas no show com Ben Jor deve fazer Céu lembrar de um fato ocorrido quando ela ainda era criança. À época, ele compôs Carolina Carol Bela para a mãe dela, a artista plástica Carolina Whitaker. Mas a cantora prefere dizer que se aproximou do Babulina por ser fã mesmo, “por me encantar com o balanço, a simplicidade, a riqueza rítmica, a maneira de ele traduzir a alma do Brasil”. Para Céu, Ben Jor desenvolveu uma escola musical, um estilo de violão. “Suas composições pulverizaram por toda a música brasileira. Pude conferir isso de perto agora, no Nívea Viva”.



Entrevista/

Jorge Ben Jor
Ao iniciar a carreira, João Gilberto era sua única referência, ou existiam outras?
Eu sempre gostei muito do João Gilberto. Um cantor maravilhoso. Sabia colocar a voz, tinha um timbre todo coloquial. Eu ficava prestando atenção na batida dele. Só queria fazer igual a João Gilberto. Aí depois disso saiu Mas que nada.

Não ter uma formação musical acadêmica foi determinante para que tivesse total liberdade em seu processo criativo?
Não! Com 13, 14 anos eu participava de coral de igreja. Já tinha aula de piano, órgão na época, eu já escrevia as minhas coisas. E isso juntou com o que eu já ouvia de fora, com o que eu gostava e também com o processo de aprender violão.

A famosa batida de mão direita fechada considerada originalíssima, surgiu de que forma?
Não sei (risos). Não sei de onde eu tirei isso. Fui misturando e um dia ela saiu.

O álbum A Tábua de Esmeralda é tido por muitos como o mais criativo de sua obra. Vocêtambém vê assim?
Diria que foi um dos maiores trabalhos da minha carreira.

Sentiu-se incomodado por ter que mudar a assinatura artística, trocando Jorge Ben por Jorge Ben Jor?
Não. Mudei para não confundir com o músico americano George Benson. Na época fiz alguns shows nos Estados Unidos e a semelhança dos nomes estava gerando confusão e aí troquei.

Como recebeu a homenagem prestada pelo projeto Nívea Viva?
Recebi com uma grande surpresa. A gente nunca espera por uma homenagem dessa. Fiquei muito surpreso e feliz.

Ter o Dadi (ex-baixista dos Novos Baianos e ex-integrante da Banda do Zé Pretinho) como diretor musical do show é importante em que medida?
É bacana. O Dadi toca comigo há muito tempo, me acompanha na grande maioria dos shows que eu faço. Então, sempre agrega. É importante ter essa troca de experiências.

Antes de dividir o show com Céu e o Skank,qual era sua relação com eles?
Eu acompanho o Skank desde o início, me considero padrinho da banda. Já tinha gravado um clipe com eles da música Cadê o pênalti. Tenho muito carinho por eles. Eu já conhecia a música da Céu e estou trabalhando com ela pela primeira vez.

Nívea Viva Jorge Benjor
Show com Jorge Ben Jor, Céu e Skank hoje, às 17h, na Praça das Fontes do Parque da Cidade. Entrada franca. Classificação indicativa livre.

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