Escritor Roberto Lima lança livro de crônicas que tem música e humor

Autor mineiro é editor do jornal "Brazilian voice", publicado nos Estados Unidos há 33 anos

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postado em 12/06/2017 07:30 / atualizado em 12/06/2017 16:17

 

Arquivo Pessoal/Divulgação

 

O escritor Roberto Lima lança o livro Papoula de Kandahar, no Carpe Diem, às 19h, na quarta-feira.  A obra, que é um conjunto de crônicas, marca a estreia do autor – que vive há 33 anos nos Estados Unidos no comando do jornal Brazilian Voice – no gênero, e o quarto livro da carreira.



O Correio conversou com o escritor, que atualmente se encontra em Belo Horizonte na turnê de divulgação do livro. O mineiro não escondeu o orgulho em relação a chegada obra ao público. “Esse é um livro que eu quero compartilhar como um copo de chope, ou um pedaço de pão, como uma coisa da minha mesa. Eu já disse e te repito: eu não tenho leitores, tenho amigos”, explica.

Seguindo uma divulgação independente de editoras, Lima apresenta um livro de crônicas reflexivo, que faz referências a grandes nomes da música, como Aretha Franklin e Gonzaguinha, e ainda apresenta, como afirma o também escritor Wilson Pereira, o humor como um traço marcante. “Ele usa esse humor de uma forma sutil, inteligente, não é uma coisa escancarada, ou abusada. Dá prazer em lê”, indica Pereira. E completa: “É uma obra muito bem escrita, que tem leveza, no ponto de vista literário mesmo”.

O próprio Lima defende o traço humorístico como algo essencial, que confere à obra uma identidade.“O humor é tão importante quanto a vida, não tem como você viver sem sorrir. Se uma conversa for muito séria, ela fica sem graça, sem sentido”, sintetiza.

Lima conta ainda que mais do que inspirações, grandes nomes da literatura fizeram parte de Papoula de Kandahar. “Eu li muito Verissimo e Rubens Braga, e eles me influenciaram nas duas primeiras partes do livro. Já na terceira parte, eu tomei a liberdade de me aproximar mais do público, de falar da minha cozinha, da minha vida. Se ele aguentou até esse ponto, talvez aceite um pouco dessa liberdade”.

“O mercado de livros é sempre complicado. Em um país como o Brasil, em que não tem comida, é normal uma coisa como livro se afastar das pessoas, é uma coisa que acontece”, argumenta Lima. O ato de produção independente de Papoula de Kandahar reflete um momento especial na literatura brasileira, que, segundo Lima, poderia estar em panorama mais favorável.

“Eu prefiro produzir meus livros do que ficar preso 10, 20 anos na mão de uma editora e ainda não ter um retorno financeiro”, sustenta o autor. “Desse jeito tem dado muito certo, estou visitando várias cidades e acho que funciona”.

Já Pereira julga que o cenário literário brasileiro afeta mais do que a produção editorial e chega aos autores de uma forma assertiva. “Eu acho que a literatura brasileira está numa fase de cansaço, a gente não tem mais aqueles autores como Manuel Bandeira, por exemplo. Todos estão em uma assustadora média”, desabafa.

Estreia

Para o lançamento do livro, Lima aposta no estilo mais próximo do público. “Eu quero fazer amigos em Brasília, entende? É a primeira vez que vou à capital e quero que as pessoas possam dar uma chance ao livro. E, então, sair da cidade com muita vontade de voltar”, conclui.

*Estagiário sob supervisão de Severino Francisco

“Eu prefiro produzir meus livros do que ficar preso 10, 20 anos na mão
de uma editora e ainda não ter um retorno financeiro”
Roberto Lima, escritor



Papoula de Kandahar
Carpe Diem
(104 Sul; 3325-5301)
Quarta-feira, 14, às 19h.
Entrada Franca.
Classificação
indicativa livre.

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