Conheça o multifacetado artista Fred Brasiliense

Nas décadas de 1980 e 1990, ele se destacou na cena cultural da cidade

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postado em 17/06/2017 07:00

Arquivo pessoal


Nas décadas de 1980 e 1990, um nome se destacou na cena cultural da cidade: o do cantor e bailarino Fred Brasiliense, que com cabelo comprido, traços indígenas e um jeito calmo e falante, se tornou uma personalidade conhecida. Apesar do sobrenome, ele é paraense e mora na capital desde 1967. Com experiências que variam de solista tenor na cantata cênica Carmina Burana a proprietário de confeitaria, o artista teve uma vasta trajetória por Brasília.



O terceiro de uma família com oito filhos, Frederico Lins Brasiliense se mudou para Brasília como resultado da concretização de um sonho dos pais, que há anos almejavam viver no local fruto do plano de metas de Juscelino Kubitschek. Pouco antes da vinda, ele começou a tocar violão e se apaixonou pelo então hobby. O forte desejo de se tornar padre foi embora à medida que o contato com as diversas formas de arte foi se intensificando.

Em bate-papo com o Correio, o músico contou histórias relacionadas a Fagner, Renato Russo e Os Paralamas do Sucesso, em uma época em que a carreira deles ainda estava no início. Entre pausas para cumprimentar várias pessoas que iam ao encontro dele, relembrou de bares e espaços que já não existem, mas foram muito frequentados naquela época. Um exemplo é o Bom Demais, point de artistas e intelectuais e berço do sucesso de cantores como Cássia Eller, que foi o primeiro local em que Fred tocou remuneradamente e passou a ser conhecido pelas interpretações peculiares que fazia de músicas brasileiras.

Fred também relembrou dos tempos de glória do Gilberto Salomão, que lotava de pessoas para assistir aos shows que lá aconteciam, inclusive os dele próprio. O cantor se recordou de um dia em que fez uma apresentação e Milton Nascimento —  “um gênio da música, pela criatividade melódica e pelo timbre de voz” —  pediu para conhecê-lo. Outro artista que também tocava frequentemente no centro comercial era Oswaldo Montenegro, com quem o paraense já dividiu o palco.

Depois de anos fazendo apresentações frequentes —  com uma vida semelhante, como ele mesmo lembrou, ao famoso trecho “o mundo inteiro acordar, e a gente dormir”, da canção Pro dia nascer feliz do grupo Barão Vermelho —  Fred Brasiliense abandonou a carreira de músico. “À medida que foram restringindo as atividades artísticas, principalmente a dos músicos, eu fui me desgostando disso e me afastando”, explica.


No período em que ficou na Universidade de Brasília, de 1977 a 1987, o artista teve uma vida acadêmica bastante ativa, atuando até como assessor de gabinete do reitor. Como estudante, Fred fez parte dos departamentos de Letras e Música. Ele coordenou a criação de um grande coral, regido por David Junker, e sugeriu a produção de uma serenata de Natal, que virou tradição na instituição. Além disso, lutou contra o conservadorismo do local.

Abandonando a música no fim da década de 1990, ele se dedicou à paixão pela fotografia e passou a atuar no ramo, atividade que faz até hoje. Contudo, nunca parou de escrever poemas e planeja lançar um livro. Neste ano, Fred voltou a fazer shows pela cidade. O próximo pode ser acompanhado no dia 30 deste mês, das 19h às 22h, no Bar da Brahma (201 Sul). “Uma das minhas maiores inspirações sempre foi o Caetano Veloso”, declara o músico. Logo, músicas do cantor baiano não vão faltar no repertório extenso, que também conta com Djavan, Cazuza, Legião Urbana, Os Paralamas do Sucesso e muito mais.

*Estagiária sob a supervisão de Vinicius Nader

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