Saiba mais sobre revolução do streaming no Brasil

Sistema ganha espaço ao apostar em serviços alternativos e conteúdo diferenciado, mas falta regulação

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postado em 11/07/2017 07:05

Reprodução/Lume Channel
 
 
Diferentemente do que alguns possam imaginar, existe, sim, vida inteligente no streaming brasileiro. Por mais que gigantes como Netflix, Now e Globo Play dominem o setor, as opções que ainda não retêm tanto capital quanto as empresas internacionais não desistem da luta. A aposta dos serviços brasileiros é direcionada, principalmente, ao público que busca um conteúdo exclusivo, longe das fórmulas feitas para atrair o maior número de telespectadores, presentes nas grandes plataformas.

No último mês de maio, o Lume Channel apresentou sua primeira produção, a série Giga. O canal de streaming pode ser novidade para alguns, mas faz parte de uma realidade que promete se expandir cada vez mais: a produção de conteúdos independentes e alternativos em uma plataforma com atrações diferenciadas.

A grande novidade do Lume é ser mais do que uma produtora/plataforma de streaming. O objetivo dela está relacionado também com toda a produção cinematográfica brasileira, já que promete funcionar como uma empresa de aluguel de produções, em que os realizadores do filme ganhem conforme o conteúdo seja assistido.
 
Reprodução/YouTube
 
 
Segundo Vinicius Ramos, coordenador da empresa maranhense, o valor liquido — aquele sem impostos ou taxas de transmissões — do que é pago pelo assinante não vai apenas se resumir ao lucro do canal, mas também será um retorno ao filme. “Desse valor, pode ser dividido até 50% da arrecadação para os realizadores do filme. É como se ele entrasse com a obra e a gente com a divulgação e distribuição”, explica.

A empresa, que foi classificada por Ramos como uma “Uber do cinema”, tem menos de seis meses de existência e já conta com 90 títulos de filmes e a mais nova série. “O que acontece é que geralmente o Estado patrocina esse longa, mas depois das exibições ele não consegue entrar no circuito comercial e fica sem ser visto. Os outros canais pagam pouco por eles e nós estamos querendo aproveitar a subida do streaming para mudar isso”, defende Ramos.
 
Outro canal brasileiro  que está conseguindo se destacar das grandes plataformas de streaming é o Looke. Mesmo com a clássica possibilidade de realizar uma assinatura, o diferencial da empresa é possibilitar que o público possa acessar filmes e séries individualmente, pagando só pelo que consome.

Até o momento, o Looke não consta com produções originais, mas defende que os conteúdos independentes e alternativos têm público cativo  e que é uma opção para quem quer assistir a mais do que é feito em outras plataformas. “A gente sabe, por meio de diversas pesquisas realizadas, como a da Nielsen nos EUA, que 50% das pessoas que assinam Netflix possuem outro tipo de serviço. Compreendemos que apenas um único serviço não é capaz de proporcionar ao usuário tudo o que ele queira assistir. Logo,  posiciona-se como meio complementar aos outros serviços, com títulos diferenciados”, explica o diretor de business affairs da empresa, Luiz Bannitz.

A Lume Channel e a Looke não são as únicas a trabalhar no streaming os setores de especificidades para ganhar espaço perante as gigantes do setor. Empresas como O2 Play (que já nasceu com objetivo de agregar outros canais), Afroflix (que requerem representantes negros nas obras), OldFlix (especialista em cinema clássico) e babidiboo (especialista em conteúdo infantil) atestam a força do streaming brasileiro. Segundo dados da Ancine (Agência Nacional do Cinema), existem — até o levantamento do dia 15 de maio — 43 empresas de streaming atuando no Brasil. Mesmo que parte do número se refira a sucursais internacionais, já indica que o setor tem público cativo.
 
*Estagiário sob a supervisão de Severino Francisco
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