Ney Matogrosso é homenageado em Prêmio da Música Brasileira

O cantor vai receber homenagem de nomes como Chico Buarque, Lenine e Ivete Sangalo

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postado em 19/07/2017 07:30 / atualizado em 18/07/2017 18:16

 
 
Alice Venturi / Divulgação
 
Quando Ney de Souza Pereira chegou a Brasília, no fim da década de 1960, mesmo tendo vocação para a arte, ainda não via perspectiva de transformá-la em profissão. O jovem, que havia adotado a filosofia hippie, inicialmente se dedicou ao artesanato, mas logo depois se integrou ao Madrigal de Brasília, no qual fazia parte do naipe de contraltos. Em seguida, o cantor lírico deu vez ao intérprete popular, que passou a se apresentar em casas noturnas da cidade.

O futuro astro da MPB trabalhou também com animação de crianças na área da pediatria e no laboratório de anatomia patológica do Hospital Distrital — hoje, Hospital de Base. Paralelamente, cantava em programas de tevê locais, fazia teatro e criou um círculo de amizade do qual faziam parte estudantes da UnB e diplomatas que serviam na capital.

Foi ao radicar-se em São Paulo, em 1972, que Ney, após adotar o codinome Matogrosso, formou com João Ricardo e Gerson Conrad, o mítico grupo vocal Secos & Molhados, dando início, efetivamente, à vitoriosa trajetória artística. Quatro décadas e meia depois, o cantor é tido com um dos nomes fundamentais da nossa música.

Hoje, às vésperas de completar invejáveis 76 anos, Ney é o grande homenageado na 28ª edição do Prêmio da Música Brasileira, que ocorre no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, sob a direção do idealizador José Maurício Machline. No espetáculo a ser realizado paralelamente à premiação dos vencedores em diversas categorias, ele vai ser reverenciado por colegas de ofício como Chico Buarque, Ivete Sangalo, Lenine, Pedro Luis e o grupo BaianaSystem. O cantor também solta a voz privilegiada em clássicos do seu repertório, da importância de Rosa de Hiroshima, Pro dia nascer feliz e Melodia sentimental. O Canal Brasil transmite a cerimônia a partir das 21h.




Entrevista / Ney Matogrosso




Como recebe a homenagem que será prestada no Prêmio da Música Brasileira?
Não tinha expectativa em relação a essa homenagem. Imaginava que era voltada para compositores, embora Maria Bethânia tenha sido homenageada em 2015. Relutei um pouco, mas o Zé Maurício (Machline) me convenceu a aceitá-la. Já participei algumas vezes da solenidade do Prêmio, e numa das edições anteriores fui premiado pelo CD Atento aos sinais.

As músicas que você vai interpretar foram escolhas suas?
Quis cantar Rosa de Hiroshima (Vinicius de Moraes e Gerson Conrad), música do repertório do Secos & Molhados, base do show que farei no Rock in Rio com os músicos da Nação Zumbi; Pro dia nascer feliz, lembrando do Cazuza; e Melodia sentimental (Heitor Villa-Lobos), a pedido do Zé Maurício.

Chico Buarque participará pela primeira vez da solenidade, e há outros amigos seus, entre os que vão reverenciá-lo. Ficou feliz com a escolha? 
São pessoas com quem tenho boa relação pessoal, e o Chico é uma delas. Mas há as que não conheço, como a Karol Conka, que vai cantar Homem com H.

O show que tem por base o disco Atento aos sinais está em cartaz há quatro anos. Essa é a turnê que o tem mantido na estrada por mais tempo?
É impressionante como as pessoas gostam desse show (Ney retorna à capital federal em outubro com essa turnê). Em todos os locais que o apresento, já há quatro anos e meio, é recebido com grande interesse e muito entusiasmo. Acho que isso tem a ver com o tema atual de algumas das músicas. Vou continuar fazendo até o final do ano. Depois é que vou pensar em novo projeto.

Já tem algum esboço de novo disco e show? 
Por enquanto, nada. Tenho recebido músicas inéditas e armazenado. Poderei gravá-las num novo trabalho. Mas há, também, canções consagradas que gravei e não entraram em roteiros dos meus shows, como O que será?, do Chico; Coração civil, de Milton Nascimento e Fernando Brant; e Eu quero é botar meu bloco na rua, de Sérgio Sampaio.

Você já atuou em alguns filmes e foi focalizado no documentário Olho nu, de Joel Pizzini. Há novidades nesta área, com a sua participação?
Fui protagonista de Luz nas trevas, de Helena Inês, com roteiro de Rogério Sganzerla; da continuação de O Bandido da Luz Vermelha, e atuei em Gosto de fel, de Beto Brant. O Olho nu, do Pizzini ,foi uma espécie de autorretrato da minha trajetória. Mais recentemente, filmei Caminhos magnéticos, do português Edgar Pêra, em que vivo um médium brasileiro subversivo; e Sol alegria, de Tavinho Teixeira, em que faço um ex-toureiro poeta.

Quarenta e cinco anos depois do início de sua carreira artística, o que guardou do jovem que se juntou com João Ricardo e Gerson Conrad no Secos & Molhados?
O espírito é o mesmo. Tenho prazer igual de estar no palco. Sou fiel aos valores que sempre nortearam minha trajetória. Ninguém me deu nada de graça. Tudo foi conquista minha e isso em plena ditadura e não abri mão de nada, tanto no campo artístico, como no comportamental. Filho de um pai militar repressor, quando me vi preparado, morando em Brasília, encarei a minha sexualidade, um grande tabu naquela época. Continuo tendo os mesmos ideais, sem subterfúgios, e os vivencio às claras, com total liberdade.

Se vê representado pela classe política? 
Nenhum desses políticos me representa. É gente que não sai em defesa das pessoas menos favorecidas, pois se entregam a interesses corporativos. Defendo a liberdade individual, diferentemente desses deputados e senadores, muitos deles ligados a instituições religiosas, que legislam em proveito próprio. Aqui, no Rio de Janeiro, onde vivo, é uma bandidagem só, de um lado e do outro.



Brasília no prêmio!
Na 28ª edição do Prêmio da Música Brasileira, Alceu Valença, BaianaSystem, Letieres Leite e Zeca Pagodinho lideram a lista dos selecionados para a final, com três indicações cada um. Ao lado de Maria Bethânia, Martinho da Vila e Lenine, os brasilienses Hamilton de Holanda e Alberto Salgado estão indicados em duas categorias. Os outros representantes do DF na etapa decisiva do Prêmios são a cantora Ellen Oléria e a dupla Zé Mulato & Cassiano.
 
 
 
 
 
 
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