Emanuelle Araújo interpreta Gretchen, musa das redes sociais, em 'Bingo'

Atriz, cantora e multiartista, Emanuelle Araújo dá vida à personagem Gretchen no longa 'Bingo - O rei das manhãs'

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postado em 19/07/2017 06:01

Daryan Dornelles/Divulgacao
 
Atriz, cantora, multiartista... Não adianta: do ângulo que for, a baiana Emanuelle Araújo não tolera ser definida, catalogada. “Minha prateleira é a da letra E, de Emanuelle”, sublinha a atriz, que recentemente ocupou a telinha na novela A lei do amor, além de se desdobrar em números do Domingão do Faustão.
 
Reservada na vida íntima, numa rotina carioca que já contabiliza 13 anos, Emanuelle, às vésperas dos 41 anos (o aniversário será na sexta-feira, 21/7), dias atrás, recebeu um presente adiantado. Foi da rainha do rebolado, Gretchen, que veio o pacote de elogios, a partir da performance da atriz baiana que, no longa Bingo — O rei das manhãs, dá vida à personagem Gretchen.
 
 
 
“Nós nos encontramos, e isso nunca tinha acontecido. Ela assistiu um pouco do filme e, para a minha felicidade, disse que adorou”, revela Emanuelle. Do afoxé nativo da atriz aos ensaios de conga, o percurso foi maior do que os de uns passinhos.
Como na participação em obras do porte de Cordel encantado, o sotaque foi algo, momentaneamente, renegado: “Tenho um DNA carioca-baiano mesmo. Sotaque baiano é que nem digital: não tem como apagar (risos)”.

A ser lançado em agosto, o longa Bingo, em torno da trajetória do palhaço Bozo, na opinião de Emanuelle, “conta uma história a fundo, com o lado iluminado e escuro”. Facetas contrárias — da Emanuelle carnavalesca à intimista — transparecem ainda no CD O problema é a velocidade, o primeiro e recente solo da cantora.

Furacão Gretchen

Para mim, existe uma coisa maior do que o momento dos atuais festejos da imagem da Gretchen. Sempre tive muito fascínio por ela, desde criança. Quando ela lançou a melô do Piripiri, eu tinha uns 6 anos, e eu era apaixonada pelo que Gretchen fazia. Eu montava showzinhos na sala para a minha família. Quando o diretor Daniel Rezende me convidou para interpretar a Gretchen no cinema, falei “uau!”. Veio toda a memória afetiva daquela admiração. E veio também a responsabilidade, com esta coisa deliciosa de fazer a personagem. Fico feliz de as pessoas estarem reverenciando o talento, o carisma e a potência feminina que Gretchen é. E isso culmina com o lançamento do filme Bingo — O rei das manhãs.

Popularidade

Eu sou uma artista que vive muito o processo da arte. Popularidade, para mim, é algo que vem como consequência. Quando fui convidada para a banda Eva — o que já tem muitos anos —, isso se tornou uma coisa pela qual sou seguida ainda hoje pelas pessoas. Aliás, continuo sendo uma cantora de carnaval. Na verdade, a mudança é a de que nunca tinha gravado solo. Estou reverenciando a essência da nossa música, com a MPB, neste novo trabalho. No fundo, não me coloco em prateleiras: sou uma artista que vivencia projetos na completude. Eu canto na Orquestra Imperial, canto na banda Moinho. Vamos do rock ao funk, passando pelo samba. Vivencio a música com muita intensidade.


Liberdade no feminismo

Uma coisa sou eu refletindo sobre o assunto, como este que está em voga — o feminismo — e outra sou eu enquanto personagem; no caso de interpretar a Gretchen. Quando sou convidada a fazer um ícone feminino como  ela, o meu trabalho é reproduzir, o mais perfeitamente possível, a potência da Gretchen. Não tem como ter nenhum pudor, não tem como colocar limites. Pra mim, o que ela representa é fantástico. Feminismo está ligado à liberdade. É falar de ser, e de ser, na verdade, o que se quiser. Muitas frases feministas que temos ouvido — coisas como “não é não” e “meu corpo, minhas regras” — trazem isso de não ser pautado pelo que os outros pensam ou o que a sociedade exige. Com tudo isso, acho que vem o respeito, coisa que vejo como ingrediente principal. O ser humano deve ter o poder de colocar a roupa que quiser, onde quiser, e de não ser reprimido por isso, por exemplo.

No balanço do teatro

Foram três meses intensos, uma experiência verdadeiramente extraordinária estar no desafio proposto pelo Domingão do Faustão. Ali, reencontrei a origem do meu fazer artístico: não estava apenas representando no palco. Eu escolhia o artista a ser personificado, a música que cantaria; me preocupava com o figurino e até com o cenário. No processo do programa do Faustão, não me preocupei em representar ídolos que viessem a angariar mais votos, maior repercussão. Minha preocupação foi a de cantar coisas que vinham do coração. Confesso que fazer o Luiz Caldas foi algo bem diverso (risos). Não sabia que seria capaz, eu me joguei no desafio de cantar Tieta. Adoro o teatro, que é minha arte primeira, mas, atualmente, os fins de semana estão reservados para shows.

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