Projeto itinerantes estão dando nova vida a espaços desocupados do DF

Conheça iniciativas como Contém/Mimo Bar e Hidden

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postado em 22/07/2017 07:15 / atualizado em 21/07/2017 18:44

Nina Quintana/Divulgação
Espaços obsoletos de Brasília têm ganhado nova vida com projetos culturais e gastronômicos. O mais recente deles atende pelo nome de Hidden. 15°49’02.0”S 47°52’ 32.0”W. Essas são as coordenadas para chegar ao local, uma ocupação em uma passagem subterrânea na Avenida das Nações que lembra o aconchego de uma casa. Um corredor para pedestres ligaria o Shopping Píer 21 a um estacionamento no lado oposto da rua. A obra não foi para frente e o espaço construído ficou abandado. Até que, em fevereiro deste ano, a produtora cultural Mari Braga e o sócio, Pedro Henrique Gaspar, botaram reparo no endereço.


“A ideia surgiu em viagens que fiz para fora do país. Sempre procuro lugares inusitados e um deles foi uma casa abandonada em New Orleans, destruída por um furacão. Ela foi transformada em uma superloja de vinhos com um jardim imenso”, explica Mari.

O projeto termina quando chegarem as primeiras chuvas, em meados de setembro. “Como o espaço estava desativado há mais de 15 anos, nós não sabemos como ele se comporta com chuva”, explica.

A casa é sua


O espaço subterrâneo foi ambientado como a sala de uma casa. Sofás, poltronas e mesas de centro se somam a artigos decorativos que criam o clima intimista. Grafites do brasiliense Toys dão o tom mais moderno e informal. Ao chegar, o público se depara com um minimercado, onde pode comprar taças de vinho, queijos e cervejas nacionais, pães artesanais de produtores locais, chips de tubérculos (para os veganos) e presunto espanhol.

A programação musical muda a depender do dia. Amanhã, toca o grupo Londres 70, que faz versões acústicas de músicas dos anos 1970 e 1980. Às quintas, coletivos de DJs da cidade tocam vinis de jazz e soul.

Um mimo para a Asa Norte


Mobilidade é palavra-chave para entender o conceito do Contém/MimoBar. Embora tenha sido conhecido como “o bar da festa Mimosa”, a ideia —  uma parceria de Sandro Biondo com Ana Júlia Melo, Pedro Paulo Baracat, Lucas Tobias, André Pires e Filipe Fonseca —  vai além. Não se trata, apenas, de um lugar para tomar espumante enquanto aprecia o pôr-do-sol. Por lá, já aconteceram exibições de filmes, festa junina, encontro de fuscas, intervenção artística e até encontros de pet.

Vários contêineres posicionados lado a lado, cadeiras de praia, mesas de pallets e de barris reaproveitados de petróleo. Toda a ambientação cenográfica do projeto foi feita para que não hajam contratempos diante de mudanças geográficas. Não há cimento, pregos ou qualquer tipo de construção. A primeira área ocupada foi um terreno no Bloco C da 105 Norte. “O espaço estava abandonado há mais de 20 anos. Estava em  disputa judicial e só foi regularizado no fim do ano passado”, detalha Sandro Biondo. “A quadra estava meio carente de atividades culturais. Fiz a proposta de um aluguel por alguns meses e o proprietário topou”, emenda.

“Brasília precisa se desamarrar um pouco. Temos o tombamento, o Plano Diretor, e o imaginário de que as lojas e os blocos, na distribuição física, são todos iguais. Isso causa uma certa melancolia artística. Em Melbourne, na Austrália, eles usam becos, ocupam os espaços, há uma ressignificação”, explica. Foi o que Sandro importou para a cidade. A itinerância será definida pelas estações do ano.

A partir de setembro, eles rumam para outro espaço, onde não hajam problemas em relação à chuva. “Minhas tendas são de algodão e foram criadas para tempos de sol”, explica Biondo. Há o interesse, em algum momento, em levar o Contém para fora do Plano Piloto e, até, para fora do Distrito Federal (uma praia na Bahia está nos planos). Havendo estrada, ele chega.

O MimoBar, âncora do projeto, será levado com outra configuração. “É um contêiner marítimo, do tipo mais resistente, que dura até 15 anos. Ele tem uma licença de navegabilidade que vence e não serve mais para transporte, aí é usado na construção civil e no design. Posso levá-lo a qualquer lugar porque ele carrega 40 toneladas, tem uma estrutura reforçada”, garante.

Onde ir

Contém/MimoBar (105 Norte, Bl. C; 98112-7979), aberto de quarta a domingo, das 16h às 23h.

Hidden Brasília (passagem subterrânea da Avenida das Nações, entrada pelo Píer 21), aberto de quinta a domingo, das 17h à 1h.

Foodtrucks
Além de promover uma gastronomia acessível, os caminhões são conhecidos por tirar os brasilienses de casa para apresentá-los a pontos que estavam esquecidos, inclusive fora do Plano Piloto. No Guará, o estacionamento do CAVE surge como exemplo. O espaço ficava vazio nos fins de semana.

Cervejarias
Brejas locais como a Criolina e a Corina Cervejas Especiais deram ares descolados aos Setores de Oficina Sul e Norte. É comum haver festas, shows, cinema e até exibições circenses.

Q Cultural
O projeto acontece no estacionamento do Setor Comercial Sul, às quintas, das 17h30 às 23h. Não é exatamente em um lugar inóspito, mas em um horário incomum. Isso porque a maioria dos escritórios e salas comerciais estão fechados. Em vez de prostituição e tráfico de drogas, que estavam recorrentes na área, aparecem ações na área de música e gastronomia.
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