Sonia Braga vence prêmio Platino de melhor atriz por 'Aquarius'

Sonia Braga foi reconhecida neste sábado (22) como a melhor atriz pelo seu papel de Clara em 'Aquarius', de Kleber Mendonça Filho

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AFP / PIERRE-PHILIPPE MARCOU
Madri, Espanha -
A atriz brasileira Sonia Braga venceu o troféu de melhor atriz da quarta edição do prêmio Platino do Cinema Ibero-americano, em cerimônia realizada na noite deste sábado (22) na capital espanhola. Homenageada com um Platino especial, pelo conjunto da carreira, na primeira edição do evento, em 2014, Sonia agora concorria como a protagonista do drama “Aquarius”, dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho, que competiu pela Palma de Ouro do Festival de Cannes do ano passado.
 
No filme, já premiado em outras contendas cinematográficas, como o Festival de Havana  e Festival de Cinema Latino-americano de Biarritiz, ela interpreta Clara, jornalista aposentada que luta contra uma empreiteira que planeja construir um condomínio de luxo no lugar do pequeno prédio onde reside há mais de 30 anos. “Aquarius” é o primeiro longa-metragem em língua portuguesa da estrela de produções como “Dona Flor e seus dois maridos” (1976) e “Tieta do agreste” (1996) em mais de 20 anos.

 – Acredito que o meu primeiro Platino me deu muita sorte, porque logo depois dele recebi um dos melhores roteiros da minha vida, enviado por Kleber. Esse filme, na personagem de Clara, ganhou vida própria e correu o mundo, representando o Brasil e o povo brasileiro, ganhando um significado de resistência – disse Sonia ao receber sua estatueta, no palco montado no centro da Caixa Mágica, estádio multiuso construído nos arredores de Madri. – Quero agradecer primeiro aos amigos que está ai em todas as horas, e depois ao Kleber, de coração, porque ele mudou minha vida como atriz brasileira, porque faz mais de duas décadas que eu não fazia um filme em português.
 
“Aquarius” também concorria nas categorias de direção e de melhor filme ibero-americano de ficção. Esta última foi vencida pela produção argentina “O cidadão ilustre”, de Gastón Duprat e Mariano Cohn, que levou também os prêmios de melhor ator (Óscar Martínez) e roteiro (Andrés Duprat). A estatueta de melhor diretor ficou com Pedro Almodóvar, autor de do drama de mistério “Julieta”. O longa-metragem do diretor espanhol também cravou a categoria de melhor trilha sonora, assinada por Alberto Iglesias antigo colaborador do cineasta.
Almodóvar reforçou a importância de um prêmio como o Platino como estratégia para defender e promover o cinema de língua espanhola e portuguesa.
 
– É difícil competir contra a máquina do cinema de língua inglesa, porque toda a indústria do audiovisual é em inglês. Daí a importância de celebrarmos nossa própria língua – comentou o realizador de filmes como “Mulheres à beira de um ataque de nervos” e “Tudo sobre minha mãe”. –  Temos algo em comum importantíssimo, que é a nossa língua, que é algo que nos aproxima de forma orgânica. Então é natural que existam esses prêmios, que ajudam a dar visilibidade aos nossos talentos.
 
O cinema brasileiro também estava representado nas categorias de fotografia, com “Boi neon”, de Gabriel Mascaro; animação, com “Bruxarias”, de Virgínia Curia, uma  coprodução com a Espanha; e de documentário, com “Cinema Novo”, de Eryk Rocha. Este último,  vencedor do prêmio do gênero do Festival de Cannes do ano passado, foi derrotado por “Nacido em Siria”, de Hernán Zin, uma coprodução entre a Espanha e a Dinamarca, sobre as principais vítimas da guerra civil na Síria, que se arrasta desde 2011: as crianças. Estima-se que cerca da metade dos 9 milhões de sírios obrigados a deixar o país sejam menores de idade.
 
– É importante chamar atenção para a tragédia humanitária que está acontecendo na Síria. Os refugiados merecem toda nossa ajuda e respeito, porque é um direito deles – disse Zin, ao receber o prêmio. – Não é o momento de erguer muros (para barrar os imigrantes), mas de construir pontes. 

Veja a lista completa dos premiados da quarta edição do Platino.
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