Sarah Oliveira fala sobre sua estreia no YouTube

Webséries como 'O nosso amor a gente inventa' investem em conteúdo diversificado

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postado em 24/07/2017 06:00 / atualizado em 24/07/2017 09:44

Flávia Montenegro/Divulgação

Sarah Oliveira é um rosto conhecido da tevê brasileira. Por muito tempo, trabalhou como VJ da MTV (nos tempos de ouro da emissora musical). Também apresentou o inusitado programa de entrevistas Calada noite, no GNT, além do Viva voz, no mesmo canal, em que traçava perfis de famosos do ponto de vista do público. Esteve, ainda, no popular Video Show, da Rede Globo. Estrear uma websérie no YouTube (O nosso amor a gente inventa, que teve início em junho) foi um duplo ato de resistência. Primeiro, por subverter o senso comum de vê-la nas telas convencionais e investir em um formato diferente do qual estava acostumada. Segundo, por falar de amor.

Sem planejar, lá estava a paulista com uma câmera em busca de histórias românticas, sem pensar em padrões ou idealizações. Parceiro, o irmão cineasta Esmir Filho (de Tapa na pantera e Os famosos e os duendes da morte) não só abraçou a ideia, como foi um dos grandes incentivadores para que Sarah Oliveira criasse o próprio canal no YouTube. Nada mais certeiro. O serviço de exibição de vídeos tem mais de 1,5 bilhão de usuários. São pessoas que passam, em média, uma hora assistindo à programação variada. Os dados foram divulgados no mês passado por Susan Wojcicki, presidente executiva da mídia digital. Não à toa, muitas séries, aos moldes de O nosso amor a gente inventa, têm sido criadas sob medida para a plataforma.

“Quando mergulhei nas gravações da série, percebi o quanto eu estava ‘precisando’ disso e o quanto as pessoas estavam dispostas a falar. E isso com certeza tem a ver com o que está acontecendo no mundo. Com esta desilusão coletiva. Amar é um ato de resistência, né?”, conta.

O programa é independente e os oito episódios estão disponíveis. Como tudo que ela cria, há intrínseca ligação com a música. A trilha da websérie tem versão original de Mariana Aydar de Eu te amo você, do Zambianchi. Na voz de Marina Lima, a faixa marcou a adolescência de Sarah e Mariana, amigas de longa data. “Foi tudo rápido. Na semana seguinte ela foi para o estúdio gravar. E mais: a música viralizou no Spotify Brasil e toca na rádio. Outro dia, do nada, ouvi a canção no carro e o locutor dizendo que ganhou selo de qualidade. Eu chorei”, emociona-se.

Duas perguntas /Sarah Oliveira 

Todo mundo precisa de uma história de amor?
Eu acho que todo mundo tem uma história de amor. Que seja louca, platônica, triste, feliz… Se você amou por um dia ou por uma noite, já está valendo. A paixão é uma forma de amor também. Às vezes, o sentimento se transforma, mas vivê-lo, todo mundo vive, mesmo sem ter sido correspondido. Esta sensação de que tudo é mais bonito, verdadeiro e vale a pena, mesmo quando passageira, dá um gás pra vida. Uma personagem na série, a Julia, diz: “os amores inventados também são amores”. É isso.

Como você, existem muitas figuras públicas (e até emissoras) investindo em programação criada sob medida para o YouTube. Ele pode, um dia, ocupar o espaço de tevê em seu formato clássico? 
Penso que é tudo junto e misturado. Esse é um projeto paralelo, mas que conversa muito com o que faço na tevê, então uma coisa não elimina a outra. Acho que isso de ser on demand, na tevê ou na web, dá um poder absurdo para o espectador e não o subestima. As pessoas querem conteúdo de qualidade onde quer que seja. O meio não importa.

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Yes, we cat
Espécie de talk show, a série de entrevistas tem o selo da ONG Think Olga, dedicada ao empoderamento feminino, com a ONG SOS Gatinhos. Mulheres como a expert em tecnologia Bia Granja (do site YouPix) e a youtuber Jout Jout (foto) falam sobre moda, maternidade, cultura geek e relacionamentos cercadas de gatinhos que estão disponíveis para adoção. Todos os episódios estão no ar em www.youtube.com/c/thinkolga.

Septo
Representatividade lésbica e nordestina. Esses são os pilares da websérie Septo, produzida no Rio Grande do Norte. A primeira temporada ganhou reconhecimento internacional. Em março, foi premiada como a Melhor Websérie pelo voto popular no Buenos Aires Web Fest (BAWF) e concorreu ao prêmio Asia Web Awards, importante festival da Coreia do Sul. A repercussão positiva se dá, também, ao delicado trabalho da atriz e roteirista Alice Carvalho, que vive a protagonista Jéssica. A segunda temporada está em fase de produção. Os cinco episódios podem ser assistidos no canal Brasileiríssimos, ou no link www.youtube.com/watchv?=1yQgim3bVuc.

An african city
Cinco mulheres, cinco histórias diferentes. Muita gente comparou o enredo da websérie An african city ao famoso seriado Sexy and the city. Mas a produção vai além. Primeiro porque as cenas se passam em Gana, bem distante do burburinho de Nova York. A ideia das criadoras Nicole Amarteifio e Millie Monyo é desmistificar o que se pensa sobre o país africano. Os dilemas das protagonistas esbarram em questões como relacionamentos, sexo e carreira. Mas com um pano de fundo diferente do habitual, e bem diferente do que se costuma ver na tevê. Assista em www.youtube.com/user/AnAfricanCity.

Thiaguinho

O cantor de pagode se rendeu ao YouTube e lançou, este mês, uma websérie que mostra os bastidores da rotina. Os vídeos são curtos, de até três minutos, e, por hora, focam no processo produtivo do disco Vem, prestes a ser lançado. O conteúdo será semanal. 

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