Brasília inspira o rock do Brancunians em disco recém-lançado

A banda tem forte ligação com a cidade

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postado em 26/07/2017 06:20 / atualizado em 26/07/2017 17:14

Daniel Titis Galvão, Ana Cecilia Schettino e Bia Saffi/Divulgação
Em 12 de julho, a banda brasiliense Brancunians lançou nas plataformas digitais o +bsb, primeiro álbum da carreira. Com 11 faixas que referenciam a cidade, o disco faz parte de uma cena autoral, independente e alternativa que vem crescendo na capital. A formação atual é constituída por Gabriel Akio Ponte (voz e guitarra), Ana Laura Rodrigues (sintetizadores e voz), Rodrigo da Cruz (guitarra), Fábio Resende (baixo) e Victor Chater (bateria).

O nome do grupo é em homenagem à cidade de Manchester, na Inglaterra, onde surgiu durante o período em que o vocalista — conhecido pelo nome artístico GAP GAP — e Ana Laura fizeram intercâmbio. Brancunians é a união das palavras Brasília e mancunians, termo utilizado para se referir aos nascidos no município britânico.

O novo álbum, que vem em sequência ao EP For my future self, to remember (2014), tem músicas que tratam de experiências vividas em Brasília, com o processo de composição feito em um estilo “flâneur, só que de carro”, como o próprio vocalista define. “As letras expressam uma vontade de me libertar da vida pré-determinada de qualquer brasiliense, que tende ao concurso público, e explorar novas oportunidades, além de fazer uma crítica social ao modo que ele se comporta na cidade planejada e relativamente excludente de Lúcio Costa”, explica GAP GAP, que também compõe as canções.

O disco foi gravado em diversos estúdios da capital, com a produção de Diego Marx, escolhidos com base na qualidade e no custo-benefício para cada equipamento. “Eu chegava com uma música que tinha escrito na voz e violão e tocava para a banda. Aí, cada um fazia o seu instrumento”, relembra o vocalista. O processo de gravação foi demorado, fator que GAP GAP acredita ter sido positivo, pois fez com que a banda conseguisse fazer um disco com maior diversidade de referências.

“Alguns diriam que é indie; outros, psicodélico; mas no fim das contas é rock”: é assim que ele define o som feito pelo Brancunians. “As influências vão das bandas de Manchester — como The Smiths e Joy Division — a bandas de Brasília, como Watson e Tiro Williams”, conta o vocalista. Ele também deixa clara a influência de Tame Impala e The Strokes no instrumental.

GAP GAP acredita que o primeiro passo para “fazer algo original e de qualidade, que realmente agregue culturalmente”, é produzir música de som diferente. “Eu senti que era um som muito próprio. Uma banda que você sabe de onde vêm as influências, mas sente que soa como ela mesma. Então, você percebe uma identidade nas músicas”, conta o guitarrista Rodrigo da Cruz, que acompanhou a maior parte do processo de gravação do disco como um amigo e admirador. Ele foi o último a integrar o grupo, após um convite que surgiu de surpresa.
 
Daniel Titis Galvão, Ana Cecilia Schettino e Bia Saffi/Divulgação
 
 
Alternativa e independente

GAP GAP destaca a morte do baixista Pedro Souto (das bandas Almirante Shiva, Joe Silhueta e Rios Voadores) como um momento de grande perda para a cena autoral de Brasília, que ele julga menos ativa do que em outras regiões do país. “Dizem que o rock está morrendo desde os anos 1970, mas não vai ser agora, e eu espero que, como sempre aconteceu, ele ressurja na cidade”, declara. No entanto, o vocalista vislumbra muito crescimento na área. “Esperamos poder contribuir para fazer com que mais gente seja contaminada por essa onda de música alternativa e independente”, completa.

Com exceção do baixista, todos os integrantes da banda cursam ou são formados em arquitetura e urbanismo, o que deixa a ligação com a cidade ainda mais presente nas músicas. “A gente se sente como brasilienses presos à cidade, tentando um caminho alternativo à nossa realidade predestinada. Formados em arquitetura, mas com medo de ficar concretados em um escritório pelo resto da vida”, explica o vocalista.

A banda já se apresentou na Play! e no Picnik, assim como em vários pubs e bares da cidade, além de festivais como o TacaBoca (Goiânia) e Grito Rock (Formosa). O Brancunians é uma das atrações do Festival CoMA — Convenção de Música e Arte, no dia 5 de agosto, no palco do Clube do Choro.

*Estagiária sob a supervisão de Severino Francisco
 
 
 
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