'Dunkirk', de Christopher Nolan, é a principal estreia da semana

Ação da Segunda Guerra Mundial, apoiada por laços de solidariedade civil, é tema do filme de Christopher Nolan, Dunkirk

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postado em 27/07/2017 07:00 / atualizado em 27/07/2017 08:53

Reprodução/Internet
 
Ao jornal londrino The Telegraph, o diretor Christopher Nolan foi bem objetivo, ao delimitar o tema de Dunkirk, novo filme de guerra dele, a partir de hoje, nos cinemas: “É de fato um enredo muito britânico. Mas, igualmente, é uma história imensuravelmente humana”. Dunkirk trata de soldados britânicos e franceses condicionados a uma libertação quase milagrosa, em face aos ataques germânicos, no ano de 1940. Grandioso na realização, o longa custou US$ 150 milhões. Com o avô morto na Segunda Guerra, em Lancaster, Nolan contou à revista norte-americana Time que o novo filme é a mais pessoal experiência, a primeira vinculada à realidade, e ainda avalizada por uma explícita motivação pessoal: “a conexão emocional”.

Refletir sobre um sentimento de perda de ideais, em escala mundial, norteou propósitos do cineasta Nolan. “Vivemos em uma era em que o valor da individualidade está muito exagerado”, demarca. Dunkirk, em última instância, ressalta o poder de mobilização de civis, em meio ao palco da guerra. Dados históricos apontam que, na litorânea cidade francesa do título, 800 embarcações civis tiveram efetiva ação no resgate de mais de 300 mil combatentes. As desastrosas estratégias militares não foram manchetes nos jornais que preferiram apoiar os cabisbaixos e exaustos soldados britânicos, que saíram corridos dos flancos de combate.
 
 

Ao site IndieWire, Nolan explicitou as diferentes assimilações da derrota situada em terreno francês, em correntes contrárias a pretenso heroísmo por parte dos exércitos. “Para eles (os franceses), ressona o tom de terrível derrota. Era a centelha inicial da ocupação nazista. Então, se tornou uma fonte de vergonha”, comentou. Ele aproveitou para destacar a universalidade de alcance do tema tratado. “Cresci em meio à ideia de que uma cultura apreende traços genéricos das outras, e creio que muitas particularidades passam despercebidas, na superficialidade. Compartilhamos, na verdade, de muitos traços em comum”, avaliou.

Tempos alargados e compactados definem a narrativa de Dunkirk. A ação está em solo, no mar e no ar — tudo disposto à marreta na tela. Há praticamente perda de identidade, em meio a hordas de militares que ocupam a praia e esperam por resgate. No ar, os embates se dão entre os caças alemães Heinkel e os britânicos Supermarine Spitfire. O personagem quase anônimo de Tom Hardy está entre os pilotos. O ar de desolação é estampado em minúcias como a da observação da maré, ditada pelo retorno dos corpos à beira da praia.

Desmerecido pela idade, entre a ação de jovens soldados, o personagem de Mark Rylance (Ponte de espiões), civil empenhado em ceder embarcação de salvamento: “Homens da minha idade são os que ditam a guerra”. A bordo do Moonstone, Dawson (Rylance) segue em direção ao perigo, na linha narrativa mais completa, entre todos os acontecimentos retratados no filme. Nem tão explorado na telona, finalmente, o episódio de Dunquerque ganha uma monumental recriação no cinema.

Voz que faz diferença
De um lado, o personagem do piloto vivido por Jack Lowden (de Negação); do outro, a voz de Michael Caine dá as coordenadas de ação militar. Caine não aparece, mas está no rádio de comunicação. O diretor Christopher Nolan defendeu a participação de Caine como homenagem ao trabalho do ator no clássico A batalha da Grã-Bretanha (1969). “Ele participa, afinal de contas, tem que estar nos meus filmes”, comentou, lembrando do ator visto em A origem, Interestelar e na trilogia Batman.



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