Brasilienses se destacam no Prêmio da Música Brasileira

O compositor Alberto Salgado e a dupla Zé Mulato e Cassiano comemoram troféus no Prêmio da Música Brasileira

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postado em 27/07/2017 07:00

Bruno Cardozo/PMB


Para Alberto Salgado foi uma “agradabilíssima surpresa” ter recebido o troféu de melhor álbum, por Cabaça d’agua, na categoria regional, no Prêmio da Música Brasileira, superando ninguém menos do que o consagrado Alceu Valença, que concorria com o CD Vivo, Revivo. Ao demonstrar a sinceridade que lhe é peculiar, Zé Mulato revela que torceu para Caju & Castanha (finalistas com O papo no WhatsApp) serem os vencedores, como melhor dupla — na mesma categoria. Os ganhadores, porém, foram ele e seu irmão e parceiro Cassiano, que haviam inscrito a coletânea Bem-humorados.

O certo é que, mais uma vez, Brasília esteve bem representada na final do Prêmio da Música Brasileira, realizada no último dia 19, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Aliás, a festa que reuniu astros e estrelas da MPB teve como grande homenageado Ney Matogrosso, artista singular, cuja vitoriosa carreira teve início na capital.

Mineiros de Passebem, brasilienses desde 1979, Zé Mulato & Cassiano têm um histórico de triunfos no evento idealizado e dirigido pelo produtor José Maurício Machline, sempre como dupla, na categoria regional. A primeira conquista foi em 1998, com o disco Meu céu. Depois, vieram outras premiações em 2003 (Sangue novo) E 2015 (Ciência matuta).
 
Embora já tivesse envolvimento com a música em sua terra natal, foi na capital, há 39 anos, que a dupla surgiu. Desde então, lançou 15 discos e um DVD. O mais recente, Bem-humorados, é uma coletânea que reúne 14 músicas, todas com letras em que o humor é traço característico. O homem e a espingada (popular em todo o país), O drama da dieta, O doutor dos anéis e A vantage da pobreza são alguns dos títulos das composições.

Ao longo da carreira, Zé Mulato & Cassiano têm mantido fidelidade à música sertaneja autêntica, que eles preferem chamar de caipira. “Esse disco, que foi bem recebido pelos jurados do Prêmio, é como se fosse um trabalho de entressafra. Inscrevemos sem muita pretensão. Acredito que as letras que colocam em destaque o humor do homem do interior foram um fator decisivo para a avaliação do júri”, ressalta Zé Mulato.

Para ele, porém, o que tem sido determinante para a dupla ter o reconhecimento do público e da crítica é a persistência com que defende a verdadeira cultura popular, originária do sertão. “A nossa simplicidade é verdadeira, e é a base da história que construímos, nesses quase 40 anos de carreira. Quando artistas famosos, de outros gêneros musicais, como Ivete Sangalo, Elba Ramalho, Lenine e Eduardo Dusek vêm nos parabenizar pela conquista do prêmio, eles fazem isso por ver autenticidade na música que fazemos, como representantes da tradição sertaneja”, acredita.

Zé Mulato diz que “mesmo ser ter o auê da grande mídia eletrônica”, dado a outros artistas do segmento sertanejo, ele e Cassiano conseguem manter uma boa agenda de compromissos. “Poderia ser melhor, mas não temos do que reclamar, pois trabalhamos bem. Nos próximos meses, temos shows marcados para São Paulo, Paraná e Minas Geraes. Aqui no Distrito Federal vamos nos apresentar em 4 de agosto, na Praça do Trabalhador, em Ceilândia; na Chácara do Professor, em Brazlândia, no dia 12; e no Encontro de Violeiros, na Casa do Cantador, também em Ceilândia, no dia 24”, adianta.

Rafael Cicarino/Divulgação


Emoção

Bem antes de receber o troféu das mãos de Zélia Duncan, no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, na solenidade do Prêmio da Música Brasileira, Alberto Salgado já havia vivido uma outra grande emoção. Em maio, esteve frente a frente com Chico Buarque, no Politheama (campo de futebol do cantor e compositor carioca), depois de ele ter publicado um post no seu Instagram oficial, com o disco na mão, acompanhado de boa avaliação do Cabaça d’água, ao dizer: “CD Cabaça d’Água, de Alberto Salgado. Está esperando o que para adquirir o teu?”.

“Havia enviado dois discos para o Chico Farias (filho do cantor Ruy Farias, ex-MPB4) e pedi que ele entregasse um ao Chico Buarque. A entrega foi feita e o meu amigo sugeriu que eu fosse ao Rio, para me apresentar ao seu xará famoso. Quando me  vi diante do meu maior ídolo, fiquei meio desconcertado, mas ele me deixou bem à vontade, mostrando-se receptivo”, relata Salgado.

Segundo o cantor e compositor nascido em Sobradinho, que iniciou a carreira musical aos 18 anos, a emoção não parou por aí. “Em 19 de junho, data de aniversário do Chico, fui informado sobre a minha indicação como finalista do Prêmio da Música Brasileira, pelo CD Cabaça d’Água como concorrente a melhor cantor. Era alegria demais”.

No Theatro Municipal, Salgado não chegou a se encontrar com Chico. “Quando ia deixando o palco, depois de receber o prêmio, percebi que o Chico ia entrando, para cantar As vitrines, um clássico de sua obra, em homenagem ao Ney Matogroso. Depois, não consegui me aproximar dele, até porque saí do Municipal para comemorar a conquista num barzinho com os amigos”, lembra.

Ter sido indicado como finalista  já foi visto por Salgado como algo a ser comemorado. “Fui para o Rio de Janeiro com uma ligeira expectativa de premiação. Mas quando meu nome foi anunciado como vencedor, vivi uma sensação indescritível. O reconhecimento do meu trabalho era algo que sempre busquei. Divido  esse momento com os companheiros músicos, que estiveram a meu lado, na gravação do Cabaça d’Água”, celebra. “Na realização do projeto, tive o patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC/DF).

Autor de mais de 300 composições, Salgado vê o prêmio como mais uma conquista em sua trajetória artística. “São muitos desafios e barreiras que a gente enfrenta. Mas nada disso pode ser colocado como empecilho na busca de alcançar os objetivos. Sigo insistindo e confiando na arte que faço”, reforça. “A gente planta sementes, mas tem que cultivar, nutrir, acreditar para que cresçam, floresçam e deem frutos”, complementa. Cabaça d’Água, de 2016, é o segundo disco de Salgado. O primeiro,  Além do quintal, foi lançado em 2014.

Opções para o fim de semana

Na abertura da programação musical do fim de semana, hoje o brasiliense poderá assistir a shows de cantores, instrumentistas, grupos e bandas em diversos palcos da cidade.

Toca Raul – Marcelo Nova e banda prestam tributo a Raul Seixas, em show do Brasília Moto Festival, no Parque de Exposições da Granja do Torto. Ingressos: R$ 25 (meia entrada). Motociclista e quem está na garupa têm entrada franca. Classificação indicativa livre.

Aniel Y El Quilombo – O baixista cubano Aniel Someilallan toca jazz latino e ritmos da ilha do Caribe,  no Buraco do Jazz na área externa do Complexo Cultual da Funarte (Eixo Monumental). Entrada franca. Classificação indicativa livre.

Choro Trio – A pianista Inês Guimarães interpreta repertório de compositores mineiros, Ernesto Nazareth, Villa Lobos, Bach e Bethoven em recital no Espaço Cultural do Choro (Eixo Monumental), na companhia de Daniel Castro (contrabaixo) e Misael Barros (bateria). Os ingressos custam R$ 40 e R$ 20 (meia para estudantes). Não recomendado para menores de 14 anos.

Gente de Casa – Grupo vocal-instrumental Gente de Casa  se apresenta hoje, a partir das 22h, no Feitiço Mineiro. O couvert artístico é de R$ 25. Não recomendado para menores de 18 anos.

Quintucci Musical – O Canntucci Bistrô (403 Norte) apresenta hoje o duo formado pelo bandolinista  Fabrício Santana e o violonista  Caçari.  O couvert artístico é de R$ 10. Classificação indicativa livre.
 
 
 
 
 
 
 
 


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