Cátia de França se apresenta no sábado no Encontro de Culturas da Chapada

Em entrevista, a artista fala de origens e não abre mão da arte que mistura música e poesia

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postado em 29/07/2017 07:30 / atualizado em 28/07/2017 18:43

Marilla Araújo/Divulgação

Mulher, negra e nordestina, mas não só. “Índia, cigana, africana, gay. Eu represento tantas minorias”, se orgulha Cátia de França. Hoje, aos 70 anos, a cantora e compositora que começou a carreira na década de 1960 não tem vontade de largar a música e os palcos. “Eu não posso parar”, afirma convicta. O primeiro álbum é de 1979, 20 Palavras ao redor do sol, e o último é de 2016, Hóspede da natureza. Entre eles, foram lançados outros quatro, somando seis no total. Sua relação com a música é, segundo ela, de responsabilidade. Deseja ser verdadeira com o público e fazer rir, dançar e curar quem ouve o que ela canta.

A música protegeu Cátia, nas palavras dela: a imunizou. No tempo em que  descobriu o talento, gostava de exclamar que era artista, e a profissão foi seu passaporte para o mundo. Multi-instrumentista, domina violão, piano, percussão, flauta, sanfona e voz. “Eu gosto de pensar em mim como uma mulher-centauro: uma metade é violão e a outra é humana. A música me move!”

A fusão das artes


A mãe era educadora, a primeira professora negra da Paraíba, e jamais deixava faltar o que ler, ao passo que Cátia tomou gosto pela literatura. A educação literária seguiu firme e forte ao lado da artista para construir algo único. Sem medo de ser diferente, fez músicas declaradamente baseadas na cultura literária brasileira, o primeiro disco inspirado em poemas de João Cabral de Melo Neto, por exemplo. “Eu poderia fazer mais dinheiro, talvez, se vendesse o comum, mas não é o que quero. Quero cultura, quero política e quero passar minha verdade ao público.” Em meio a todas as intenções expressas na música sem rótulos de Cátia, ela diz que permanece a literatura que aprendeu a amar desde pequena.

Show Cátia de França
Sábado (29/7), às 21h30, no Encontro de Culturas da Chapada dos Veadeiros (Vila São Jorge, Alto Paraíso, Chapada dos Veadeiros - Goiás). Ingressos a R$ 10 (meia-entrada) e R$ 20 (inteira). Mais informações em www.encontrodeculturas.com.br.

Duas perguntas /Cátia de França

Como se sente quando sobe ao palco?
Gosto de sentir a energia boa do lugar em que estou me apresentando, mas, além disso, fico nervosa! Acho prepotência dizer que não sinto nervosismo. As borboletas no estômago são o motor que nos mantêm ativos. Se você não sente mais isso, não faz mais sentido continuar no ramo.

O que é a literatura aliada à música para você?
Hoje em dia, tudo é muito efêmero. Não quero que minha música seja assim. Penso no legado de grandes nomes da literatura, que é eterno. Lá em casa faltava manteiga, mas não faltavam livros. Não havia nada de que eu gostasse mais de ganhar, e minha mãe dizia que eu tinha de fingir surpresa ao receber um, mesmo que eu já o tivesse. Às vezes, eu já tinha lido, mais de uma vez até, mas, quando me presenteavam, eu fingia surpresa, fazia uma festa. A literatura fez parte ativamente da minha infância e eu falo dela porque é o que sei,  adquiri esse conhecimento.

Estagiária sob a supervisão de Severino Francisco
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