Quadrilhas do Centro-Oeste se destacam em campeonatos nacionais

Com estilo próprio de dançar, quadrilhas da região vencem concursos nacionais realizados nesta época do ano

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postado em 30/07/2017 07:33 / atualizado em 28/07/2017 18:52

Fabricio Di Carvalho/Divulgação

 
Este ano, o resultado do 13º Concurso nacional de quadrilhas juninas, realizado em 22 e 23 de julho em Palmas (TO), fez com que os olhares do norte e nordeste se voltassem para o Centro-Oeste. O motivo foi a conquista do primeiro e do segundo lugares pelos grupos Arroxa o Nó, de Brasília, e Arriba Saia, de Goiás. A quadrilha Abalantes do Sertão, de Mato Grosso, também estava no páreo entre as finalistas.

O resultado positivo para a região trouxe uma discussão sobre o estilo de dançar quadrilha, as influências e preferências de cada estado. Um dos pontos levantados é sobre a tipicidade e o formato de fazer uma quadrilha: o que prevalece, qual a tendência que está ou estava dominando, e os próximos passos a serem seguidos.

De acordo com o Gilson Cezzar, integrante do júri do concurso, a Arroxa o Nó passou um novo contexto para os grupos juninos. Por isso, elementos serão revistos para o ano que vem. “Uma mensagem importante que fica é que é possível fazer quadrilha de qualidade sem todo aquele luxo e brilho, sem a perspectiva da espetacularização vigente em muitos estados do país. A Arroxa o Nó não só quebra esse paradigma, mas mostra que espetáculo pode ser feito com a essência tipicamente popular da dança de quadrilha junina”, comenta.
 
O Distrito Federal, por alguns anos, foi referência do movimento junino no Brasil. As quadrilhas do DF carregam uma característica única, que é o ritmo arriuna, além de temáticas, como o cangaço. Nos últimos anos, o estilizado começou a ser bastante presente nos grupos, com figurinos luxuosos, grandes cenários e banda.

O marcador da Arroxa o Nó, Waguinho, explica que as quadrilhas do DF resgatam a origem nordestina, muitas vezes deixada de lado por grupos daquela região. “De modo geral, o movimento junino do DF é um movimento de resistência e de preservação da dança de quadrilha. A maioria das quadrilhas daqui de Brasília prioriza a brincadeira, o festejo, enquanto os grupos do norte e do nordeste caminham para o lugar do estético, do impacto visual, da grandiosidade. De um lado, o DF vem das raízes da cultura nordestina e incorpora a própria maneira de brincar, despojada e irreverente. De outro, o próprio Norte e o Nordeste estão descaracterizando suas raízes em detrimento do espetáculo, do luxo”.

Para Diones Cavalcante, dançarino da quadrilha Busca Fé, “o movimento junino em Brasília está em constante evolução. Então, uma tendência é o passo ‘estilizado’ ser inserido entre as quadrilhas. Nós temos uma característica única, que é referência entre os demais grupos juninos: o arriuna, além da preservação das temáticas, como a representação do cangaço e da seca do sertão.”

*Estagiário sob a supervisão  de Vinicius Nader

Pelo Brasil

Confira as caraterísticas de quadrilhas por região

Norte 
As quadrilhas do norte têm grande influência da cultura indígena em sua dança, como o Carimbó e o Marambiré, além dos figurinos e encenações.

Nordeste 
Os grupos do Nordeste são conhecidos por luxuosos figurinos, cenários, e encenações teatrais. Uma das influências culturais das quadrilhas da região foi a cultura africana.

Centro-Oeste 
As quadrilhas do Centro-Oeste sempre tiveram como característica a diversidade cultural das regiões do Brasil, devido à colonização e à migração dos povos. Com o tempo, cada estado foi formando a própria identidade devido às influências agregadas.
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