Desenhos animados ganham versão em live-action nas telonas

Animações famosas são utilizadas para inspirar a produção de filmes com atores reais e criam expectativas no público

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postado em 30/07/2017 07:34 / atualizado em 28/07/2017 18:55

Disney/Divulgacao
 
Alguns desenhos animados são tão queridos que espectadores almejam ver como os personagens seriam na vida real. Várias histórias clássicas inspiram roteiros de animações e, mais tarde, de filmes live-action. Comumente, a preocupação das novas versões não é de ser fiel ao conto original, mas de remeter —  quase —  perfeitamente à produção animada.

O diretor e animador brasiliense Márcio Moraes aprova o movimento de desenhos animados que inspiram versões com atores reais. “Essa tendência é bacana e a tecnologia permite que filmes live-action utilizem os mesmos recursos presentes nos animados”, conta. Para Márcio, o futuro do cinema está praticamente fadado à fusão entre animações e filmes live-action. Segundo ele, efeitos visuais e histórias que antes eram limitadas aos desenhos traçam caminhos para conquistar espaço nos filmes com atores.
 
“É interessante pensar nesses remakes em que, mesmo quando o personagem não aparece na forma humana, ele é interpretado por um artista renomado”, comenta o animador. É o caso de Kaa, a cobra de Mogli — O menino lobo (2016), dublada por Scarlett Johansson, por exemplo. “Um recurso muito utilizado é o motion capture, que captura pontos do rosto e corpo do ator e cria por computação uma nova versão de imagem, baseada na feição e movimentação daquela pessoa.”
 

A tecnologia aparece nos filmes de Planeta dos macacos, que foram precedidos por livros, quadrinhos e animação de tevê. César, o líder dos macacos, não é apenas dublado, mas interpretado por Andy Serkis. O ator trabalha com pontos espalhados pelo corpo para possibilitar a localização dos movimentos pelo computador e, depois, com transposição digital sobre as cenas filmadas, ele se transforma efetivamente em César. “O elenco, nesse caso, é uma forma de marketing, mas também de trazer mais realidade ao filme. Os estúdios querem agradar aos fãs, por isso os live-actions são produções tão grandes”, observa Márcio.


Semelhanças e diferenças
 
Reprodução/Internet
 

No início deste ano, foi lançado o remake de A Bela e a Fera, e as semelhanças entre o live-action e a animação da Disney são visíveis nas roupas, no roteiro, nos personagens e na trilha sonora dos filmes. Desde os primeiros teasers e cartazes do novo longa, fãs fizeram montagens na internet para comparar as duas versões e exaltar as equivalências.

Camila Viana tinha 3 anos quando assistiu à animação pela primeira vez e aos 20 se encantou ao ver a princesa de volta às telonas, com representações em carne e osso. No início, a estudante não esperava muito. “Imaginei que nem chegaria aos pés do desenho animado”, admite. “Mas a escolha de atores foi ótima e encaixou muito bem nos personagens! O Gaston, por exemplo, está muito fiel ao da animação.” Mesmo com várias semelhanças, o enredo da história animada sofreu alterações para o remake, e as novidades agradaram a Camila. “Algumas cenas foram idênticas, já outras nem existiam no desenho, mas complementaram bem a história”, opina.

A primeira animação a receber um remake em live-action da Disney e a fazer sucesso foi 101 Dálmatas —  O filme. O live foi exibido 35 anos depois da produção animada, de 1961. Quatro anos depois, a nova versão ganhou uma sequência, 102 Dálmatas, e, desde 2013, notícias sem confirmações oficiais da Disney especulam sobre um spin-off para 2018. Supostamente, o novo filme será protagonizado pela vilã da narrativa e se chamará Cruela.

A volta de Cruela Cruel às telonas não é a única notícia da Disney que anima os fãs. Neste mês, na conferência D23 Expo, o estúdio cinematográfico revelou uma lista de filmes para 2018 e 2019. Mulan, Aladdin, Dumbo e O rei leão são títulos que, confirmados pela empresa, ganharão versões live-action nas telonas. Os rumores em torno de produções de outros longas, como Tink, sobre a Sininho de Peter Pan e sequências para Malévola, de 2014, e Mogli — O menino lobo, de 2016, estão correndo desde o ano passado.

Mangá

A Disney não é o único estúdio a transformar desenhos célebres em live-actions. A bióloga Renata Mamede é fã de filmes baseados em mangás e conta que o desenho que mais gosta é DragonBall, mas o live-action de 2011, DragonBall Evolution, não a agradou.

“Normalmente, não me incomoda mudarem a aparência se for uma coisa muito difícil de se reproduzir, mas nesse caso fatos não bateram e personagens tiveram suas características psicológicas muito alteradas”, desabafa. Renata teve outra experiência, dessa vez positiva, com esse tipo de remake.

Assim como DragonBall, Death note é um mangá que originou um anime e, por fim, uma versão live-action. Para a bióloga, os filmes live-action de 2006, produções japonesas, são um bom exemplo de como os personagens do remake podem ter a aparência alterada sem desagradar ao público. “É só não mudar a mentalidade deles. Em Death note, nem todos eram como eu esperava fisicamente, mas eu visualizava perfeitamente os personagens na interpretação do filme”, afirma.

*Estagiária sob a supervisão de Vinicius Nader

O que vem por aí

Dumbo (2019)
O filme será dirigido por Tim Burton e é o primeiro live-action do diretor considerado remake, já que Alice no país das maravilhas não tem o mesmo enredo da animação de 1951.

O rei leão (2019)
Dublador de Mufasa na animação, James Earl Jones é um dos confirmados no elenco e viverá o leão mais uma vez. 

Aladdin (2018)
Naomi Scott, de Power Rangers — O filme (2017), será Jasmine. Já o protagonista Aladdin será vivido por Mena Massoud, ao lado de Will Smith como o Gênio.

Cruela, Tink e Malévola 2 
Fãs acreditam que Cruela Cruel será interpretada por Emma Stone, a fadinha, por Reese Witherspoon e que Angelina Jolie viverá a vilã Malévola pela segunda vez.

Death note (2017)
A produção japonesa em live-action de Death note tem um spin-off de 2008, sobre a vida de um dos protagonistas, e uma sequência de 2016. Uma versão norte-americana do enredo será distribuída pela Netflix, com lançamento confirmado para o dia 25 de agosto.
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