Movimento Dulcina Vive comemora eleições para novo conselho curador

Após meses de luta, movimento Dulcina Vive comemora eleições diretas para o novo conselho curador

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Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
 
Criado com o objetivo de ampliar a participação da comunidade acadêmica na gestão da Fundação Brasileira de Teatro e expandir os movimentos de recuperação do espaço, o Dulcina Vive reuniu alunos, professores e artistas da cidade em um mesmo grito: manter vivo o legado deixado por Dulcina de Moraes.
Após quatro anos de intervenção judicial do Ministério Público e Tribunal de Justiça do Distrito Federal, o complexo cultural de Brasília abre seu primeiro processo eleitoral democrático para eleger o Conselho de Curadores. Em posse, o conselho eleito elegerá a presidência e diretoria da Fundação.
 
Para a atual interventora, Débora Aquino, essa foi uma luta ganha por todo o movimento, que pretende acompanhar de perto as ações de recuperação da FBT e Fadm. O edital para a escolha dos curadores foi aberto na última terça-feira, 1º de agosto. A Fundação não elegia o Conselho há quase vinte anos.

Diante das crises estruturais e financeiras, um longo processo se estendeu na Fundação nos últimos anos, reforçando a tentativa de preservar o patrimônio histórico do DF. O processo culminou no afastamento de dois interventores judiciais, entre eles, em 2017, a advogada Vanessa Ribeiro, que foi temporariamente nomeada como interventora e entrou com pedido de demissão após pressão de professores e alunos. A ocupação do movimento Dulcina Vive pedia seu afastamento e durou 68 dias, se encerrando em 23 de abril, com pedido de novas eleições.

Novos caminhos


Em maio, com respaldo da comunidade acadêmica, Débora Aquino foi nomeada como interventora pelo MPDFT, assumindo pacificamente a função de conduzir as eleições e dar posse ao novo Conselho de Curadores. “Foi uma luta de todos com o objetivo de chegar a um consenso para acompanhar todas as necessidades da Fundação e chegar até este ponto, da abertura do edital de chamamento”, afirma Débora Aquino. O edital de convocação das eleições atuais está disponível nas páginas da FBT, Faculdade e Movimento Dulcina Vive. O prazo começa a correr nesta terça, 1º, e se encerra em 30 de agosto.

Débora, que trabalha como atriz e diretora de teatro, além de conselheira de cultura do Distrito Federal, acompanha de perto o caso Dulcina de Moraes desde 2015. Para ela, até hoje, todas as negociações são feitas para respeitar o território e a trajetória histórica de Dulcina. “Além disso, a luta é pela defesa de toda a história da FBT e seu patrimônio tombado, que conta parte do desenvolvimento do teatro brasileiro nas últimas décadas”, destaca. Eleita para desempenhar sua função até que o conselho tome posse, Débora busca desempenhar um processo coletivo, levando as decisões do cotidiano do espaço cultural para assembleias. “As atas ficam todas disponíveis para livre consulta de como estamos conduzindo esta nau de arte e criatividade”.

A atriz e interventora conta que está sendo desenvolvido, junto da comunidade escolar e do movimento Dulcina Vive, um documento que busca guiar os conselhos nos primeiros 120 dias, informando os principais pontos a serem trabalhados para a rápida recuperação da instituição. Agora, quem vai eleger o conselho será a comunidade escolar, os funcionários, alunos e professores.  Débora Aquino lembra que o principal é trabalhar os aspectos para uma recuperação de curto, médio e longo prazo, destacando a importância de Dulcina de Moraes para o desenvolvimento das artes cênicas no Brasil. “Esperamos mais alunos na Faculdade e, além disso, a FBT precisa se reposicionar no panorama nacional, atuando de maneira forte no setor das artes cênicas”, afirma a interventora.
 

Entenda o processo  

 
Após amplo histórico de problemas financeiros e administrativos, a Fundação sofreu intervenção do Ministério Público em 2013 e, desde então, contava com administradores provisórios que mantinham diálogo aberto com a comunidade acadêmica. Em fevereiro de 2017, a instituição foi palco de mudanças de impacto para sua gestão. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) afastou os administradores provisórios da FBT, Marco Antônio Schmitt Hannes e Luiz Francisco de Sousa. Em seguida, a advogada Vanessa Ribeiro, delatora na Operação Acrônimo, da Polícia Federal, foi nomeada como administradora responsável provisória.

A comunidade acadêmica se organizou para dar início a protestos e pedidos de afastamento da advogada, além da participação dos professores e alunos nas novas eleições. Vanessa pediu demissão do cargo e em 20 de abril a juíza de Direito Marilza Neves acatou a demissão.  
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