Bienal também terá, de forma inédita, categoria específica para premiar HQs

Os vencedores da categoria serão conhecidos amanhã, em cerimônia no Centro Universitário Iesb

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 04/08/2017 12:00

Divulgação/TripliceComunicação
As histórias em quadrinhos são um universo à parte. Com um enredo que se mistura à literatura, à comunicação impressa e ao design gráfico, as histórias em formas de imagens muitas vezes se perderam na exposição em grandes eventos, mas agora voltam a reivindicar o espaço que merecem, principalmente no design gráfico.

Bruno Porto, curador da bienal, ressalta que os quadrinhos já estavam presentes em outras edições da bienal, mas agora serão avaliados exclusivamente.

Diogo Bercito, autor da HQ Rasga-Mortalha — curiosa história do embate entre um babuíno e um rei que pode resultar no fim do mundo —, comemora, ao lado dos desenhistas Pedro Vergani e Arthur Vergani,  a nova posição do quadrinho dentro da bienal. “É um gênero que a gente ainda diminui muito, mas a entrada do quadrinho nesse meio é superpositiva, é uma coisa muito importante”, celebra Bercito.

O autor explica um pouco sobre o enredo da história: “Escrevi entre 2009 e 2010. Fiz como ficção, mas nunca foi publicado. Adaptei para os quadrinhos porque ele tem uma característica bastante gráfica, achei que a obra tinha essa possibilidade de virar gibi. Daí, conversei com o Pedro, que é o desenhista. O irmão dele, Arthur, trabalhou com o projeto gráfico da capa, enfim. Ficou uma coisa entre amigos, que é o mais legal desse projeto”.

O trabalho — que foi produzido por meio de um edital de incentivo cultural do estado de São Paulo — também teve sua chegada à bienal comemorada pelo desenhista brasiliense Pedro Vergani.

Atualmente trabalhando em Londres, Pedro conversou com o Correio sobre a experiência com a bienal e apontou como a presença dos quadrinhos no evento pode significar para o futuro do país. “O fato desse formato estar ganhando espaço na bienal e no Brasil pode inspirar uma geração de artistas a pôr suas histórias e ideias no papel. Quem sabe um dia não veremos o próximo fenômeno mundial, como Homem-Aranha, Super-homem ou Asterix, sair das mãos de alguém que foi à Bienal e gostou dessa história de fazer quadrinhos?”.

A doutora em história cultural e pós-doutora em comunicação pela Universidade de Brasília Selma Oliveira será uma das juradas da categoria de quadrinhos na bienal e explica que a chegada desse gênero a grandes eventos de design acontece de forma consolidada. “Faz absolutamente todo sentido o quadrinho participar (da bienal). Temos critérios bem claros que dão uma ideia sobre a avaliação de trabalhos desse tipo. Não é um julgamento subjetivo, é uma coisa muito bem pesquisada e julgada”, aponta Selma.

Segundo ela, essa presença é um estímulo. “É uma oportunidade de discutir o trabalho gráfico. Eu julgo ser extremamente oportuno um evento desse porte na cidade, porque contamos com boas obras, temos o que apresentar em termos de trabalhos gráficos”, conclui a professora.

Os vencedores da categoria serão conhecidos amanhã, em cerimônia no Centro Universitário Iesb. E para quem gosta de quadrinhos, vale lembrar que a bienal conta em sua mostra paralela com o 2° EnQuadrinhos, o evento de encontro da área em Brasília, a partir de 4 de setembro, também no Centro Universitário Iesb.
Tags: hqs design bienal
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.