Conheça histórias de Luiz Melodia em Brasília

O cantor fez várias apresentações na cidade e conquistou muitos fãs na capital

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postado em 05/08/2017 07:00

Paula Pratini/Divulgação.

Ao longo da carreira, Luiz Melodia fez várias apresentações em Brasília e conquistou muitos fãs na capital. O primeiro show do cantor e compositor carioca na cidade foi em novembro de 1979, na Piscina Coberta (hoje, Ginásio Cláudio Coutinho) pelo Projeto Pixinguinha, quando dividiu o palco com a cantora e atriz Zezé Mata e roqueira Marina Lima – em início de carreira. Nas três noites, eles foram assistidos por expressivas plateias.

O Clube da Imprensa (Setor de Clubes Sul) e a Facita (Taguatinga Norte) foram outros locais que receberam o autor de Pérola negra, Magrelinha e Juventude transviada. Mas Melodia fez um outro show memorável na Sala Villa-Lobos. Na verdade foi um recital acústico em que, acompanhado apenas pelo violonista Renato Piau, passou em revista seus maiores sucessos.

Em 26 de setembro de 2015, o brasiliense aplaudiu Melodia pela última vez, no encerramento do festival Satélite 061, inciativa da produtora Marta Carvalho. O cantor e compositor do Estácio, com sua banda completa e um naipe de metais, aproveitou para lançar o álbum Zerima, interpretando quase todas as músicas do álbum, além de vários dos clássicos de sua obra. A plateia, de aproximadamente 30 mil pessoas, fez coro com ele em várias canções, com destaque para Magrelinha, levando-o à emoção.

 
Ivaldo Cavalcante/Divulgacao.

Uma noite de Luiz Melodia em Taguatinga

Quem chega ao tradicional Kareka’s Bar, na CNF 2, atualmente chamado Cervejaria Kaixa D’ Água, em Taguatinga Norte, quer logo saber se aquele da foto pendurada na parede é mesmo Luiz Melodia. Orgulhoso, o proprietário Jaile de Assis, de 61 anos, mais conhecido como Kareka, confirma a presença do importante músico no bar e conta a história da visita, que aconteceu em 1982.

A cervejaria até hoje é famosa que pela programação cultural rica e sempre focada em MPB. Jaile contou Melodia apareceu no bar, quando era localizado no centro da cidade, após um show realizado na Facita (Feira do Comércio e Indústria de Taguatinga). O comerciante lembra que a visita foi feita no mês da consciência negra e acabou se transformando em um sarau entre os presentes, com muita música e poesia.

A fotografia feita pelo hoje premiado Ivaldo Cavalcante é um registro descontraído daquele tempo e guarda o estilo da época, despertando curiosidade entre os frequentadores do bar. “Ele chegou e já se enturmou com a galera, escreveu poesias, cantou. Naquela época ele fazia muito sucesso e o bar se encheu de gente para participar do encontro”, lembra o proprietário do bar. Jaile guarda o disco em vinil de Pérola negra e conta que vai deixá-lo em amostra no Kaixa D’ Água. “Eu admiro muito sua voz, que embalava canções lindíssimas. Além disso, Melodia sempre foi muito ousado e inovador. A cultura brasileira perde um grande intérprete e músico”, destaca.

Ivaldo Cavalcante/Divulgacao
 
O ator e mamulengueiro Chico Simões também esteve presente no encontro histórico de Taguatinga e lembra que Melodia bateu papo sobre música e fez poesia em guardanapos do bar, “Naquele dia conversamos muito sobre a arte nos bares, que, na época, eram quase como centros culturais. Falamos das transformações do país e tínhamos muita esperança, já que naquele momento estava acabando a ditadura militar. Era um período muito rico”, relembra Simões.

Para Chico, a importância do músico se deve principalmente à sua origem, entre bares e subúrbios. “Ele não vinha da classe média e também não era do movimento Tropicália. Surgiu como um poeta muito fino e elegante, trazendo aquelas canções que não eram diretamente de denúncia e protesto, mas falavam do amor”, lembra o artista.

O fotógrafo Ivaldo Cavalcante registrou o momento e lembra que também assistiu ao show na Facita, seguindo depois com o grupo para o bar, que era um ponto de resistência cultural e de poesia na época. Ivaldo lembra que o músico experimentou a famosa pinga com mel do Kareka. Noite inesquecível...
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