Bela Gil se populariza como guru da cozinha saudável

Chef e apresentadora foi par aos holofotes a partir da vontade de ver as pessoas comerem melhor

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postado em 06/08/2017 07:30 / atualizado em 04/08/2017 18:44

Elisa Mendes/Divulgação

 
Tímida e introvertida, Bela Gil nunca imaginou ser conhecida como o pai, Gilberto Gil, ou extrovertida como a irmã, Preta Gil. Por vezes, chegou a duvidar da própria capacidade de comunicação. No entanto, a paixão pela cozinha sustentável a fez sair dos bastidores e ocupar os holofotes. A vontade de ver as pessoas comendo melhor despertou uma gigante adormecida. Com uma simpatia que nem ela desconfiava ter, conquistou o público do canal GNT com Bela Cozinha. Não tão fácil. Bela Gil sofreu rejeição ao propor ideias pouco conhecidas, como o churrasco de melancia no lugar da carne vermelha, ou a feijoada, indefectível prato brasileiro, feita sem carne de porco.
 
 
Preparada para o confronto, continuou sugerindo boas práticas alimentares e promoveu a “revolução das substituições”. É comum vê-la trocando alimentos com poucos nutrientes por alternativas ecológicas. Que o diga a chia, sempre lembrada pela especialista em culinária natural e nutrição.

De 2014 para cá, Bela Gil gravou cinco temporadas do programa de receitas, especiais de fim de ano e um reality show para a mesma emissora. Paralelamente, lançou três livros. O último deles, Bela Cozinha Ingredientes do Brasil, foca em um cardápio totalmente vegano. Também criou um canal no YouTube, uma coleção de roupas, um restaurante... Está provado: a atuação da baiana não se resume a confecção de quitutes saudáveis. Guru natureba, como foi chamada pela mídia estrangeira, Bela Gil virou sinônimo de comida “do bem”, mas vai além.
 
Sérgio Coimbra/Divulgação
 
Com o Bela Infância, projeto social sob comando da chef, pretende diminuir os índices de obesidade infantil. Nas redes sociais e em eventos dos quais participa, opina e levanta debates sobre questões como o lobby do agronegócio no Brasil, o consumo irrefreado de alimentos industrializados e a falta de incentivo governamental a pequenos produtores. No próximo dia 17 de agosto, ela vem à cidade para o Tempero Meu, um dos projetos do evento Na Praia. Ela dará uma palestra sobre alimentação e sustentabilidade. Obviamente, ocupa as caçarolas. Fará cookies de jatobá com amendoim. O primeiro ingrediente integra a Arca do Gosto, criada pelo movimento Slow Food para dar visibilidade a matérias-primas ameaçadas de extinção.
 

Entrevista/Bela Gil 


Você construiu um império da comida saudável com programas de tevê, canal no YouTube, livros, restaurante. Virou, de fato, um ícone pop. Imaginava chegar tão longe quando voltou a morar no Brasil? 
Nunca imaginei. Até porque não imaginava um dia estar na tevê. Sempre fui muito tímida e introvertida. Mas a paixão pelo que eu faço e acredito é tão grande que superou qualquer dúvida sobre a minha capacidade de comunicação. E fico muito feliz de saber que já atingi e transformei diversas vidas!

Melancia grelhada, cúrcuma para os dentes, comer a placenta. Por diferentes escolhas e em diferentes situações, seu estilo de vida gerou críticas. Em algum momento esses “haters” da internet a fizeram pensar em desistir? 
Sempre soube que muitas práticas que são normais e rotineiras para mim poderiam ser novidade e muitas vezes superesquisitas para outras pessoas. Então, de uma maneira ou de outra, sempre estive preparada para o confronto. E hoje vejo que muitos “haters” viraram “lovers” da comida e do estilo de vida natureba. Nada como o tempo...

No entanto, também fez com  que muita gente enxergasse as substituições como algo viável, mesmo quem não estava habituado a comer de forma sustentável. É exagero dizer que o Brasil vive uma revolução verde? 
Acredito que muitos estão de fato mais interessados em saber sobre a procedência dos alimentos, procuram comprar ingredientes de qualidade e oferecer uma alimentação mais saudável para a família. Isso graças ao acesso maior à informação. Porém, educação e informação não são o suficiente para mudar o comportamento das pessoas. Então, para essa revolução de fato acontecer, incentivos fiscais para cultivos agroecológicos, regulamentação no consumo de produtos com excesso de açúcar e políticas públicas a favor de uma vida mais natural e sustentável (que não dá lucro pra ninguém) deveriam entrar em vigor.

Sua atuação política só cresce. Como fez seu pai, quando Ministro da Cultura, tem vontade de ir para o “lado de lá”? 
Tenho vontade, mas a sujeira que permeia esse âmbito me desanima. Os políticos mais sérios e honestos, com grandes pensamentos e intenções, ficam de mãos atadas. Então, por enquanto, acho que consigo produzir mais como uma civil.

Muitos estudos têm mostrado o poder do lobby das grandes indústrias na condução até mesmo de pesquisas científicas. Em tempos tão nebulosos, quais as melhores fontes de informação em relação ao que comemos? 
O nosso melhor aliado e professor é o que vem da natureza. Tudo o que estiver mais próximo a ela é sempre a melhor escolha. As marcas de margarinas, refrigerantes e caldinhos em cubo podem nos induzir ao consumo, como tem feito com sucesso nas últimas décadas, mas sempre vou achar a manteiga, o suco fresco e o sal marinho respectivamente, infinitamente mais saudáveis.




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