Documentário mostra imagens do Profeta Gentileza em Brasília

O filme foi rodado na década de 1980 e mostra passagens do profeta pela capital do país

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postado em 06/08/2017 07:31 / atualizado em 04/08/2017 18:43

Arquivo Pessoal/Divulgação

 
O Profeta Gentileza passou por Brasília nas décadas de 1970 e 1980. Em plena ditadura militar, ele trazia uma mensagem subversiva: gentileza gera amor e paz! Era possível ver e conversar com ele no restaurante Coisas da Terra, nos semáforos ou no entorno da Rodoviária. Não foi por acaso que ele veio a Brasília. Tinha plena consciência da importância da repercussão que teriam suas mensagens na capital do país. A passagem de Gentileza por Brasília está registrada no documentário A mensagem do profeta, dirigido por Marcos Orsini, com fotografia de Marcelo Coutinho.

Na verdade, o filme era o trabalho final da matéria jornalismo cinematográfico, ministrada pelo cineasta Vladimir Carvalho, na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília. Estávamos no ano de 1978 e Orsini queria fazer algo relacionado ao aniversário dos 18 anos de Brasília.

Observou Gentileza na Rodoviária, fazendo pregação no meio dos carros, e começou a conversar com o profeta e a fazer as primeiras gravações: “Gentileza ainda não era tão conhecido”, conta Orsini. “Ele ficou muito satisfeito com o convite e com o fato de que alunos do curso de comunicação se interessassem pela mensagem dele. Ele tinha uma consciência muito clara de que queria atingir o núcleo do poder.”
 
O roteiro do documentário funde a figura de Gentileza com o aniversário da cidade. O profeta participa de um gigantesco desfile das crianças no dia 21 de abril, com a presença do então presidente da República, Ernesto Geisel. Havia forte aparato de segurança e não foi possível chegar muito próximo.

Mas Gentileza aparece também em várias outras situações; desce a rampa do Congresso, passa entre os profetas de Cheschiati na Catedral, olha para a Estátua da Justiça em frente ao STF, contempla a imagem de Juscelino Kubistchek, percorre a Rodoviária e caminha na direção do Palácio da Alvorada, como se fosse levar a mensagem a Geisel.

A figura do profeta erra em planos gerais sob o fundo do Eixo Monumental e da cidade espacial: “Ele não fazia referências diretas à repressão política do país embaixo de um regime militar. Mas falava sobre amor, liberdade, gentileza. Achava que as pessoas estavam se agredindo. E uma das formas de gentileza era liberdade, o amor, a delicadeza e o cuidado com o outro”.

Gentileza gravou uma mensagem especial dirigida ao presidente Ernesto Geisel. A produção do filme não dispunha de câmera portátil. Marcelo Coutinho registrou tudo com uma câmara amarrada por cordas, reminiscência dos tempos em que os jornalistas documentavam a Segunda Guerra Mundial.


Orsini ressalta que Gentileza tinha uma consciência muito lúcida sobre a relevância da comunicação para transmitir as mensagens de tolerância, de amor e de paz. Complementava a presença com os cartazes, os santinhos e as roupas: “Ele escrevia com incorreções gramaticais, mas com uma identidade visual própria. Fui a Petrópolis e vi as pilastras em que estão inscritas as mensagens dele. Ele criou uma marca muito singular”.

Gentileza não era louco; ele tinha o que a antropologia define como comportamento desviante, comenta Orsini: “Ele tinha um comportamento divergente do da maioria. O profeta é fruto de uma situação psicossocial. Aqueles tempos de redemocratização não permitiam a manifestação livre”.

O profeta está nas roupas, nos sapatos e nos cartazes: “Ele era muito cordial, mas tinha ideias bastante fortes em relação à roupa das mulheres. Usar saia curta era coisa do diabo. Leio coisas pejorativas sobre o Gentileza. No entanto, ele era muito dócil, muito educado e gentil. A ideia era fazer um filme sobre os 18 anos da cidade, mas, com a sua presença carismática, o profeta roubou a cena”.
 
O nome de Gentileza no cartório era José Datrino. Nasceu em 11 de abril de 1917, na cidadezinha de Cafelândia, no interior de São Paulo. Quando tinha 12 anos, intuiu que constituiria família e patrimônio, mas abandonaria tudo para cumprir missão na Terra. Com a tragédia do incêndio do Gran Circo Norte-Americano, ele ficou tão compadecido com a dor das vítimas que teve uma revelação divina, ordenando que assumisse a personalidade do Profeta Gentileza.

Associou o incêndio ao fim do mundo e expressou o espanto em versos: “O profeta do lado de lá passou para o lado de cá/Pra consolar os irmãos que eram desconsolados/E isso que aconteceu/o mundo é redondo e o circo arredondado/Por este motivo, então, o mundo foi acabado”.

Ele havia se tornado um pequeno empresário, dono de três caminhões. Pegou um deles, comprou 100 litros de vinho em Nova Iguaçu e dirigiu-se para Niterói. Lá, perto do circo, passou a brindar com todos. Basta pedir “por gentileza” (uma forma de colocar Jesus nas palavras, no cotidiano e no coração) e dizer “agradecido” (inovação da graça do Espirito Santo de Deus). Ele transformou a gentileza não em forma de urbanidade, mas em um caminho místico: “Pedindo por gentileza/E dizendo muito agradecido/é colocar-se logo na porta do paraíso”.

Como se fosse um artista conceitual, Gentileza conseguiu disseminar uma mensagem de paz e tolerância que se propagou por todo o país e influiu nas relações cotidianas: “Gentileza gera amor e paz!”.


Mensagens do profeta

A verdadeira gentileza é perfeito conforto e liberdade. Ela simplesmente consiste em tratar os outros exatamente como você adoraria ser tratado.

Nenhum gesto de gentileza, por menor que seja, é perdido.

Cobrou é traidor —  o padre está esmolando, o pastor tá pastando e o Papa tá papando, papão do capeta capital

Só por hoje um dia de cada vez

Entendimento gera sabedoria

O estudo gera futuro

Jesus iluminou Gentileza pelo nosso bem

Vocês são as flores do meu jardim

Não usem problemas. Não usem pobreza. Usem amorrr gentileza.
 

A origem do profeta da delicadeza

 
O nome de Gentileza no cartório era José Datrino. Nasceu em 11 de abril de 1917, na cidadezinha de Cafelândia, no interior de São Paulo. Quando tinha 12 anos, intuiu que constituiria família e patrimônio, mas abandonaria tudo para cumprir missão na Terra. Com a tragédia do incêndio do Gran Circo Norte-Americano, ele ficou tão compadecido com a dor das vítimas que teve uma revelação divina, ordenando que assumisse a personalidade do Profeta Gentileza.

Associou o incêndio ao fim do mundo e expressou o espanto em versos: “O profeta do lado de lá passou para o lado de cá/Pra consolar os irmãos que eram desconsolados/E isso que aconteceu/o mundo é redondo e o circo arredondado/Por este motivo, então, o mundo foi acabado”.

Ele havia se tornado um pequeno empresário, dono de três caminhões. Pegou um deles, comprou 100 litros de vinho em Nova Iguaçu e dirigiu-se para Niterói. Lá, perto do circo, passou a brindar com todos. Basta pedir “por gentileza” (uma forma de colocar Jesus nas palavras, no cotidiano e no coração) e dizer “agradecido” (inovação da graça do Espirito Santo de Deus). Ele transformou a gentileza não em forma de urbanidade, mas em um caminho místico: “Pedindo por gentileza/E dizendo muito agradecido/é colocar-se logo na porta do paraíso”.

Como se fosse um artista conceitual, Gentileza conseguiu disseminar uma mensagem de paz e tolerância que se propagou por todo o país e influiu nas relações cotidianas: “Gentileza gera amor e paz!”.
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