Made in BSB: Artistas locais lançam discos nas próximas semanas

Scalene, Muntchako, Luciana Oliveira e Kelton são alguns dos artistas brasilienses que levam a cultura da cidade para todo o país

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postado em 07/08/2017 08:39

 Divulgação/Breno Galtier
 
As próximas semanas serão abastadas na cena musical brasiliense. Chegam às prateleiras (e a web) um punhado de discos lançados por artistas da cidade. Seja em formato digital, seja no icônico vinil, muitos nomes com DNA brasiliense prometem chacoalhar o circuito do rock, MPB, instrumental, soul music e música alternativa com álbuns em que agregam novidades ao repertório.

No dia 18, a Scalene lança magnetite, terceiro disco de estúdio e que sucede Éter, de 2015. De lá até aqui, a banda brasiliense vivenciou experiências que engrossaram as composições e as camadas sonoras. O reconhecimento internacional e o peso de serem consideradas uma das mais importantes bandas de rock nacionais os levaram para frente.

No ano passado, eles ganharam o Grammy Latino com Éter, considerado o melhor álbum de rock brasileiro em língua portuguesa. Também receberam, com surpresa, o convite para tocar no Rock in Rio, um dos maiores festivais musicais do país, no dia 21 de setembro.

“É o tipo de coisa que foi atribuída a nós pela consistência e qualidade do nosso trabalho. Então, nossa forma de agradecer e fazer jus a isso é manter o foco na constante evolução. Pra isso não precisamos vestir essa responsabilidade e engrandecer nossos egos, preferimos manter ela ali no canto e focar no que nos colocou onde estamos”, argumenta o vocalista Gustavo Bertoni. No disco, a banda promete um som mais maduro e que incorpore novos elementos que, à primeira vista, podem soar desconexos, como a MPB e a música eletrônica.

Essa é, também, uma das premissas do Muntchako, trio instrumental composto por Samuel Mota (guitarra, synths e programações), Rodrigo Barata (bateria e samplers) e Macaxeira Acioli (percussão e samplers). Gêneros brasileiros como o funk se juntam a música instrumental, latina e até ritmos de matizes africanas. É difícil classificar o som do grupo, que tem o bom humor entre os principais elementos quando sobem ao palco. Essa diversidade se traduz no primeiro disco, homônimo.

“Estamos superabertos, fazendo música sem fronteira, sem rótulos, pensando no remelexo da pista instrumental. Somos ecléticos. Piramos em sons universais e, claro, trazemos um pouco da bagagem de vivências de outros projetos. Barata com a Criolina, Samuca com GOG e Jah Live, e eu com a Cabruêra e Hypnotic brass ensemble (dos EUA)”, explica Macaxeira Acioli. Uma das setes faixas do disco, Golpe, está em financiamento coletivo para virar também um clipe.

Para Luciana Oliveira, que acaba de soltar o terceiro disco, Deusa do Rio Níger, o Brasil precisa conhecer melhor os artistas brasilienses. Essa boa leva pode dar a necessária sacudida. “Ainda vivemos muito essa coisa do êxodo, de ter que sair da cidade para conquistar novos espaços. E a cidade acaba abrindo mão de grandes artistas para o eixo Rio/São Paulo”, lamenta. O caminho ela está traçando. Uma das faixas, Neide Candolina, foi elogiada por Caetano Veloso.

Scalene

Previsto para o dia 18 deste mês, o terceiro disco de estúdio da banda brasiliense Scalene, magnetite, marca o amadurecimento sonoro da banda composta por Gustavo Bertoni (vocalista), Tomas Bertoni (guitarra), Lucas Furtado (baixo) e Philipe Mkk Nogueira (bateria). “É um disco, em geral, um pouco mais brasileiro e, certamente, com mais groove. Muitas músicas nasceram de desejos rítmicos e abrimos ainda mais o leque de influências, entre elas, sutilmente, elementos eletrônicos, R&B e MPB”, adianta Gustavo Bertoni.

Duas faixas, ponta do anzol e cartão postal, foram liberadas no YouTube, e mostram um maior uso de sintetizadores e percussão. Muitos fãs as consideraram mais radiofônicas que outras faixas pelas quais ficaram famosos. Segunda colocada no programa global SuperStar, a banda considera, liricamente, que o novo disco tão é pesado quanto os anteriores. “Isso é tão relativo... músicas nossas pesadas já foram melhor recebidas em rádio do que as calmas. E em outra ocasião, a canção que tínhamos certeza que seria radiofônica não era. Nada que compomos tem esse intuito, sempre pensamos o álbum como um todo”, complementa Bertoni. Produzido por Bruno Marx e gravado no Red Bull Studios, em São Paulo, o disco sai pela Slap, selo da Som Livre.
“Nossa forma de agradecer é manter o foco na constante evolução.” 
Gustavo Bertoni, vocalista

Luciana Oliveira

Deusa do Rio Níger foi o nome escolhido para o terceiro disco de Luciana Oliveira, pautado pela soul music, o neo soul, o reggae e o R&B. O álbum está livre para audição no YouTube e levanta debates, inclusive sociopolíticos. “É um disco que vem de dentro pra fora. Vem dos meus movimentos interiores, que são obviamente impactados pelos acontecimentos do mundo. Isso aparece na abordagem feminina, seja pelo título que cita uma deusa, no caso miticamente representada por Oyá ou Iansã, seja pelo fato dessa música ter sido gravada por Elza Soares em 1974”, resume a cantora.

Outra releitura, além da faixa consagrada por Elza Soares, é Neide Candolina, uma parceria com Fióti (irmão do rapper Emicida). Caetano Veloso ouviu a versão de Luciana e elogiou a intérprete por meio de um amigo em comum: “Me assombro com a coincidência de eu estar pensando muito nessa canção recentemente. Aí vem essa gravação deslumbrante, com Luciana cantando divinamente, num relaxamento perfeito, amparada por produção contemporânea”, escreveu o baiano. A produção do disco, que já nasce cheio de boas referências, é de Caê Rolfsen.

Kelton

Fruto de um financiamento coletivo, o segundo álbum do brasiliense Kelton, Lacunar, é anunciado como o mais pessoal da carreira. Questões como surto criativo, fim de um relacionamento e até a vontade de abandonar a música são abordadas com a voz suave do cantor. Sem violões, como era comum vê-lo, o álbum foi gravado inteiramente com guitarra. É um rock alternativo distribuído ao longo de 11 faixas. Duas tiveram divulgação prévia antes do lançamento oficial, marcado para o dia 18. Até lá, Kelton e equipe vão botar no ar um hotsite onde o público poderá falar sobre as lacunas deixadas por amores (ou desamores) ao longo da vida. Elas serão mostradas enquanto se ouve o disco, em uma experiência imersiva e sensorial.

Muntchako 

Samuel Mota (guitarra, synths e programações), Rodrigo Barata (bateria e samplers) e Macaxeira Acioli (percussão e samplers) se preparam para lançar o primeiro disco em algumas semanas. O álbum, homônimo, é o primeiro da banda formada em 2014. Das sete faixas, duas são inéditas e ainda não foram apresentadas em shows: Soc Pow Tum e Loló.

Instrumental, o grupo fez questão de disponibilizar o álbum em vinil. “Acreditamos na música livre, solta, democrática e de fácil navegação pela internet. Mas chegar em casa, abrir um vinhozinho, sentir o cheiro do encarte, colocar a bolacha preta, descer a agulha e colocar para rodar tem outro significado. Existe poesia ali. O chiadinho é afrodisíaco”, brinca Macaxeira Acioli.
 
Até o dia 24, O Muntchako está com financiamento coletivo para viabilizar a produção do primeiro clipe, Golpe, a ser dirigido por André Miranda. Entre as recompensas, cerveja Criolipa, aulas de percussão, cafezinho e até tapioca.


 
 
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