Nicolas Behr comemora quatro décadas de poesia com novo livro

Poeta tem Brasília como inspiração em seleção feita para comemorar 40 anos de poesia

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Breno Fortes/CB/D.A Press -9 /2/17
Há quatro décadas, o poeta Nicolas Behr publicava seu primeiro livro, a edição mimeografada de Iogurte com farinha, dando início a um rico caminho poético na capital. Em suas páginas, o poeta percorre a arquitetura, o céu, a gente e as questões que permeiam o crescimento e a história de Brasília. Hoje, ele lança Brasilírica e comemora seus amores e conflitos com a cidade que já foi maquete. Entre os 100 poemas de sua obra mais recente, é possível reconhecer um mosaico diverso e envolvente da personalidade, do estilo e da criação do poeta.

Para ocupar as páginas de Brasilírica, Nicolas mesclou seus clássicos pessoais e formou um grande caleidoscópio de diferentes possibilidades poéticas, ainda que cada verso guarde as características do estilo que construiu nas últimas décadas. “Eu tentei juntar os poemas mais significativos da maneira mais abrangente possível, peguei um pouco de cada livro que já publiquei. É um grande épico fragmentado”, conta o autor.

Para ele, o livro impresso ainda guarda grande significado e a publicação carrega a possibilidade de ser levada para a eternidade. “Também estou construindo essa relação com as redes, mas na tela tudo pode se perder e o livro não pode ser deletado”, diz. O poeta, que teve um passado rural, não tem grandes pretensões tecnológicas, mas acredita que o papel impresso, com sua característica tátil e sensorial, se complementa com as possibilidades de divulgação da internet. Além de falar sobre a cidade planejada, o autor investe ainda em contar histórias de sua infância, criações eróticas, pensamentos sobre a existência. “Não quero me prender a um só tema”.

Apesar de ter preferência pela inspiração poética que surge a partir de Brasília e tratar da capital em grande parte de seus poemas, Nicolas investe em outros temas para não tornar restrita sua própria produção. “A cidade me provoca e me instiga, por isso me inspiro nela. Meus poemas são como um diálogo com Brasília, com essa cidade que, quando cheguei, colocou-me o enigma: decifra-me ou te devoro”, revela o poeta que, ao chegar à capital, rebelou-se contra ao modelo de setorização da cidade por achá-lo autoritário. Vindo de Cuiabá, cidade de crescimento orgânico e sem planejamento, Nicolas estranhou a organização extrema da capital, achou-a agressiva. “Meu conflito com a cidade hoje está menor, mas ainda existe, isso me alimenta. O dia em que eu fizer totalmente as pazes com Brasília, a poesia acabou”, declara.

Brasília pode ainda ser considerada como uma folha em branco, já que, em comparação com outras regiões mais antigas, pouco se escreveu sobre a cidade planejada. Sendo assim, apesar de escrever há tantos anos sobre o tema, Nicolas guarda mais três livros sobre a cidade e acredita que ainda há muito o que se dizer. “Não há limite para a criação. Eu amo Brasília, se não a amasse, ignoraria. Minha poesia é uma reação a esse grande experimento modernista”, destaca. O poeta incentiva que jovens escritores não se intimidem em escrever também sobre Brasília, já que, em cada criador, é possível notar um olhar diferente.

Os anos de escrita trouxeram um amadurecimento literário e, para o poeta, hoje é possível escrever muito menos para dizer aquilo que quer. “Antes havia mais entulho, eu escrevia 100 páginas para tirar uma linha, hoje já vou mais no ponto, trabalho mais na cabeça antes de chegar no papel”, conta. As experiências, vivências e leituras proporcionaram a mudança literária e hoje, quando escreve, o poeta busca correr de plagiar a si mesmo, inovando sempre. O objetivo é falar de maneiras diferentes, utilizar outras palavras, ainda que o estilo se mantenha presente. O resultado do caminho poético trilhado nos últimos quarenta anos aparece em Brasilírica. O livro será lançado no Beirute, um dos bares tradicionalmente frequentados por músicos, atores, pintores e poetas que vivem e se inspiram na capital.



Brasilírica
Edição: independente; Páginas: 64; Preço: R$ 20. Lançamento do livro Brasilírica, no Bar Beirute (109 sul), a partir das 17h.
 
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