Luc Besson esmaga padrão hollywoodiano de aventura, em Valerian

Diretor francês tira até salário do bolso, na milionária investida de US$ 180 milhões, ao adaptar HQ francês

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postado em 10/08/2017 07:55 / atualizado em 09/08/2017 18:38

Diamond Films / divulgação
 
 

“A sociedade é estruturada nas diferenças entre homens e mulheres. O problema está em que estas diferenças sejam maximizadas”, observou o diretor Luc Besson, ao jornal britânico The Guardian, quando do lançamento do mais novo filme, a aventura Valerian e a cidade dos mil planetas. A observação valida o respeito pelo equilíbrio dos protagonistas na história adaptada dos quadrinhos chamada Valerian et Laureline (de Pierre Christin, com ilustrações de Jean-Claude Mézières). O filme tem como casal de protagonistas Dane DeHaan (O espetacular Homem-Aranha 2) e Cara Delevingne (Cidades de papel). Daí, a entender o título brasileiro do filme, Valerian e a cidade dos mil planetas, há distância de anos-luz.
 
 
 
Sete anos terráqueos foram suficientes, entretanto, para que Luc Besson descortinasse, sob o investimento pesado de US$ 180 milhões (um verdadeiro recorde para o cinema francês), o universo de sci-fi que ele sempre admirou. Descartando a aproximação com o estabelecido tom das aventuras de super-heróis das telas, o cineasta aproveitou para confirmar em declarações a veículos internacionais uma aura de diretor europeu diferenciado. “Sou um lamberjack, mas com a sensibilidade de uma mulher”, brincou.
Não é segredo que a viagem cinematográfica de Besson, baseada num planeta integrado por uma horda de 30 milhões de seres, 5 mil idiomas e 2,3 mil espécies vivas, seja vista como um decalque das fantasias projetadas na saga de Star wars. Mercenários de galáxias, um agigantado personagem chamado Igon Siruss (muito parecido com o monstruoso Jabba) e um ambicioso comandante chamado Filitt (Clive Owen), isso, sem contar uns robôs assemelhados a Darth Vader (mas com cabeças quadradas), são alguns elementos da recriação de parte da trama da revista Empire of a thousand planets (publicada em 1971), bem anterior às estelares aventuras de Luke Skywalker e companhia comandadas por George Lucas.
Luc Besson trata seus personagens centrais, que vivem no século 28, como a consciência de como poderiam ser os guardiões de “uma história da humanidade aprimorada”. Não é à toa que o cineasta se convenceu da necessidade de investir no novo filme, depois de ter assistido ao revolucionário título de James Cameron, Avatar (2009). A existência de uma energia autossustentável está entre um dos temas centrais de Valerian e a cidade dos mil planetas.
Raças em conflito, por poder, também ilustram parte do drama da fita. Luc Besson defendeu, nos bastidores, a vontade de quebrar as plantadas barreiras que protegem as pessoas (leia-se o público) da vivência de efetivos e reais envolvimentos e relacionamentos de quaisquer graus que sejam. “Gosto sempre de reforçar: ‘Você tem certeza de que está difícil viver em comunhão? Está, mesmo?!’”, observa o diretor, ao traçar objetivos com o filme.
Abrindo mão do próprio salário, na produtora EuropaCorp, diante do fenomenal investimento (com reais perspectivas de fracasso, na bilheteria global), Besson aproveitou o espaço na imprensa internacional para demarcar que “os grandes estúdios norte-americanos adoram se esparramar nos lançamentos e ocupar todos os espaços possíveis”. Na defensiva, antes mesmo da estreia...



Os cinco sucessos de Luc Besson

Lucy (2014)
O quinto elemento (1997)
O profissional (1994)
A família (2013)
Joana D´Arc (1999)
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