Circo Imperial da China desembarca na capital neste fim de semana

Formado originalmente em 1951 como parte do governo chinês, o circo precisou tornar-se independente para correr o planeta com shows

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postado em 10/08/2017 07:30 / atualizado em 10/08/2017 08:50

Objetiva Assessoria/Divulgação
Verdadeira febre na moda, na beleza e até na gastronomia, os mitológicos unicórnios foram a temática escolhida pelo Circo Imperial da China para comemorar os 25 anos em turnê pelos palcos mundiais. No sábado e no domingo, eles se apresentam em Brasília com As aventuras dos guardiões dos unicórnios. Embora seja guiado pelos preceitos da arte com mais de três mil anos de tradição no país oriental, o Circo Imperial da China agrega características dos “primos” ocidentais. Uma delas é a figura do palhaço. Eles garantem que a internacionalização não fere a essência do circo, baseada na vida simples e cotidiana da população chinesa. Tradição e modernidade caminham juntas e dão a tônica do espetáculo.

Alguns números são indispensáveis, como o equilíbrio de pratos. Diferentemente da pirotecnia de outros pares famosos, como o Cirque du Soleil, cumbucas e bacias são usadas nas apresentações. Há registros históricos de que essa prática foi usada há mais de cinco mil anos no treinamento de guerreiros chineses. Foram também os artistas de olhos puxados que criaram o equilibrismo na corda bamba, comum nos picadeiros de todo o planeta.

Formado originalmente em 1951 como parte do governo chinês, o Circo Imperial da China precisou tornar-se independente para correr o planeta com shows que equilibram efeitos visuais e sonoros à força e destreza dos quase 200 artistas que o compõem (em cena, revezam-se cerca de 50 deles).

Depois de mais de três décadas como uma entidade governamental, a trupe virou uma instituição privada e passou a excursionar pelo mundo (ainda hoje, existe um grupo que circula exclusivamente na China). Foi necessário ousadia dos integrantes. Sabe-se que é forte a repressão do governo chinês a entidades civis e artistas. Ainda assim, eles correram o risco — hoje recompensado. A estimativa é que, em apenas dois dias, cerca de 20 mil brasilienses confiram a estreia de As aventuras dos guardiões dos unicórnios na capital.

Malabaristas, equilibristas, bailarinos e atores das mais diferentes faixas etárias são escalados e passam por um intenso treinamento, que pode começar cedo, com crianças a partir de seis anos, paralelamente aos estudos. As aulas duram até 10 anos. Geralmente, a aposentaria vem aos 40 anos.
 

Relembre 

No começo do mês passado, o crítico literário, autor e pensador Liu Xiaobo morreu de câncer de fígado em uma prisão chinesa depois de anos detido por subversão. A morte do ganhador do Prêmio Nobel da Paz acendeu o debate sobre a repressão a artistas no país oriental. Entidades de direitos humanos acreditam que o escritor não foi tratado como deveria. O governo alemão chegou a oferecer asilo e cuidados médicos a Liu, mas a China barrou a transferência. O crítico era um dos maiores opositores ao regime do partido único.

 

Três perguntas / John Regna, produtor do Circo Imperial da China

  
O espetáculo a ser apresentado no Brasil foi pensado para o público local: o que ele traz de diferente?
O promoter brasileiro, Luciano Alves, teve a visão de que os brasileiros, especialmente as crianças e o público mais jovem, curtiriam uma performance que trouxesse a arte do circo chinês misturada ao tema dos unicórnios. Algumas das fantasias chinesas mais conhecidas sofreram modificações e receberam chifres de unicórnios nos adereços da cabeça. Especificamente esse é o caso de dois atos, o The Group Contorcionist (grupo contorcionista, na tradução livre) e The High Pole (o poste alto, na tradução livre). O chifre fica no topo da cabeça de cada artista e simboliza o unicórnio misturado com as habilidades humanas. Ainda, a performance dos mestres das artes marciais que vão usar máscaras que também remontam ao tema dos unicórnios.

A temática unicórnios também foi pensada exclusivamente para o país? 
Sim. Tanto eu como Luciano Alves, com a ajuda das nossas equipes, criamos um espetáculo que satisfaz públicos de diferentes tipos, e, ainda assim, único. As habilidades artísticas do elenco representam força e dão bons exemplos de como pessoas jovens podem fazer quase todos os tipos de performances e dedicarem uma boa parte do seu tempo e energia para aprender as artes circenses.

Por que, apesar de toda a mudança tecnológica, os circos permanecem sempre atuais? 
No mundo de hoje, com tantas formas de entretenimento, é difícil pontuar algo que seja o principal nas apresentações. Quando nos fazem essa pergunta, nós dizemos que "o show tem algo para todo mundo" e também dizemos que "pessoas de 5 anos até 105 anos de idade se divertem no show". Em 2004, o Miami Herald escreveu um artigo sobre o Circo Imperial da China dizendo "se você gosta do Cirque Du Soleil, você vai amar o Circo Imperial da China."

 
Serviço
Circo Imperial da China 
No Ginásio Nilson Nelson (Eixo Monumental; 3342-2232). Amanhã e domingo, às 16h e às 19h. Ingressos a R$ 50 (área superior), R$ 80 (cadeira lateral), R$ 100 (cadeira pista lateral), R$ 120 (cadeira pista central e cadeira pista VIP lateral) e R$ 150 (cadeira pista VIP central), valores referentes à meia-entrada, disponíveis nos casos previstos por lei e a doadores de 1kg de alimento. Assinantes do Clube do Assinante tem 60% de desconto no ingresso em qualquer setor. Livre para todas as idades.

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