Agosto marca 20 anos sem Lady Di: A princesa que era um ícone pop

O Correio conversou com médico brasileiro que trabalhava no hospital na noite em que Diana morreu.

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postado em 15/08/2017 07:00 / atualizado em 27/10/2017 18:27

Anwar Hussein/National Geographic Channel
 

"Acho que a maior doença da qual o mundo sofre hoje em dia é a de as pessoas não se sentirem amadas." A célebre frase de Diana Frances Spencer, eternizada como Lady Di, ainda ecoa como forte símbolo de filantropia que a princesa do povo exerceu em 36 anos de vida. Mais do que um membro da família real britânica, Diana se tornou um símbolo pop, que gera curiosidade e atenção, mesmo após 20 anos da sua trágica morte em um acidente de carro, em agosto de 1997.



Por mais que a história tenha marcado a princesa como uma plebeia, Diana veio de uma família real (seu pai era o 8° conde Spencer do Reino Unido). Depois de uma infância turbulenta, com briga por custódia por parte dos pais separados (que segundo alguns tabloides teriam gerado na princesa problemas mentais que perdurariam durante toda a vida), Diana chegou à idade adulta longe do luxo que sua descendência permitia. Ela trabalhava como professora de um jardim de infância no subúrbio de Londres, onde conheceu Charles, Príncipe de Gales, com quem, em pouco tempo, se casaria e tomaria conta das manchetes do mundo, após um matrimônio cheio de altos e baixos em frente às câmeras.

Tom Jennings é o produtor-executivo do mais novo documentário — dentre vários — que abordam a vida de Diana, apresentando entrevista inédita da princesa, o Lady Di: Suas últimas palavras, apresentado no próximo dia 28, às 23h20, no National Geographic. Jennings conversou com o Correio sobre a grande personalidade de Diana, e principalmente, o quê a faz ser tão relevante, mesmo 20 anos após sua morte.

"Ela representa um sonho de criança de todos que queriam participar desse universo. Tem alguma coisa dentro de todos nós que se sente atraído pelo mundo da realeza. Não acho que seja necessariamente a Diana, mas o mundo que ela representava", destaca Jennings.

 

A bióloga Rose Monerat, 55 anos, representa grande parte da população que encarou a trajetória da princesa contada como um conto de fadas pela grande mídia britânica. “Ela era essa grande representação de realeza. Casou com o príncipe, aparecia na mídia com uma pessoa que fazia trabalhos voluntários. Isso atraia a atenção das pessoas, é impossível negar: todos acompanhavam as notícias que cercava ela”, comenta. Para Rose, e vários outros, a morte foi um momento chocante do conto de fadas sem final feliz: “Foi uma surpresa, apareceu na mídia que ela tinha morrido e todo mundo ficou muito chocado. Ela era uma mulher muito jovem, então também ficou um sentimento de pena”. 

Produção pós-vida

Engana-se quem pensa que a simbologia real de Diana acabou no acidente de carro que a matou em 1997, em Paris. Até hoje, a figura da Princesa do Povo é alvo de importantes produções culturais, e 20 após sua morte, o investimento para contar sua história é ainda maior.

Além do documentário de Jennings, o canal HBO, em parceria com a emissora inglesa ITV, também promove sua própria produção sobre Diana. Nos Estados Unidos, duas das principais redes de televisão aberta (a ABC e a NBC) terão histórias originais sobre a vida da princesa.

O canal Channel 4 (da Inglaterra) causou polêmica ao divulgar o documentário Diana: Em suas próprias palavras (com estreia no próximo 31), já que, supostamente, teriam referências a vida sexual da princesa.


O momento final de Diana

National Geographic/Divulgação

Aquele 30 de agosto de 1997 ficou marcado na história como as vésperas de uma morte que grande parte do mundo lamentou: em menos de 24 horas, Diana, princesa de Gales, sofreria um violento acidente de carro que a mataria.

A história já é conhecida. A princesa, com seu então namorado, Dodi Al-Fayed, aproveitavam o fim de tarde às margem do rio Sena, em Paris, até que uma verdadeira horda de fotógrafos passou a perseguir o casal, que, por sua vez, saiu do local em uma Mercedes-Benz S 280, guiado pelo motorista Henri Paul, e acompanhados do guarda-costas, Trevor Rees-Jones. Os dados oficiais apontam a entrada do veículo no túnel abaixo da ponte de l’Alma a 0h25 do dia 31. Poucos minutos depois a vida de uma das personalidades mais importantes do mundo estaria sentenciada à morte.

A Mercedes colidiu com a 13ª pilastra que sustentava o teto do túnel a uma velocidade de 110 km/h — de acordo com as autoridades francesas (a velocidade máxima permitida era de 50km/h) e matou instantaneamente o motorista e Dodi Al-Fayed (o guarda-costa Rees-Jones foi o único sobrevivente). Nenhum ocupante do carro usava cinto de segurança.

A princesa se encontrava em estado de agonia, enquanto os paparazzi continuavam a fotografá-la. Quando a primeira equipe médica chegou ao local, a remoção do corpo da princesa das ferragens foi feita, e, após estabilização dos sinais vitais, ela foi levada ao hospital Pitié Salpêtrière, onde trabalhava o médico brasileiro Leonardo Esteves Lima.

Leonardo Esteves Lima, 52 anos, especialista em cirurgia cardiovascular, foi um dos médicos chamados para tentar ajudar a salvar a vida de Diana. Na época, o brasileiro era estudante de medicina na capital francesa e jamais poderia imaginar que o destino o colocasse frente a frente com a princesa em um momento tão delicado. “Eu estava no cinema e, quando voltei para casa, percebi que a ponte estava interditada. Estava passando pelo local do acidente, coincidentemente”, comenta.

Socorro
Lima conta os detalhes da circunstância. “Ela foi atendida pela cirurgia geral. Foi quando abriram o tórax e perceberam que o sangramento vinha do coração. Assim, chamaram o cirurgião cardíaco, o professor Alain Paneie, e eu morava perto, então também me chamaram para auxiliar a equipe. Quando cheguei, no entanto, ela já estava morta”, relembra o médico, que ainda completa: “Eu e outro colega ficamos responsáveis por fechar o corpo, ela tinha uma ferida na testa, que procurei fechar de uma forma mais discreta”.

Atualmente exercendo medicina em Brasília — após 12 anos de estudos na Universidade René Descartes, de Paris — Lima se tornou famoso pelos métodos de cirurgia cardíaca minimamente invasiva e classifica o encontro com a princesa como mais um atendimento entre tantos.

"A única coisa que passava pela minha cabeça era o fato de ser uma mulher tão jovem, mãe de dois filhos. As pessoas comentam: ‘Nossa, um membro da realeza’, mas eu só lamento pelo falecimento de um paciente, de uma mãe”, explica, e ainda completa: “Entendo que para a mídia talvez seja importante pela personalidade dela, mas, do ponto de vista médico, foi um atendimento em que não há nada para acrescentar, apenas lamentar”.

Ainda sobre o assédio em relação ao contato com Diana, Lima explica que existem muitas teorias, mas nada que ele possa ter comprovado. “Uma coisa que me questionam é sobre uma possível gravidez dela, eu nunca soube de nada, mas essas coisas para mim são só suposições”, conclui.

* Estagiário sob a supervisão de Igor Silveira






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