Com histórias reais, espetáculo 'Teto e paz' é destaque no Cena

Com elenco formado por jovens que já estiveram em condição de rua, o espetáculo 'Teto e paz' encena histórias verídicas

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Irene Egler/Divulgação

Vieram da experiência real das ruas as histórias que constroem o importante espetáculo Teto e paz. As narrativas reais de jovens em vulnerabilidade social, que já viveram nas ruas, se misturam às inspirações poéticas que o diretor e dramaturgo Carlos Lareda buscou despertar em seu elenco. O projeto dá voz a homens e mulheres que permaneceram invisíveis no cotidiano urbano e pobre das grandes capitais.

O espetáculo dá continuidade ao trabalho iniciado em Meninos da guerra e mostra, de maneira prática, que a criação teatral pode suscitar mudanças sociais e de vida. A participação no Cena Contemporânea consagra o forte projeto de Lareda e é motivo de orgulho para todos os meninos e meninas que sobem ao palco para contar suas histórias.
Iara dos Anos tem 30 anos e é uma das atrizes que integra o projeto. Ex-moradora de rua, ela conta que se apaixonou por teatro há alguns anos, quando um grupo de alunos da UnB iniciou oficinas teatrais no gramado da Rodoviária. Iara passou um tempo em cárcere e em 2009, ao sair da prisão, ingressou em um projeto cultural chamado Giração, onde estudou e se tornou monitora de atividades artísticas.
 
A relação com as artes promoveu um encontro com Lívia Fernandes, pesquisadora que integra o projeto da companhia La casa incierta. “No Teto e paz, eu pude contar minha história no palco. A rua é um lugar muito difícil, ninguém está ali porque quer. Algum problema social ou familiar levou aquela pessoa até aquele lugar e todo mundo tem o sonho de ser alguma coisa. No teatro você pode ser essa pessoa que quer, é um mundo de magia”, afirma Iara.

Para a atriz, é muito especial a maneira com que essa vivência nas ruas é contada e o teatro se transformaria em uma possibilidade de superação. “O Carlos pegou histórias tristes e contou de maneira bonita. Na rua, todo mundo se interessa por alguma linguagem artística, seja o teatro, música, um violão”. Iara assistiu Meninos da guerra, primeira parte do projeto, e teve vontade de participar da companhia. Durante um curso técnico de reabilitação para dependentes químicos, sua turma foi junta assistir à montagem. A função da arte, torna-se, desta maneira, possibilitar novos caminhos.

No teatro, Iara descobriu que seu sobrinho, Herbert Lins, estava no elenco, e, a partir de então, as portas foram abertas. “Depois da peça, eu gravei um clipe com o Gog. Esse contato com o teatro melhorou minha autoestima, minha segurança em frente a outras pessoas. Durante os ensaios e apresentações, eu me sinto profissional”, destaca. Herbert, o sobrinho de Iara, salvou a própria vida ainda criança, quando foi jogado de madrugada, por policiais, da Ponte do Bragueto, nas águas do Lago Paranoá. O episódio foi revelado no palco em Meninos da guerra e, atualmente, o rapaz integra também a equipe técnica de La casa incierta.

Enquanto isso, Joaquim Ricald, outro ator da montagem, enfatiza que o projeto abriu diversas oportunidades. Ele participou de gravações como figurante no SBT e, atualmente, se prepara para fazer um teste para novela. A paixão pela arte começou cedo e Joaquim lembra que participou de muitas oficinas teatrais até ser convidado para a montagem de Carlos Lareda. “Na época da primeira peça, eles selecionaram adolescentes em abrigos e a proposta teve muita repercussão. Estar no palco é um sonho e os espetáculos foram grandes presentes para mim”, conta o adolescente. O espetáculo dá voz àqueles que sempre foram silenciados e mostra que o sonho de tantos meninos e meninas é ter um teto e paz, ou seja, segurança, lar e família.

Cena Contemporânea

De 22 de agosto a 3 de setembro. Teto e paz: sábado, às 20h, e domingo (26/08 e 27/08), às 21h na Caixa Cultural. Terça-feira e quarta-feira (29/08 e 30/08), às 20h, no Teatro Sesc Gama Paulo Gracindo.


Espetáculos de hoje:
  • Poéticas Urbanas (DF), na Praça da Bíblia (Estrutural), às 10h.
  • Barro Rojo (Espanha), no Teatro Sesc Garagem, às 19h.
  • Velejando Desertos Remotos (DF), no Teatro Sesc Gama Paulo Gracindo, às 20h.
  • Black Off (África do Sul), na Caixa Cultural, às 21h.
  • Banda 300 & Jazz (DF), no Museu Nacional da República, às 21h.
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