Festival de Brasília do Cinema Brasileiro anuncia as mostras e novidades

Com orçamento que parte de R$ 2,5 milhões, o Festival de Brasília afinará a plataforma dos longas premiados com o mercado

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postado em 24/08/2017 06:00 / atualizado em 24/08/2017 10:17

Divulgação/Rosza Filmes

 

Marcar um compasso antenado com instrumentos de festivais cristalizados no exterior — com estrutura vocacionada aos avanços no mercado audiovisual —, equilibrando ainda a preservação histórica de luta e de relevância política de um evento que completa 50 edições. Na divulgação da programação oficial do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, ontem, o perfil da mais longeva festividade cultural da capital foi, em parte, renovado. A discussão de avanços em atividades de mercado e a lembrança do montante monumental de investimentos em cinema, da ordem de R$ 23 milhões, por meio de edital do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), mostram o ânimo inabalável do evento, que distribui prêmios Candango aos filmes concorrentes. Este ano, a festa, integrada por nove longas e 12 curtas, transcorrerá entre os dias 15 e 24 de setembro.

“Pode parecer clichê, mas é a diversidade presente em nove longas de estados diferentes que dá cara à seleção. Os filmes refletem questões políticas e sociais muito relacionadas ao mundo de hoje. Duas tramas se passam no período do sistema escravocrata. Vivências identitárias familiares e pessoais entre personagens negros, por exemplo, estão no longa Café com canela”, observa o diretor artístico do evento, Eduardo Valente. “Queria destacar a beleza que é ganhar um prêmio Candango — que é nosso Oscar”, brincou o secretário de Cultura do DF, Guilherme Reis, sublinhando questão inovadora desta edição: em vez de prêmios em dinheiro, os filmes selecionados receberão cachê pela participação. “Em Cannes, por exemplo, os realizadores premiados não levam um cheque junto com a Palma de Ouro”, observou Valente.

Com orçamento que parte de R$ 2,5 milhões (e dotado de previsão de bater em R$ 3,8 milhões, a contar adesão de iniciativa privada), o Festival de Brasília afinará a plataforma dos longas premiados com o mercado. Por meio do Prêmio Petrobras de Cinema, o júri popular (que contará com aparato de aplicativo) definirá o destino de R$ 300 mil, a serem entregues ao melhor filme de longa da competitiva (com R$ 200 mil) e R$ 100 mil voltados para o filme de longa da Mostra Brasília. Os montantes vão amparar a distribuição dos filmes eleitos.

Além do ineditismo de títulos anunciados — na abertura, Brasília verá a primeira exibição nacional de Não devore meu coração! (de Felipe Bragança), mostrado em Sundance e em Berlim —, uma ponte para o desenvolvimento do curso de carreiras cinematográficas promete se afirmar. Seis longas-metragens (nenhum do eixo Rio-São Paulo), ainda em processo, passarão pelo crivo de experimentados consultores estrangeiros. O encerramento da festa, por exemplo, trará a mais nova obra (com estreia mundial) do baiano Edgard Navarro, chamada Abaixo a gravidade.

Adesão internacional

No grupo dos cineastas estão antigos vencedores de prêmios Candango, entre os quais Sérgio Borges, Marília Hughes, Claudio Marques e André Carvalheira. Curadores do Sundance Film Festival, do Festival de Cinema Independente de Buenos Aires e do Festival de Munique atuarão nos bastidores do Festival de Brasília.

Uma perspectiva “superviva” do festival, como instituição orgânica, e não como “pirâmide”, foi defendida pelo secretário Guilherme Reis. Ele aproveitou o anúncio da programação do evento para confirmar um edital do café/ bistrô do Cine Brasília. Para além do caráter de retrospecto, com a premiação do icônico realizador Nelson Pereira dos Santos, a Associação Brasileira de Críticos de Cinema foi convidada a montar a mostra 50 anos em 5 dias, dedicada a grandes vencedores do passado: entre outros, serão mostrados clássicos como A falecida, O padre e a moça, Santo forte e Filme de amor. Prospectando futuro, o evento terá no Cine Brasília o abrigo de festivais estudantis: o 3º Festival de Filmes Curtas-Metragens das Escolas Públicas de Brasília e o FestUniBrasília.

Produtores, programadores e exibidores estão, desde já, estimulados para, entre os dias 20 e 22 de setembro, discutirem e fomentarem negociações em torno de filmes. A dinâmica dos bastidores do cinema brasileiro também estará em pauta numa série de master class que terá presença de profissionais como as diretoras Laís Bodanzky e Anna Muylaert, além da produtora Vania Catani (de O filme da minha vida, de Selton Mello).

"Queria destacar a beleza que é ganhar um prêmio Candango — que é nosso Oscar"
Guilherme Reis, secretário de Cultura do DF



Histórias cruzadas

Independente do formato reinante em cada uma das 49 edições do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, uma notória relação de realimentação se manteve constante: a cada edição, o Festival de Brasília teve como vitrine singular, na mídia, a cobertura adotada pelo Correio. São histórias de edificação paralela: no jornal, denúncias, matérias especiais e a fundação de um senso crítico, dotado de base política, sempre foram incentivadas e refletiram-se no estímulo da ruidosa plateia que adota, a cada evento, o Cine Brasília (EQS 106/107), templo das exibições dos filmes, como extensão momentânea da casa. Com a ferramenta ideológica adotada por cada cineasta, pela primeira vez, no cinema, o Brasil (ou, ao menos os brasilienses) tem a chance de se reconhecer e identificar, na leitura de cada filme, elementos que incomodam ou aprazem cada dia do cotidiano.

Destaques das mostras paralelas

50 anos em 5 dias — Registro de uma história
Histórias que nosso cinema (não) contava, de Fernanda Pessoa.
Guarnieri, de Francisco Guarnieri.
Cine São Paulo, de Ricardo Martensen e Felipe Tomazelli.

Terra em transe
Camocim, de Quentin DelaRoche.
Intervenção – Amor não quer dizer grande coisa, de Rubens Rewald.
Contagem regressiva, de Luis Carlos de Alencar.

Esses corpos indóceis
Baronesa, de Juliana Antunes.
Meu corpo é político, de Alice Riff.

Hors-concours
António um dois três, de Leonardo Mouramateus.
A moça do calendário, de Helena Ignez.

Festival plural

Tanto os filmes da Mostra Competitiva quanto os do Festivalzinho (reservado para as crianças) serão exibidos, simultaneamente, em Taguatinga, Sobradinho, Gama e Riacho Fundo 1. Já o Cinema Voador, na 25ª edição, levará sessões gratuitas para São Sebastião, Paranoá, Recanto das Emas, Estrutural e Fercal. 

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