Com mais de 30 anos de carreira, Deborah Secco celebra a força feminina

A atriz e mãe de Maria Flor vem a Brasília com espetáculo 'Uma noite dessas'

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postado em 27/08/2017 07:30

Elvis Moreira/Deca Comunicação

Uma rápida pesquisa nos sites de busca traz mais de 500 mil resultados para o nome de Deborah Secco. Pudera. A atriz encara a profissão desde os 7 anos, quando começou a fazer propagandas para a tevê. No entanto, boa parte desse conteúdo tem relação com a vida pessoal da carioca. Uma das polêmicas recentes aconteceu depois de ela declarar ao programa Fofocalizando, do SBT, que havia traído todos os ex-namorados (na lista entram famosos como Marcelo Falcão, vocalista do O Rappa, e o ex-jogador de futebol Roger Flores).

Prestes a completar 30 anos de carreira, Deborah prefere se afastar desse tipo de burburinho, embora ainda seja ligada a eles por um impulso natural de “fugir da hipocrisia”, como define. Na década de 1990, ela fez fama e cativou o público ao integrar o folhetim Confissões de adolescente. Os papéis televisivos continuaram, ano após ano, com momentos de ápice. Um deles em 2003, quando viveu a manicure Darlene Sampaio na trama global Celebridade.

O ponto de virada começa a partir de 2011. Naquele ano, Deborah Secco ganhou o prêmio de melhor atriz da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) pelo filme Bruna surfistinha, no qual interpretava a garota de programa e escritora Raquel Pacheco. Três anos depois, no mesmo ímpeto de fugir do comodismo, fez um pedido a Carolina Jabor (filha do cineasta Arnaldo Jabor): queria protagonizar o longa Boa sorte. No filme, viveu uma portadora de HIV. Durante as preparações para o papel, perdeu 14kg e conviveu com pessoas em estado terminal.

Desde então, tem preferido estar mais reclusa. Inclusive na esfera íntima. Casou-se e teve a primeira filha, Maria Flor. A menina de quase dois anos (um sucesso no Instagram, rede em que Deborah é seguida por oito milhões de pessoas) intensificou a vontade da atriz de deixar um legado artístico. Nesse cenário nasce Uma noite dessas, monólogo que a carioca apresenta hoje em Brasília. “É uma história inédita de ficção, criada e escrita pelo Hamilton Vaz Pereira a meu pedido. Antes dele começar a escrever, discutimos o tema e a proposta do que eu gostaria de fazer no teatro. São três histórias dentro de uma só”, antecipa.

O espetáculo não tem cenário. Deborah usa recursos como figurino e iluminação para criar uma espécie de linha do tempo feminina com mais de 34 personagens. O retorno ao teatro não poderia ser mais prazeroso.

Uma noite dessas
Teatro dos Bancários (314/315 Sul; 3262-9090 e 3522-9521). Domingo, às 18h, e às 20h. Ingressos a R$ 100 (inteira), R$ 60 (doadores de 2kg de alimento) e R$ 50 (meia). Não recomendado para menores de 14 anos.

Quatro perguntas / Deborah Secco

É possível mensurar de que maneira a maternidade impactou sua forma de ver o mundo, inclusive profissionalmente?
A maternidade impactou a minha vida da maneira mais profunda do mundo. Eu descobri após ser mãe que era uma pessoa egoísta e decidia a minha vida pelo ponto de vista do que era bom ou ruim ou o que era certo pra mim. Hoje eu levo a minha vida com um olhar completamente secundário sobre a vontade que prezam as minhas escolhas.

Você já fez personagens que esbarram em tabus, como uma portadora do vírus HIV e uma prostituta. Como se prepara para papéis como esses?
Eu sempre tenho um trabalho muito intenso para os personagens e faço uma preparação investigativa. No período em que fiz o filme Bruna surfistinha, morei um mês e meio com diversos tipos de garotas de programa. Para o filme Boa sorte, convivi num hospital com pessoas em estado terminal.

Por ter representado e dado voz à tantas mulheres fortes, você se considera feminista?
Não me considero feminista por ter dado voz a mulheres incríveis, mas porque sou assim e fui criada dessa maneira. Cada vez mais o machismo me incomoda. Sinto a obrigação de falar e brigar pelo que acredito, pela igualdade, e pela regra de que a mulher pode ser o que ela quiser.

Você sofreu preconceito dos colegas por fazer poucas peças de teatro e se dedicar mais à teve?
Não, não sofri preconceito. Eu comecei no teatro desde de criança, depois fui para a televisão, em seguida fui pro cinema e agora retornei para o teatro. Acho que tento fazer a minha carreira acreditando no personagem e não no veículo em que está sendo exposto.
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