Conheça Davi Campolongo, de 11 anos, pequeno prodígio do piano

De ator mirim em 'João, o maestro', o artista passou a talento do piano: aprendeu o instrumento e surpreendeu a todos

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postado em 29/08/2017 07:08 / atualizado em 29/08/2017 13:43

Fernando Mucci/Platinum Photoimagem
 
 
Davi Campolongo pouco sabia de piano quando foi selecionado para viver o maestro e pianista João Carlos Martins no longa João, o maestro. Na época, o menino acabara de completar 10 anos e já havia feito algumas aulas de piano popular quando foi escolhido entre 50 atores mirins para viver o personagem nos minutos iniciais do filme. Decidiu então aprender a tocar de verdade. E surpreendeu todo mundo, da equipe do filme ao próprio maestro, que acabou por supervisionar a educação musical do garoto: indicou uma professora, incentivou e levou Davi para o palco.

Juntos, o maestro à frente da Bachianas Filarmônica Sesi São Paulo e Davi ao piano, eles já tocaram no Theatro Municipal de São Paulo. Davi foi o solista do Concerto nº 27, de Wolfgang Amadeus Mozart, e tocou peças de Johann Sebastian Bach. Também fez participações especiais em concertos do Martins na sala São Paulo e no Teatro Villa Lobos. E ganhou do maestro elogios preciosos. “O menino nunca tinha tocado, botou a mão no piano só pra dublar e hoje já tocou um concerto de música comigo no Municipal. Em 10 meses!”, conta Martins. “Seis meses depois, já tá tocando as Invenções a duas vozes e a três vozes (Bach). Ele vai ser o substituto de Nelson Freire, do Arthur Moreira Lima e de mim mesmo. Pode escrever. E agora tá com uma professora que vai pegar pra valer.”

Para viver o maestro no filme de Mauro Lima, Davi contou com as aulas da preparadora de elenco Laís Correa, que deu dicas de como entrar no personagem. Quando menino, João Carlos Martins era extremamente introvertido. Depois de uma cirurgia na garganta para a retirada de um tumor, ele passou a sofrer bullying na escola por conta do curativo no pescoço.



Desafio

Davi nunca sofreu bullying nem tem amigos que passaram por esse tipo de situação. Muito extrovertido, é um menino articulado e desenvolto. “Foi um grande desafio fazer um menino mais introvertido. Ele teve uma infância mais introvertida, ele sofria abusos, mas tinha uma inspiração desde a infância. Acho que é um desafio representá-lo porque sou mais extrovertido, então, teve essa coisa de pegar esse jeito do maestro”, conta Davi, em entrevista ao Correio.

A infância do maestro foi o que causou maior impacto no menino quando ele pegou o roteiro pela primeira vez. Nascido em Praia Grande, no litoral de São Paulo, Davi, hoje com 11 anos, sempre quis ser ator. Até ser escalado para João, o maestro, havia participado apenas de alguns curtas e filmes comerciais. “Mas o longa foi um divisor de águas. O detalhamento de atuar é grande”, explica. Agora, ele também quer ser pianista. E acha que pode tocar as duas carreiras em paralelo. Filho de músico, aprendeu a tocar bateria com 3 anos. Logo depois viriam o violão e o ukelele. “Gosto muito do piano, me dedico todos os dias”, garante o menino. “Estou sempre tentando fazer o melhor e correndo atrás dos desafios.”

Na música, Davi já é considerado um pequeno prodígio. Entre seus compositores prediletos, ele segue a influência de João Carlos Martins. Bach, cuja obra para piano o maestro gravou em execuções brilhantes hoje consideradas entre as melhores ao lado das de Glenn Gould, é invencível. “Gosto mais de Bach, é o Pelé da música”, avisa Davi. Mozart vem em segundo lugar. “Ele pode até ser Maradona. Bach é uma coisa impressionante, são mais de mil peças que ele compôs, paixões, minuetos, prelúdios, livros, tem muita coisa e tudo isso o maestro tocava.”
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