Festival de teatro é focado em crianças de 0 a 6 anos. Confira!

Mostra chega à quarta edição integrada ao Cena. Para além do didatismo, propõem elo entre pais e filhos de até 6 anos

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postado em 29/08/2017 07:11 / atualizado em 29/08/2017 11:02

Divulgação
 
 
Até 13 de setembro, o Primeiro Olhar — IV Festival Internacional de Artes Cênicas para a Primeira Infância se integra à programação do Cena Contemporânea — Festival Internacional de Teatro de Brasília, que teve início na última terça. Realizado há quatro anos, o festival Primeiro Olhar consolidou Brasília entre os polos de criação e pesquisa da arte na primeira infância. As duas semanas de programação instigam criadores e público a continuarem atentos aos pequenos espectadores, até 6 anos, donos de uma capacidade ímpar de imaginar e de se conectar ao instante presente. É o mais sincero, autêntico e entregue dos públicos. E não poderia ser mais atual: não está atento a narrativas lineares e pedem interação do público, uma tendência nos palcos mundo afora.

Para essa edição, foram escolhidos cinco espetáculos, um francês e quatro brasileiros. O evento é realizado com patrocínio do FAC — Fundo de Apoio à Cultura. A atriz brasiliense Clarice Cardell responde pela iniciativa com o diretor espanhol Carlos Laredo, fundador da companhia hispano-brasileira La Casa Incierta. Grupos locais como a Cia. Psoas e Pssoinhas são geridos a partir de ações realizadas dentro do evento. “Eles fizeram uma oficina com a gente há uns dois anos”, recorda-se Clarice, atenta ao impacto do festival na cidade. “Surgiu um coletivo de artistas que se maravilhou com a oportunidade de se fazer arte com esse público. Pessoas que trabalham com esse segmento, diferente de outras cidades onde isso ainda é um nicho, um filão”, emenda.

Clarice Cardell acha importante destacar a curadoria do festival foge de todos os estereótipos do que se imagina de uma peça infantil. O objetivo não é nem nunca foi pedagógico ou literal. “Eu os tenho muito mais como mestres do que o contrário”, assegura. No entanto, é de salientar a importância desse rito coletivo com a presença de pais e professores. “Foge de um produto e de uma criação superficial, banal, colorista ou sensorial. Temos um produto conceitual, profundo, emocional. Quando esses adultos veem esses bebês completamente conectados a tudo isso, no mínimo questionam: quem é esse bebê que está a meu lado?”, complementa.

“Consideramos o bebê como um espectador completo, não o subestimamos. Tentamos provocar experiências. É um público que tem uma receptividade muito presente. Se gosta, gosta. Se não gosta, chora ou não interage. Não fazem concessões. Isso mantém a cena viva. É um desafio para quem está em ação”, define Rita de Almeida Castro, professora do departamento de artes cênicas da UnB. Ela divide os palcos com Cirila Targuetta e Tatiana Bittar. As duas foram alunas de Rita na universidade. O ciclo de aprendizado é contínuo para todos os envolvidos. E é justamente essa continuidade do fazer artístico uma das premissas do festival.

O social

“O festival também tem um compromisso social. Temos tanto atividades em creches públicas, como a Tia Angelina, no Varjão, e a Cantinho do Girassol, em Ceilândia, quanto atividades no Hospital da Criança. Temos essa amplitude e um compromisso de programação com o público da cidade e de ser uma semente para que outros artistas continuem a criar arte para a primeira infância”, comemora Clarice Cardell. No dia 5 de setembro, uma mesa redonda no Museu da República, às 19h, debate a arte e a primeira infância no DF.




Primeiro Olhar – IV Festival Internacional de Artes Cênicas para a Primeira Infância
No Museu da República (Setor Cultural Sul – Eixo Monumental) e no Sesc Gama (Setor Leste Industrial, QI 1 Lotes 620, 640, 660 e 680). Até 13 de setembro, com apresentações às 11h, às 16h e às 17h. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), à venda nas bilheterias a partir de uma hora antes dos espetáculos. Livre para todas as idades. Confira a programação completa no site www.cenacontemporanea.com.br.




Programe-se 



Amana
No Museu da República. Dia 3 de setembro, às 11h e às 16h. Criado pelos brasilienses da Cia. Psoas e Pssoinhas, o espetáculo de dança para bebês de 0 a 3 anos segue os princípios da Educação Somática na abordagem Body-Mind Centering (ou centrando corpo e mente, em tradução literal). O objeto de pesquisa é o movimento. A técnica de improviso envolve, ao final, uma sessão de baby-jam, ou dança com os bebês.



Voa
No Sesc Gama. Dia 3 de setembro, às 11h e às 16h —  Criação local do Coletivo Antônia, o espetáculo é uma livre adaptação do conto A menina e o pássaro encantado (Rubem Alves), escrita por Cirila Targuetta, Tatiana Bittar e a diretora Rita de Almeida Castro, que também integra o coletivo Teatro do Instante.



Terra
No Museu da República. Dia 7 de setembro, às 11h e às 17h — Uma mulher pisa na terra e, depois de muito tempo sem senti-la nos pés, relembra o aconchego que a sensação lhe dá. Esse é o ponto de partida para a personagem sair à procura de outras sensações, sentimentos e emoções. A peça é do Grupo Sobrevento, de São Paulo, com texto de Sandra Vargas — acompanhada em cena pelos músicos William Guedes (o diretor musical e compositor da trilha do espetáculo toca violão) e Denise Ferrari (no violoncelo). O grupo faz o festival Primeiro Olhar em São Paulo há seis anos.



A Gruta da Garganta
No Museu da República. Dias 9 e 10 de setembro, às 11h e às 16h —  Hispano-brasileira, a companhia La Casa Incierta surge com A Gruta da Garganta, peça que também apresentaram no ano passado no Cena. Baseados no teatro lírico, a história se desenrola dentro do corpo humano de maneira poética e onírica. Como em uma ópera, as atrizes Clarice Cardell e Aida Kellen falam sobre a voz e o desenvolvimento da fala humana em montagem dirigida por Carlos Laredo.
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