Será o fim do 3D? Números provam declínio do formato

O formato 3D não agrada mais ao público americano. A Imax anunciou que vai investir menos nesse tipo de produção

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Reprodução/Internet
 
Ajuste os óculos. Encaixe-se confortavelmente na cadeira e tente não se assustar. A qualquer momento, objetos, monstros (ou o que quer seja) podem saltar da tela direto para os seus olhos. Essa experiência, do 3D nos cinemas, já foi novidade e encantou milhões de pessoas mundo afora em produções como Avatar (2009). O formato, no entanto, enfrenta cada vez mais resistência e deve se tornar, aos poucos, bem menos comum.
 

 
Os números provam o declínio. Nos Estados Unidos, a bilheteria de filmes em 3D está em queda há anos, mesmo com número maior de produções no formato, e não dá sinais de que o cenário vai mudar. Em 2016, os filmes em 3D geraram receita de US 1,6 bilhão, uma queda de 8% em relação ao ano anterior. Enquanto isso, a receita geral da bilheteria conquistou o maior número da história: US$ 11,4 bilhões. Ou seja, apenas 14 % disso veio do 3D.
 
 
A verdade é que, desde o auge em 2010, as receitas com 3D nos EUA apenas diminuíram. O ano de 2010 é um marco por causa de sucessos em 3D como Toy Story 3 e Alice no país das maravilhas, além de contabilizar boa parte da bilheteria de Avatar (lançado em dezembro do ano anterior). Em 2010, 21% dos US$ 10,6 bilhões arrecadados vieram das vendas de ingressos em 3D.
 


Recentemente, grandes empresas do ramo, como a Imax, anunciaram que o formato vai ficar de lado e que o 3D será usado em menos produções do que atualmente. O executivo da companhia Greg Foster afirmou, ao anunciar a decisão de investir menos no formato, que ouviu os parceiros no cinema e que o 3D não é mais o padrão.

Foster  citou o exemplo de Dunkirk (de Cristopher Nolan), que obteve sucesso nas bilheterias apenas em 2D. Ele lembrou também que o blockbuster Blade runner 2049 não será lançado em 3D.

Parte da culpa para esse declínio é da própria indústria, apontam especialistas. Analista de mídia e de mercado da área, Paul Dergarabedian acredita que a falta de qualidade influenciou nas baixas. “”A indústria estava empolgada no começo. Então, vários filmes que não foram feitos originalmente em 3D foram convertidos para capitalizar a oportunidade, e acho que o público realmente percebeu a diferença”, explicou em entrevista ao Hollywood Reporter.

O custo dos ingressos também influenciou nas quedas, acredita o analista.  “A qualidade não era a que deveria ser. E não só isso, mas o alto preço dos ingressos também dificultaram a cooperação”, comentou.

Mestre em economia e políticas públicas e pós-graduado em regulação da atividade cinematográfica e audiovisual pela UFRJ, Vinicius Portela concorda que, em certa medida, essa, de fato, foi uma das causas. “Nos números globais, talvez não faça tanta diferença. Em filmes de ação, aventura, o 3D acaba tendo um efeito, mas há outra parte do público, ligada em filmes diferentes, que não tem vontade de assistir em 3D, porque acha que ele é uma perfumaria que aumenta o preço e não faz diferença”, comenta.

Portela, que é autor do livro Agência nacional do cinema — Ancine, aponta a crise econômica como outro motivo para a indústria evitar o 3D. “Um dos motivos dessa queda tem a ver com a crise americana e os cortes nessas áreas mais experimentais, enquanto não houver um crescimento econômico muito forte lá, a tendência é que isso seja deixado para lá”, explica. “As produtoras concluíram que o 3D era muito caro e o custo-benefício não compensa mais”, indica. Ele observa também que, para uma boa transmissão e exibição no formato, é necessário que a produção, desde o início, seja feita em 3D.

No Brasil


Por enquanto, a queda nos números do 3D não se refletiu em cinemas brasileiros. Segundo relatório da Ancine, em 2016, havia 1.280 salas com a capacidade de projetar filmes no formato no país.  Número maior do que em 2015, quando havia 1.190.

O professor Vinicius Portela acredita, no entanto, que o declínio por aqui, assim como nos EUA, é inevitável. “Os grandes públicos ainda são os de filmes americanos. E a indústria do cinema nacional tem uma tendência forte a seguir o que ocorre nos EUA.” Com a diminuição da produção em 3D no cinema americano, o declínio do formato no Brasil será consequência, analisa Portela.

Na contra-mão

 
Enquanto os EUA puxam os números para baixo, no mercado asiático (sobretudo no chinês) o movimento é contrário. Por lá, 3D é praticamente padrão. Na Ásia-Pacífico, 78% das exibições são feitas no formato.

2010
Ano em que o cinema 3D atingiu os maiores índices de lucro nos EUA
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