Georgette Fadel traz monólogo sobre opressão para o Cena Contemporânea

Espetáculo reúne textos de Brecht, Simone Weil e Hegel

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postado em 30/08/2017 07:30

 
 
A atriz e diretora Georgette Fadel queria um espetáculo que falasse sobre o pensamento e, para isso, precisava de pouca interferência no contato entre ela e o público. Por isso, Afinação I, que ela apresenta hoje e amanhã no Cena Contemporânea, tem pouquíssimos elementos cênicos e dramatúrgicos. O foco é no conjunto de textos selecionados com a intenção de refletir sobre a importância do pensamento.

No palco, a atriz fala trechos de textos de filósofos e pensadores como Bertold Brecht, Hegel, Karl Marx e Simone Weil. “É um trabalho muito puro meu como artista no sentido de que não tive nenhum receio de fazer exatamente e cruamente do jeito que eu queria”, avisa. “Não chega a ser um espetáculo teatral. No meu sentimento, é realmente uma fala, uma exposição de alguns textos que achei muito relevantes de serem expostos nesse momento.”

Georgette começou a pesquisa para Afinação I pelos escritos da francesa Simone Weil sobre a opressão dos operários no sistema industrial das fábricas de automóveis. “Me apaixonei muito pelos textos dela. Ela é uma judia cristã, professora, muito honesta, muito digna, que vai até a experiência dos operários das fábricas num momento muito forte do capitalismo. Ela vai ver de perto e, apesar de ser bem nascida, vai com compaixão e se debruça para compreender os mecanismos da opressão operária”, explica a diretora. De Brecht, ela pegou trechos de A santa Joana do matadouro, uma crítica à economia capitalista a partir da análise da crise de 1929. O início da acumulação do capital é citado em um texto de Marx e, de Hegel, Georgette escolheu textos que falam da importância do pensamento racional.

No palco, a atriz e diretora está sozinha, acompanhada de um violoncelo – uma metáfora para a afinação do pensamento —, giz e quadro negro. Como se fosse uma professora, Georgette se dirige ao público diretamente, com poucas variações de luz e cenografia quase inexistente. “Faço uma brincadeira, fico sentada como se fosse uma professora com seus alunos e meu mote de brincadeira cênica é o violoncelo, que simboliza uma tentativa de afinação de pensamento. Brinco com ele em alguns momentos e crio, de uma maneira lúdica, essa sensação de estar buscando a verdade, a afinação do pensamento e a afinação do violoncelo. É uma maneira de tornar realmente cênica a palavra e a comunicação”, avisa.


Afinação I
De Georgette Fadel. Hoje, às 20h, no Teatro SESC Taguatinga Paulo Autran e amanhã, às 20h, no Teatro Sesc Ceilândia Newton Rossi.
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia)

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