Baco Exu do Blues lança Esú, seu disco de estreia

O álbum tem referências de diferentes ritmos e passa por toda a trajetória do rapper

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postado em 09/09/2017 07:30 / atualizado em 08/09/2017 19:15

 Crédito: Baco/Divulgação

 
É da Bahia a voz que ressoa entre a lírica e a forte no disco Esú, estreia do soteropolitano Diogo Moncorvo, mais conhecido como Baco Exu do Blues. O rapper colhe os frutos da visibilidade amplamente conquistada a partir de 2016, quando lançou a polêmica Sulicídio, sacudindo a cena nacional do hip-hop.

No projeto do ano passado, ao lado de Diomedes Chinaski, Baco reivindicava o lugar de fala e mostrava a força da produção nordestina, que buscava espaço na cena musical centralizada entre os rappers do sudeste. Agora, com Esú, ele mostra a vontade e o talento para falar de felicidade, tristeza, glória e depressão, mostrando a fina ligação que envolve todos os sentimentos da condição humana.

Com pegada criada entre o ritmo, a literatura e a fotografia, Baco derrama entre os versos a base criativa da Bahia lida nos romances de Jorge Amado e das imagens fortes que compõem a fotografia de Mario Cravo Neto. “Esú é Exú em iorubá e carrega todo o sentido da dualidade da vida, de conviver entre o alto e o baixo”, afirma o rapper.
 

O disco falaria, a partir dessa crença, na importância de conviver, na condição humana de estar bem ou mal. “Conviver entre essas duas condições é beirar a impotência”, declara. Esú se coloca como uma batalha épica entre a divindade e a humanidade.

Legiões

Na hora de criar as composições Baco busca transmitir ao público suas crenças e sensações, possibilitando um diálogo com quem as escuta. O que ele quer é criar alguns debates por meio de seu disco, como a xenofobia, o racismo e o preconceito existente em relação a religiões africanas.

O álbum será dividido em duas partes, sendo a primeira o lançamento atual e a segunda, ainda em produção, um apanhado de outras canções com participações especiais.
 
 

A carreira de Baco ganhou forte expansão no último ano, quando o MC aproveitou a visibilidade e impulsão proporcionados pelo lançamento da faixa Sulicídio. Desde então, o nome do soteropolitano tem sido ouvido constantemente entre as rodas de rap. O CD tem influências de diferentes ritmos brasileiros e uma capa provocadora como o próprio músico costuma ser.

“Quisemos mostrar que há Exú até no nome de Jesus, o que os separa são apenas algumas letras. Muita gente que escutou o disco entendeu todo o conceito e desdemonizou a questão do candomblé. Eu acho isso muito forte”, declara. Para ele, a mistura de musicalidade, o conceito fotográfico e a textura musical trouxeram algo de novo e diferenciado para a cena.

As canções produzidas para o disco atual se misturam entre a raiva e o afeto, mostrando um personagem que transita entre seus próprios sentimentos e as influências de sua própria mistura. 
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