Coletânea 33 1/3 lançam livros que analisam discos clássicos brasileiros

A coleção vai de Pink Floyd a Kanye West e tem livros sobre três álbuns nacionais confirmados

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postado em 14/09/2017 07:33 / atualizado em 14/09/2017 14:11

Francois Guillot/AFP - 2/9/16

Fundada em 2003 pelo editor David Baker, uma coleção de livros de bolsos virou referência quando o assunto são discos clássicos. De Pink Floyd a Kanye West, a série 33 1/3 analisou de maneira profunda (e ainda assim leve e descolada) álbuns importantes para a música popular mundo afora.

Em 2017, a coleção deu um passo adiante com a criação da 33 1/3 Global. A ideia é abordar discos que fogem do eixo britânico e americano e analisar produções de outras regiões do mundo. Os primeiros países a ganharem volumes da nova série foram o Japão e o Brasil. Três álbuns nacionais têm livros confirmados: A foreign sound, de Caetano Veloso; África Brasil, de Jorge Ben; e Sobrevivendo no inferno, do grupo Racionais MC’s.

A ideia, segundo os organizadores da coletânea, é apresentar clássicos brasileiros de diversos ritmos. “Passando pelos gêneros do samba, tropicália, rock, hip-hop, forró, bossa nova, heavy metal e funk, entre outros, a 33 1/3 Brazil é uma série dedicada ao estudo em profundidade dos discos brasileiros mais importantes do século 20 e 21”, justifica o site da publicação.

A primeira obra lançada foi sobre A foreign sound, de Caetano Veloso. O livro foi escrito pela professora da Escola de Artes da Universidade de Nova York Barbara Browning.

A foreign sound foi lançado em 2004. No disco, Caetano interpreta clássicos da música americana. A ideia surgiu no exílio do cantor em Londres  (entre os anos de 1969 e 1972), mas foi deixada para trás e retomada só muito tempo depois.

“Há cerca de 10 anos fui a Nova Iorque completamente decidido a não fazer mais esse trabalho. Bob Hurwitz, presidente da Nonesuch, me cobrou e eu disse que a ideia não existia mais, que eu a achava sem interesse. Bob insistiu e disse que eu era a única pessoa do mundo que poderia gravar Cole Porter e Bob Dylan num mesmo CD”, contou o próprio Caetano na apresentação do disco.

Convencido, o brasileiro gravou clássicos de Dylan, Porter, além de releituras inusitadas, como a de Come as you are, do Nirvana. “A Foreign Sound é um disco atípico — tomei liberdades na seleção, que é alienígena, para quem quer que seja. Não supunha que pudesse fazer nada de relevante”, escreveu o compositor.

Os próximos

Depois de A foreign sound, África Brasil (de Jorge Ben) será o próximo lançamento (ainda sem data confirmada). O livro foi escrito pelo professor de música do King’s College de Londres Frederick J. Mohen.

África Brasil foi lançado em 1976 e é um dos principais momentos da discografia de Jorge Ben. Ele entrou, por exemplo, em uma lista da revista Rolling Stone que escolhia os mais álbuns “mais cool” do mundo.

Foi em África Brasil que Jorge Ben trocou o violão pela guitarra e mudou o modo como fazia música. O disco é um dos pilares do samba-rock e abre com o sucesso Umbabarauma.

Outro álbum confirmado, Sobrevivendo no inferno foi um dos maiores sucessos do Racionais MC’S e vendeu mais de 1 milhão de cópias. Foi com esse disco, de 1997, que o grupo alcançou um público muito maior, incluindo o respaldo de acadêmicos e críticos.

O maior sucesso do álbum é Diário de um detento. A letra foi coescrita por Josemir Prado, ex-presidiário do Carandiru. Com narração de Mano Brown, a faixa relembra os dias anteriores ao massacre que dizimou 111 presos no presídio em 1992. O livro foi escrito pela pesquisadora Marília Gessa e por Derek Pardue, coordenador de Estudos Brasileiros da Universidade Aarhus, da Dinamarca.

Ainda não há previsão de lançamentos no Brasil e os livros, até o momento, podem ser comprados no site da editora (https://bloomsbury.com/us/series/33-13-brazil/).
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