Por que gostamos tanto de filmes de terror?

Professor e espectadora falam sobre o fascínio que o gênero gera sobre o público

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postado em 19/09/2017 06:30 / atualizado em 19/09/2017 13:38

 

Frio na barriga, gritos de surpresa e muita tensão. Os filmes de terror , apesar de evitados por algumas pessoas, garantem espaço no meio cinematográfico e conquistam o público brasileiro. O professor de cinema do Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb) Rodrigo Jorge Lopes acredita que o sucesso pode ser explicado pela busca do espectador por sentimentos inesperados. "Podemos chamar isso de corrida por novas sensações. E não é difícil resumir o que acontece: arrepios e o pulo de susto na cadeira são momentos aclamados pelos fãs do gênero no cinema."



A estudante de medicina veterinária Victória Wetzel, 21 anos, aponta a tensão como um dos responsáveis por ter se tornado fã do gênero. "Gosto de ficar sentada na cadeira, totalmente tensa, tentando prever os próximos passos do personagem, do assassino ou do monstro. Assim como pessoas que praticam esportes radicais, toda aquela adrenalina liberada é prazerosa." A jovem assistiu mais de uma vez no cinema aos dois últimos lançamentos de terror norte-americanos, It — A coisa e Annabelle 2: a criação do mal.

No Brasil, Annabelle 2 ficou em primeiro lugar do ranking de bilheteria durante os dois primeiros finais de semana em cartaz e, nesse período, alcançou R$ 25,6 milhões em arrecadação pelo país. A repercussão dos filmes de terror parece lançar um novo padrão, porque It – A coisa também alcançou o topo do ranking na data de estreia.

Nos primeiros quatro dias em cartaz, o filme arrecadou R$ 17,42 milhões no país, mais que o dobro do alcançado pelo segundo lugar, ocupado pelo brasileiro Polícia federal: a lei é para todos.

Tipos
Gene Page/Divulgação

O terror possui vários subgêneros e, segundo Lopes, cinco se destacam: o terror psicológico, o slasher, o gore (splatter), o zumbi e o sobrenatural. Um exemplo para o primeiro tipo é Mãe!, longa estrelado por Jennifer Lawrence, com estreia esta quinta-feira nos cinemas. Nesse caso, "o perigo de morte não é o foco principal, e sim, a mente", ressalta.

Os slashers são representações sangrentas. "São filmes de serial killer, onde sempre há o elemento da máscara e muito, muito sangue", aponta Lopes, que exemplifica o subgênero com A hora do pesadelo: Freddy Krueger e O massacre da serra elétrica. Com representações mais gráficas, gores ou splatters também apostam no sangue e, principalmente, “investem em efeitos especiais exagerados”, observa o professor.

O terror zumbi apresenta uma visão apocalíptica do gênero. “A humanidade que resiste sofre com a luta pela vida e revela para o público essa trama em que os personagens ultrapassam todas as barreiras pela sobrevivência.” É o caso do seriado The walking dead.

“O subgênero mais popular é o sobrenatural, que envolve temas religiosos e também atividades paranormais.” O professor exemplifica uma franquia de filmes homônima, Atividade paranormal. Lopes acredita que: “a audiência do terror nos cinemas tem aumentado, chamando a atenção dos estúdios. Marcas da realidade refletem na catarse do cinema, e vulnerabilidade e fluidez, presentes no terror, são marcas das nossas relações. O cinema se torna uma espécie de válvula de escape”.

*Estagiária sob supervisão de Igor Silveira

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Regina
Regina - 19 de Setembro às 11:12
não faço a menor ideia pq o povo gosta disso...