Coletivo Plano Imaginário debate a fotografia analógica e digital

Questões como o poder da imagem nas redes sociais norteiam o trabalho de pesquisa e produção do coletivo fotográfico

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postado em 07/10/2017 07:31


 
No mês passado, um fato histórico reacendeu velhos debates fotográficos. A brasileira Luísa Dörr clicou 12 capas para a revista norte-americana TIME usando apenas um iPhone. Hillary Clinton, Selena Gomez e Shonda Rhimes posaram para a profissional, munida do mesmo objeto que as pessoas carregam no bolso todos os dias.

“Ferramentas são só um meio que ajudam no processo, mas não um fim”, contou. Debates como o esse —  que expõem o paradoxo entre a fotografia “à moda antiga” e a digital —  e o poder da imagem nas redes sociais serão algumas das questões que norteiam o trabalho do recém-lançado coletivo Plano Imaginário, dos fotógrafos Claudio Versiani e Zuleika de Souza.


A história de ambos se entrelaça com a do Correio. Com mais de 30 anos de experiência, os dois conhecem a fotografia de redação, mas também o viés artístico das imagens. No ano passado, por exemplo, Zuleika de Souza expôs Chão de flores no JK Shopping, em Ceilândia, um ano após bem-sucedida temporada no CCBB. Juntos, pretendem reforçar a linguagem fotográfica como um completo modo de comunicação. No Plano Imaginário, atuarão no espaços virtuais e físico com o mesmo afinco. “A ideia é que seja um centro de produção fotográfica. Eventos, cursos, livros, projeções, exposições...”, adianta Claudio Versiani.
 
 

Para o profissional, é imprescindível a consciência de que a mudança no fazer fotográfico está consumada. A revolução digital democratizou a fotografia e os smartphones concluíram esse processo. “Temos de descobrir quais são as brechas nesse mercado incipiente. Cada vez mais, o conhecimento, o chamado conteúdo, se valoriza”, acredita. “O nosso foco é a imagem. Meu neto, quando viu um vídeo pela primeira vez, disse que era ‘uma foto que fala’. Não conheço melhor definição. Imagem estática e em movimento são linguagens semelhantes. O importante é saber contar a história”, emenda. “Nosso negócio é contar histórias. Qual outra profissão possibilita que você conheça melhor a vida das pessoas?”, questiona.
 
 
Duas Perguntas: Zuleika de Souza 
 
Quando a amizade com Claudio virou o Plano Imaginário? 
Eu e Claudio nos conhecemos quando ele veio morar em Brasília, nos anos de 1980. Ficamos amigos. Em 1994, ele foi trabalhar no Correio como editor e fez uma grande reforma no modo de o jornal tratar a fotografia, dando um espaço de respeito e privilegiando o material dos fotógrafos do jornal. Esse trabalho repercutiu nacionalmente, todos os fotógrafos do jornal tinham, como eu, grande orgulho de fazer parte da equipe. Ele saiu e foi morar no exterior. Passou 14 anos entre Nova York, Barcelona e Belize. Nunca deixamos de ter contato, sempre trocamos ideias fotográficas e querendo voltar a trabalhar juntos. Chegou a hora.


É possível encontrar um meio termo entre a fotografia amadora e a profissional, sem que rivalizem?
Há grandes fotógrafos amadores que fazem belos trabalhos, no sentido de não viverem monetariamente do ofício de fotografar. O ofício é fazer um retrato por encomenda, um casamento, um evento, em que as pessoas precisam da segurança do profissional. É preciso ter rapidez, “sacar” rapidamente o que a pessoa quer e isso só os anos de prática desenvolve. Não acho que tem rivalidade, tem a escolha de quem contrata.
 
 
 


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