Iniciativa Black lives super matter destaca heróis negros

Wendrick Ribeiro, de 23 anos, teve a ideia durante um debate na universidade

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postado em 12/10/2017 07:30 / atualizado em 12/10/2017 11:18

Artista: Daniel Bretas

Negro e fã de quadrinhos, o publicitário Wendrick Ribeiro, de 23 anos, só se sentiu representado por super-heróis quando, na infância, conheceu o Lanterna Verde, num desenho animado da Liga da Justiça. “É bom se identificar, sentir que temos nossos heróis, que há diversidade nos quadrinhos e que existe mais do que apenas  Homem de Ferro”, diz. Pensando justamente nisso, ele desenvolveu um projeto para colocar em destaque heróis negros.

A iniciativa foi chamada de Black lives super matter (uma variação da campanha que combate a violência contra negros Black lives matter). O título em português significa “Vidas negras (super) importam”. Com página no Facebook e site (https://collabblsm.tumblr.com/), o projeto reúne desenhos de cerca de 80 super-heróis e personagens dos quadrinhos que são negros.

A ideia do projeto surgiu durante um debate na universidade em que Wendrick estudava. “Eu sempre quis fazer um projeto assim, com colaboração, e participava de um grupo sobre a questão negra, chamado Pretança. Como negro que sou, juntei tudo e tive essa ideia”, lembra o curador e organizador.

Foram meses para a ideia se transformar em algo prático, observa Wendrick, que dividiu a tarefa de curadoria com Kedria Garcia. Os primeiros passos foram dados em março, mas só em setembro o projeto começou a ser colocado no ar. Para viabilizar a exposição on-line, ele começou a procurar artistas que pudessem se interessar pelo tema.

As redes sociais foram a grande plataforma para que o curador, que não é ilustrador, chegasse a artistas que topassem desenhar os personagens negros. “Eu passei meu óleo de peroba na cara e comecei a bater no Facebook de gente que desenhava e fui conseguindo”, explica.

Desta maneira, ela recrutou cerca de 100 pessoas que aceitaram colaborar de alguma forma com o Black lives super matter. Além disso, Wendrick fez um levantamento com mais de 100 heróis negros, que foram sugestões para que os ilustradores desenhassem.

De inbox em inbox, ele conseguir chegar até a dois artistas de Cabo Verde: Aires Melo e Alberto Fontes. “O processo deles foi de muita entrega para o projeto. Ajudaram bastante e fico muito realizado de ter duas pessoas do continente-mãe participando”, destaca.

Todas as participações foram voluntárias, ninguém recebeu qualquer quantia pelo trabalho. Até por isso, ressalta Wendrick, houve um tempo extenso para a produção. “Todo mundo colaborou e decidimos que todos tivessem um prazo longo para não atrapalhar em nada o trabalho do dia a dia de ninguém.”

O projeto, em pouco tempo, gerou um resultado maior do que Wendrick esperava. O interesse de artistas e do público se tornou cada vez maior. “Eu não sabia que as pessoas iam comprar a ideia e que tomaria essa dimensão. Recebi mensagens que me deixaram muito feliz, como a de uma moça que disse que agora poderia finalmente mostrar aos sobrinhos heróis que pareciam com eles”, comemora
 
O projeto atual não inclui vilões. Wendrick comenta, porém, que eles podem ser incluídos em outras edições. “Começamos com heróis para facilitar. Queremos fazer com vilões, mas é preciso encontrar personagens empoderados que se dissociem da ideia de que a cor da pele tem a ver com caráter”, esclarece.

Para participar do projeto não era necessário que os artistas fossem negros. A ideia era promover o debate e combater preconceitos também entre ilustradores brancos. “Eu sempre fui a favor de que os desenhos deveriam ser feitos por qualquer pessoa, para trazer esses artistas para o diálogo.”

Representatividade

No começo, a representação dos negros nos quadrinhos era restrita a poucos personagens, que, além de tudo, estavam na maior parte das vezes retratados de maneira caricata e preconceituosa. “Pegando a Era de Ouro dos quadrinhos americanos, por exemplo, eles eram tratados com estereótipos e não tínhamos desenhistas negros. Eram só alguns personagens.”

“Depois que começamos a ter personagens melhores, mesmo que muitos fossem criados por brancos. O Stan Lee, por exemplo, criou o Pantera Negra, uma visão bem diferente do estereótipo”, aponta.

O cenário melhorou, afirma o publicitário, mas ainda há muito a se alcançar. “A cada passo que damos, voltamos dois, mas, mesmo assim, hoje é muito melhor do que antes”, acredita.





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