Festival em Brasília dá voz à periferia por meio da arte

Favela Sounds reúne sons e cores nos palcos da cidade e coloca importantes questionamentos em cena

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Luiz Ferreira/Divulgação
 
 
Levar aos palcos diferentes linguagens, sons e estilos, além de mostrar a força da cultura produzida atualmente nas periferias do país são alguns dos objetivos do Favela Sounds, que chega à segunda edição em 2017. O projeto reúne muita música, oficinas e debates, criando um importante espaço de voz e diálogo para a juventude.

Em foco, a descentralização da produção artística, o debate de gênero e a produção marcante das “quebradas”. O festival tenta equalizar nomes consagrados dos movimentos periféricos a novos artistas que têm ganhado protagonismo nas favelas do Brasil e também fora delas. A proposta é ter o funk em diálogo com o kuduro, o pagode baiano e as novas acepções do movimento Bahia Bass em contato com o rap.

Entre os artistas que representam o som do Distrito Federal nos palcos do festival está Thabata Lorena, cantora maranhense radicada em Brasília. A artista busca, com suas canções, criar diálogos com uma negritude consciente, mulheres empoderadas e, segundo ela, os apreciadores de novidades ancestrais. Além dela, DJ Kacá, conhecido por ser um dos DJs de funk carioca mais atuantes da cidade; DJ Donna, representante de peso da black music nas pistas brasilienses; Rosa Luz, rapper trans-feminista e youtuber responsável pelo canal Barraco da Rosa; DJ Pati Egito, adepta de sets festivos dominados pelo tecnobrega; e Magu Diga How, rapper de São Sebastião.
 
Thabata começou a cantar em rodas de improviso nas ruas perto de casa e destaca a importância de um festival que dê protagonismo a diferentes vozes, expandindo o público consumidor da arte das periferias brasileiras. Para ela, a juventude precisa de novas formas de ver e agir. “No campo da composição musical e da produção de livros e filmes, o protagonismo ainda é, em grande parte, masculino. Quando uma mulher compõe, traz narrativas que foram invisibilizadas durante séculos. A hegemonia que nos domina deu errado e está agonizando, em estado de decadência”, declara.

Thabata, militante de diferentes vozes e de minorias sociais, lembra: “Quando todas as pessoas que se dizem minorias se juntarem, serão a maioria. A maior parte da população brasileira não é branca e privilegiada. Sou de um movimento de novas vozes, mulheres compositoras, negros empresários, favelados doutores, conquistas do grupo LGBT. Enfim, outras narrativas, milito no meu lugar de fala”, destaca a cantora.

Espaço plural

Amanda Bittar, uma das curadoras do projeto, destaca que o festival busca trabalhar com temas atuais e importantes para a sociedade por meio da música. “Nós acreditamos que representatividade é essencial e usamos o espaço de fala do festival para dar voz a todos que podemos. Este ano, trataremos de deslocamentos humanos, migrações, refugiados”, destaca a produtora. Além disso, a edição tem um olhar muito voltado para as questões de gênero e raça. São os temas que permeiam os debates e que estarão fortemente representados no palco.



Já Guilherme Tavares, que também faz parte da equipe de produção e idealização do festival, conta que a curadoria para escolher os artistas é pensada a partir da confluência das estéticas culturais das periferias do Brasil e do mundo. A ideia é mostrar que o festival ganha força a partir do encontro de agentes culturais. “Há um mercado e uma lógica de produção completamente paralela ante os mercados tradicionais de música, e o Favela Sounds se dedica a captar e apresentar a pluralidade destes cenários. Assim, há espaço para novos e antigos movimentos musicais das periferias”, destaca. Além de destacar o protagonismo feminino e trans na programação, o evento se dedica à interação entre os mais diversos caminhos estéticos a que as periferias brasileiras e mundiais se submetem e entregam ao público.


Festival Favela Sounds
De 30 de outubro a 4 de novembro, no Museu da República e diferentes Regiões Administrativas do DF. A entrada é franca e a classificação indicativa é livre.
 
Confira o line up por dia no evento:



3 DE NOVEMBRO

ABRONCA (RJ)

LINN DA QUEBRADA (SP)

DJ DARLLY MATOS (MA)

WESLI (HAITI)

ROSA LUZ (DF)

XANDE DE PILARES (RJ)

IASMIN TURBININHA (RJ)

LARISSA LUZ (BA)



4 DE NOVEMBRO

ÁFRICA TÁTICA (DF)

THABATA LORENA (DF)

DJ DONNA (DF)

BACO EXU DO BLUES (BA)

MAGÚ DIGA HOW (DF)

DAMA DO BLING (MOÇAMBIQUE)

PATI EGITO (DF)

TITICA (ANGOLA)

TELEFUNKSOUL (BA)

TATI QUEBRA BARRACO (RJ)

DJ KACÁ (DF)


Oficinas e outras atividades


Técnic@s de Roadie e Luz: sem el@s não tem show

Com Maranhão e Galeno Menezes (DF)

A oficina tem como objetivo ensinar jovens interessados/as no ramo da cultura/entretenimento as noções básicas necessárias para o trabalho de um/a roadie e um/a técnico de luz, cargos essenciais na realização de qualquer evento. A oficina prática tem como objetivo formar novos profissionais dos palcos do DF que praticarão pela primeira vez no Festival Favela Sounds.

Data e horário: 30/10 a 03/11, de 14h às 18h

Local: Espaço Cultural Ubuntu – Quadra 101 Área Especial 01, Lote 18, Loja 04 – Recanto das Emas



Fotografia: Leitura de Portfólio
Com Vincent Rosenblatt (França/RJ)         

Oficina voltada a jovens fotógraf@s, onde o renomado fotógrafo Vincent Rosenblatt fará uma leitura de seus portfólios para aconselhamento artístico. A oficina oferece uma direção profissional no universo da fotografia, pensando em novas abordagens estéticas. A oficina contará com momentos coletivos e individuais e os questionamentos sobre engajamento e olhares serão ponto de partida para a vivência fotográfica. Com a conclusão da fase de leitura e aprimoramento dos portfólios, alguns dos alunos da oficina terão a oportunidade de apresentar seus cliques em projeção no Museu Nacional, ao longo dos shows no Festival Favela Sounds.

Pré-requisitos: Ser e/ou querer ser fotógraf@, ter material fotográfico e/ou esboço a ser analisado (impresso ou em pen drive).

Data e horário: 30/10 a 03/11, de 14h às 18h
Local: Jovem de Expressão – Praça do Cidadão – Ceilândia



Comunicação e Mídia para artistas e negócios de periferia

Com Sandro Menezes (Oi Futuro/RJ) e Rosa Luz (DF)

A oficina de Comunicação voltada para a cultura de periferia tem como objetivo munir os/as jovens artistas de periferia com ferramentas de comunicação para divulgação de seus trabalhos. No primeiro momento com foco nas formas de divulgar, noções básicas de divulgação e difusão de seus trabalhos via mídias tradicionais e digitais, pensando na forma mais eficiente e financeiramente viável: da confecção de um cartaz à presença em mídias sociais, aplicando técnicas de marketing que levam em conta preço, praça, promoção e produto. E no segundo momento as estratégias de comunicação e práticas de Youtubers tomarão conta desta oficina, incentivando à vivência do maior número possível de possibilidades de comunicar, pensando e vivenciando o audiovisual como marketing e produto.

Data e horário: 30/10 a 03/11, de 14h às 18h

Local: Galeria dos Proletas (Módulo 07, Casa 22, Mestre D’armas) – Planaltina



Radiodifusão: produção de conteúdo para rádio com o programa Deguste Cultura

Com Mario Sartô e Karina Cardoso (DF)

A oficina de rádio difusão tem como objetivo ensinar e incentivar a divulgação da produção/veiculação musical e noticiosa de periferia por meio das rádios, sejam elas comerciais, comunitárias ou online, proporcionando aos jovens noções de como trabalhar a produção de conteúdo para o Rádio. Levando em conta os cenários em que a música de periferia se desenvolve e a crescente facilitação do acesso à internet, a oficina leva em conta também os ambientes das rádios online, que não são veiculadas necessariamente em frequências FM ou AM, assim como considera o poder das Rádios Comunitárias, extremamente importante no cenário das periferias brasileiras. A parte pratica, será na Rádio Cultura FM, na construção, edição e apresentação do Programa Deguste Cultura.

Data e horário: 30/10 a 03/11, de 14h às 18h
Local: Rádio Utopia FM (CR 42, Casa 10, Vale do Amanhecer – ONG Pimev) – Planaltina



Veja a programação completa do Papo Reto:

Sexta – 3 de Novembro

13h – Transfavele-se! Música e gênero nas quebradas

Museu Nacional – Auditório I

Nas quebradas do país e do mundo uma revolução está em curso. Artistas que transcendem padrões inspiram um futuro livre para todxs, trazendo fachos de luz nas trevas do preconceito. O papo aqui é babado, confusão e gritaria.

Convidados: Titica (Angola) e Linn da Quebrada (SP)

Mediação: Marcelo Caetano (DF)



15h – Sons do além-mar: música e migrações

Museu Nacional – Auditório I

A música exerce um papel fundamental na conexão entre as diferentes comunidades negras espalhadas mundo afora. Do Bronx ao Haiti, da Bahia à Angola, estamos ligados por sons que atravessam oceanos. Estarão presentes aqui artistas que constroem estas pontes e mesmo em continentes separados aproximam pessoas, além de figuras responsáveis pelo acolhimento de refugiados no Brasil.

Convidados: Wesli (Haiti/Canadá), ACNUR (DF) e Coletivo Bambuo (DF)

Mediação: Thânisia Marcela (DF)



Sábado – 4 de Novembro

13h – Bota a Cara: arte e comunicação nas periferias

Museu Nacional – Auditório I

As favelas são tratadas frequentemente como lugares de violência e miséria. Estes artistas exploram novos caminhos de comunicação para mostrar a juventude favelada como ela realmente é: criativa, potente e transformadora.

Convidados: Iasmin Turbininha (RJ), Vincent Rosenblatt (França/RJ) e Jonathan Dutra (DF)

Mediação: Maíra Brito (DF)



15h – Kabo Kaki você vai longe: o feminismo das mina preta

Museu Nacional – Auditório I

Seja escrevendo, produzindo nos bastidores, com um microfone na mão ou na produção de texto, as mulheres negras vêm abrindo caminhos para tornar o mundo um lugar mais justo para todas. Reunimos aqui algumas destas rainhas para que compartilhem suas histórias de vida, pensamento e luta.

Convidadas: Tati Quebra Barraco (RJ), Dama do Bling (Moçambique) e Hellen Cristhyan Kahlo (DF)

Mediação: Ana Flávia Magalhães Pinto (DF)
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