João Donato faz show em dose dupla no Espaço Cultural do Choro

Apresentação no Clube do Choro é uma das principais atrações do feriado prolongado

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postado em 01/11/2017 07:33 / atualizado em 01/11/2017 10:36

Cristina Granato/ Divulgação

 
Honra e glória da música popular brasileira, o acriano João Donato de Oliveira Neto, aos 83 anos, continua espalhando talento e virtuosismo por onde passa. Em plena atividade, mantém agenda cheia de compromissos no Brasil. Além da gravação e lançamento de discos, apresentações em vários lugares — no fim da semana passada esteve em Belém —, o genial compositor e pianista há um ano dirige a Sala Baden Powell, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Mesmo assim, ainda encontra tempo para viagens de trabalho ao exterior, atendendo a convites para participar de festivais ou fazer shows solo. Ano passado, esteve em Londres; no próximo mês, vai a Los Angeles; e, nos primeiros meses de 2018, ao Japão e a Cuba. Um dos seus novos projetos é a criação da Casa da Bossa.

Em 2014, ao completar 80 anos, foi homenageado pelo Clube do Choro; e agora está de volta ao Espaço Cultural do Choro para dois shows: amanhã e sexta-feira, às 21h, pelo projeto que celebra as quatro décadas da instituição. Ele vem acompanhado pelo contrabaixista Luiz Alves e o baterista Rubinho, músicos que formaram a banda de Elis Regina. João vai aproveitar a vinda à capital para lançar o CD Bluchanga, que saiu em julho último pelo selo Acre Musical. 



João Donato
Show do pianista e compositor, amanhã (quinta, dia 2) e sexta-feira, às 21h, no Espaço Cultural do Choro.Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia para estudantes). Não recomendado para menores de 14 anos. Informações: 3224-0599.


Entrevista/ João Donato


Ao completar 80 anos, você foi homenageado pelo Clube do Choro, sendo patrono do projeto de 2014. De volta àquela instituição, que comemora quatro décadas, o que traz para os brasilienses? 
Estou levando algumas músicas novas do CD Bluchanga, um sabor mais jazz, mais Donato do que nunca; e alguns improvisos com base no outro CD, que lancei com o Donatinho em maio, o Sintetizamor. Este um CD eletrônico mais pop, uma conversa cheia de amor entre pai e filho.


Como foi a acolhida do Buchanga, o CD lançado em julho? 
Foi muito boa. O CD já rodou o mundo, pois inauguramos com o lançamento do Bluchanga a colocação de parte da minha obra na distribuição digital. Lancei o disco no Rio em shows com Fernanda Abreu, Angela Ro Ro e Dorina e recebi ótimas críticas, inclusive do Correio.


O show que fará em dezembro na UCLA, em Los Angeles, é o retorno à cidade norte-americana, para onde levou a boa música brasileira na década de 1960. Trata-se de uma revisita a uma das melhores fases de sua carreira?
É, vai ter um bocado de emoção nesta viagem, pois a proposta do show é fazer com os músicos da banda Bixiga 70 uma visita aos álbuns A Bad Donato, que gravei na Califórnia em 1970; e a apresentação do Donato Elétrico, gravado há dois anos com os meninos do Bixiga 70. Também vou percorrer os clubes de jazz onde toquei com Chet Baker, Mongo Santamaria, Cal Tjader e outras orquestras de jazz e latinas, puxando na memória os melhores momentos. E ainda vou visitar minha filha Jodel, de quem estou com muita saudade.


No Japão, a bossa nova é muito cultuada. O show que apresentará naquele país asiático, em fevereiro, tem a bossa como base?
Sim, será um show com outros artistas, entre eles Marcos Valle e Joyce, amigos de muitos anos, denominado Bossa always Nova. Vamos fazer um verdadeiro passeio por clássicos da bossa e sentir todo o amor que os japoneses têm por esse sofisticado estilo musical, que a gente faz com tanta seriedade.


Com a agenda cheia de compromissos, você estará em Havana, em março, para o Festival do Tambor. Como vai ser sua participação?
O diretor do festival me ligou perguntando se eu topava receber uma homenagem e eu aceitei na hora. A minha música, não é de hoje, tem um forte sotaque caribenho. Voltar a Havana será outra diversão, muito mais em se tratando de uma festa do tambor! Fiz muitos amigos na ilha e me encanta sair pelas ruas e, em cada esquina, ver o entusiasmo que os cubanos têm com a sua cultura. Lá, não tem música de gosto duvidoso, as crianças aprendem música com o bê-á-bá. Você pega um táxi e o motorista é um trompetista de primeira! É admirável!


Como um pré-bossanovista se sentiu à vontade ao participar do Rock in Rio?
Foi a minha terceira vez no Rock in Rio. Com a criação do palco Sunset, pelo Zé Ricardo, o rock do nome do festival não incomoda, não. Este ano fui homenageado por quatro belas cantoras: Mariana Aydar, Tiê, Emanuelle Araújo e Lucy Alves, que também é acordeonista, instrumento que já toquei. Foi uma festa num jardim florido.No mesmo palco, teve a maravilhosa Elza Soares e outros artistas que honram a música popular brasileira. Tá favorável!


Por que a brasileiríssima bossa nova não tem um espaço no Rio, onde brasileiros e turistas possam apreciá-la?
Blue Note Rio é um clube que faltava no Brasil. Nós, da bossa, já rodamos dezenas de vezes o Blue Note de Nova Iork, Tóquio, Milão e na nossa terra não tínhamos um. Agora, temos. Mas em breve teremos a Casa da Bossa, dentro da Sala Baden Powell, da qual sou o diretor artístico. Cariocas, brasileiros de outras regiões e turistas vindos de outros países não perdem por esperar.
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