Em disco de estreia, Muntchako faz música instrumental com irreverência

A banda Muntchako mostra que o gênero não precisa ficar restrito às salas de concerto

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.
Micaela Vermelho/Divulgação

O instrumental da banda Muntchako não é do tipo que é preciso vestir paletó ou traje de gala para ouvir quietinho nas poltronas de um teatro. É música para se balançar e para dançar sem pudores. O grupo brasiliense lança agora o primeiro álbum, também chamado Muntchako.

“A gente gosta de desmistificar essa coisa de que música instrumental seja careta e gosta de fazer de uma forma mais despojada. Colocar um arrocha e levar pro público”, explica Macaxeira Acioli (percussão e samples). A ideia é “brincar com a dança e colocar a galera para mexer”.

Um trio, Muntchako é formado, além de Macaxeira, por Samuel Mota (guitarra, synths e programações) e Rodrigo Bateria (bateria e samples). A utilização de recursos tecnológicos, como samples e sintetizadores, é uma das marcas do som do grupo, assim como a mistura entre gêneros e estilos.

A ideia no início era fazer uma banda maior que tocasse música africana. Na prática, no entanto, o encontro entre os três músicos gerou uma mistura também com gêneros latinos e brasileiros e eles optaram por uma formação mais enxuta. A costura entre influências e a personalidade de cada um gerou o estilo da banda.

“Cada um tem uma cabeça, gosta de uma coisa e a gente vai pegando isso e fazendo nosso som. Samuel, por exemplo, tem uma influência do dub. Então, às vezes, ele chega com algo e o Barata costura com levadas e vamos juntando. A gente bebe de várias fontes”, explica Acioli.
 
 
 
No palco, a mistura deu resultado e logo a banda conquistou respeito e se tornou um dos nomes mais importantes da atual cena brasiliense. “Nos primeiros shows, a gente já viu que tinha respostas muito boas do público. Então, continuou nessa pegada da dança”, lembra Acioli.

Depois, foi natural pensar em levar o som para o formato de disco (inclusive com lançamento em LP). “Estamos muito felizes. O primeiro trabalho é muito legal, porque é feito sem nenhuma pretensão, mostra as matutações da banda e é sempre um embrião.”

Um dos nomes de destaque da música brasileira atual, o paulista Curumin ficou responsável pela produção do disco. “Nós fizemos a proposta de trabalhar juntos e ele topou. Curumim é um cabra bom, cozinheiro de som nato. Muito ligado a cor, aos timbres. Foi uma grande escola, não só pelo trabalho, mas pela pessoa que ele é.”

Agora, a ideia é estabelecer mais contatos com a música dos países vizinhos e expandir horizontes. “Queremos pensar mais nos países sul-americanos, nessa unidade dos países. Naturalmente, pelo mercado, ficamos mais focados na cultura dos EUA e da Europa. Mas queremos fazer coisas na América Latina, porque o nosso som se encaixa em tudo isso”, adianta.

Muntchako
Independente. 7 faixas. Disponível nas plataformas digitais
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.