A 33ª Bienal Internacional de Artes de São Paulo abre as portas em setembro

A próxima edição do evento ganhou novos contornos e uma dinâmica que deve favorecer o diálogo com o público

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postado em 04/11/2017 07:30

Pedro Ivo Trasferetti

 
Programada para abrir as portas em setembro de 2018, a 33ª Bienal Internacional de Artes de São Paulo já está em processo de produção. Com curadoria do espanhol Gabriel Pérez-Barreiro, a próxima edição do evento ganhou novos contornos e uma dinâmica que deve favorecer o diálogo da maior mostra de arte contemporânea da América Latina com o público e com a própria cena artística.

A 33ª edição vai dividir a curadoria com artistas. Sai a figura do curador profissional e entram os próprios atores do processo. A proposta veio de Pérez-Barreiro. Inspirado em modelo do final do século 19, quando artistas de vanguarda passaram também a atuar como curadores de exposições, ele convidou sete nomes da arte contemporânea mundial para criar núcleos e, por sua vez, montar uma lista de convidados.
 
“A proposta nasce para repensar o que chamo de sistema operacional das bienais, que é curador-tema-artista, que ficou muito estabelecido nas últimas décadas”, explica. “Tem uma história da arte moderna e contemporânea que pode ser contada a partir desses esforços do artista se organizar e ser um agente ativo na construção do seu próprio contexto e da sua própria institucionalidade. E recuperar essa história hoje talvez seja uma possível resposta à crise das bienais, que parece que se repete. Existe um certo cansaço com esse modelo.”
 

Para a 33ª Bienal, ele convidou o uruguaio Alejandro Cesarco, o espanhol Antonio Ballester Moreno, a argentina Claudia Fontes, a sueca Mamma Andersson, os brasileiros Sofia Borges e Waltércio Caldas e a americana de origem nigeriana Wura-Natasha Ogunji. Cada um vai trabalhar com métodos próprios e seguindo uma linha de pesquisa particular. “Uma coisa que tem me dado muita satisfação, porque o processo está em andamento há alguns meses, é que cada um desses sete estão trabalhando com total liberdade. E cada um deles tem pensado uma metodologia absolutamente diferente para fazer seu núcleo. Não tem dois parecidos”, avisa Pérez-Barreiro. Entre as linhas de pesquisa desenvolvidas por cada um para montar os núcleos estão a proposta de um trabalho coletivo e a recuperação de um diálogo de artistas do passado com atuais que trabalhem numa vertente mais popular.

Liberdade

Outra diferença em relação às edições anteriores da Bienal é a ausência de tema. Pérez-Barreiro preferiu pensar em um título que estampasse algumas ideias sem delimitar uma narrativa que abrigasse os trabalhos. Afinidades afetivas veio de uma combinação de referências caras ao curador. A primeira delas é a do crítico Mario Pedrosa, figura emblemática para a produção artística do século 20, responsável por ajudar a consolidar alguns dos movimentos mais importantes da história da arte brasileira.

Pérez-Barreiro finalizava uma exposição em torno de Pedrosa para o Museu Reina Sofia, em Madri, quando recebeu o convite da Bienal de São Paulo. “Ele tinha uma capacidade de pensar a diversidade na arte, defendia a abstração geométrica, a arte dos pacientes psiquiátricos, das crianças, a figuração. Ele tinha a capacidade de entender que a arte não é uma linguagem melhor que outra, é a capacidade que a pessoa tem de se comunicar. É uma visão muito humanista e acho que ele ainda tem muito a nos ensinar”, explica.

A segunda referência foi o romance Afinidades eletivas, de Goethe, história de um casal que assiste a mudanças no relacionamento depois de introduzir algumas pessoas no convívio diário. O título vem de um termo da química e ajuda a explicar como certos elementos se atraem e se modificam. “É um conceito que sempre gostei, de como as coisas se escolhem”, avisa o curador. “Fala do mecanismo de como as coisas se juntam e geram sentido. E não é temático. Não gosto da metodologia temática, ela tem um perigo de instrumentalizar a produção artística. Se faço uma exposição sobre X assunto, já estou partindo do tema e essa pode ser uma lente através da qual eu veja a produção. Acho mais interessante ver uma produção que me chama a atenção sem saber o porquê.”
 
 
 
 



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