Conheça o projeto Viola e Violeiros, voltado para a música caipira

O projeto tem como foco a valorização da música e da viola caipira, e com a programação desta noite presta homenagem à Casa do Cantador, que comemora 31 anos de existência

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postado em 09/11/2017 07:30 / atualizado em 08/11/2017 19:21

Arquivo pessoal


Mesmo mantendo-se como o principal reduto da cultura nordestina no Distrito Federal, a Casa do Cantador, em Ceilândia, há seis anos flexibilizou sua programação ao abrir espaço para outras manifestações artísticas. Ali são realizados eventos culturais diversos — de shows de rock a rodas de samba — e agora acolhe o projeto Violas e Violeiros, voltado para a música caipira.

Em seu primeiro ano de realização, o Viola e Violeiros foi dividido em quatro etapas. Hoje, a partir das 19h, ocorre a segunda, com shows dos violeiros Cacai Nunes e Wolmi Batista, das duplas Ânderes & Fernandes e Vanderley e Valtecy; e de um convidado especial, o cantor, compositor e violonista baiano Xangai.
 
O projeto tem como foco a valorização da música e da viola caipira, e com a programação desta noite presta homenagem à Casa do Cantador, que comemora 31 anos de existência. Os artistas locais — 17 ao todo — foram selecionados a partir de um edital de chamamento público, no âmbito da Secretaria de Cultura. A produção é do Clube do Violeiro Caipira.

Vanderley e Valtecy formam uma das mais antigas duplas da música caipira na capital. Embora de origem goiana, eles estão radicados aqui desde a década de 1970. “Ao longo da carreira fizemos incontáveis shows, participamos de muitos projetos e lançamos dois CDs e um DVD, intitulado Adubando as raízes, que saiu no primeiro semestre deste ano, com 15 faixas”, destaca Vanderley.

Para ele, eventos como o Violas e Violeiro contribuem para preservar e popularizar ainda mais a chamada música sertaneja de raíz, além, é claro, de ser um ótima oportunidade para a divulgação do nosso trabalho. Como somos, há muito tempo, parte desse segmento, há sempre a possibilidade de participarmos desses eventos”, acrescenta.

A dupla formada por Ânderes e Fernandes tem apenas quatro anos de vida. “Somos brasilienses e nosso gosto pela música caipira vem desde a adolescência. Assim que nos conhecemos, decidimos seguir a carreira de cantador. Participar do 14º Encontro de Violeiros do Distrito Federal, em 2014, foi nosso batismo de fogo. Nos apresentamos também no 1º Festival de Violeiros de Cuiabá”, diz Fernandes. “Temos reunidas 12 composições autorais, entre elas Distante da cidade, Semente de viola e Visita divina, que o público já conhece. Mas músicas de Zé Mulato & Cassiano, Tião Carreiro & Carreirinho fazem parte do nosso repertório”.

Coletâneas

Ex-presidente do Clube de Violeiro Caipira, Wolmi Batista é uma das maiores referências deste segmento, não só no DF, como também em todo o país. Com 30 anos de carreira, um disco gravado e participação em coletâneas, é conhecido ainda por ser produtor e empresário da premiada dupla Zé Mulato & Cassiano.

“A sonoridade caipira faz parte do diversificado universo da música popular brasileira, com grande aceitação do público. A viola é um instrumento tradicional, ouvido em manifestações de cultura popular, como catira e folia de reis. Em Brasília temos violeiros talentosos, entre eles Roberto Correa, Marcos Mesquita e Zé Mulato & Cassiano”, exalta Volmi.

Com uma carreira bem-sucedida, o violeiro Cacai Nunes tem discos gravados, faz muitos shows — inclusive em outras regiões do país e no exterior — e apresenta um programa de rádio, retransmitido por emissoras da EBC. Nesse programa, ele exibe seu conhecimento como pesquisador, não só ligado ao seu segmento, como também de outros gêneros musicais.
 
Para finalizar
 
Baiano de Vitória da Conquista, Eugênio Avelino, que o Brasil conhece como Xangai, fecha a programação de shows da segunda etapa do Violas e Violeiros. “Tomar parte em evento em que a cultura popular brasileira está em destaque me traz uma grande satisfação; assim como voltar a me apresentar para o público de Brasília, onde tenho sempre ótima acolhida”, afirma.

Xangai vê a viola como um instrumento de fundamental importância para a música popular brasileira. “Ela está no nome artístico de nomes consagrados, de diferentes gerações como Chico Viola (como também era chamado Francisco Alves, o mais famoso cantor brasileiro das décadas de 1940 e 1950). Temos ainda em plena atividade mestres como Renato Andrade, Pereira da Viola e Roberto Correa”.

Xangai busca deixar claro que não é um violeiro, embora  tenha dado vida a um deles na novela Velho Chico. “Quando o Luiz Fernando Carvalho me chamou para fazer a novela de Benedito Ruy Barbosa, deixei claro para ele que eu seria apenas um personagem, pois não sou um exímio tocador do instrumento. Com o afamado lutier e pesquisador Virgílio Lima, consegui uma pequena viola, que o Avelino, meu personagem, usou em Velho Chico, ao lado de Maciel Melo (Egídio), o outro violeiro”, revela.

Em 50 anos de carreira, Xangai lançou 10 discos e participou de vários projetos fonográficos, entre os quais o célebre Cantoria, no qual se juntou a Elomar, Geraldo Azevedo e Vital Faria. “Estou em fase de pré-produção de um CD com músicas despudoradamente românticas, da obra de Vicente Celestino, Adelino Moreira, Cartola, Waldick Soriano, Ewaldo Gouveia e Jair Amorim”, adianta. No show na Casa do Cantador, clássicos gravados por ele, como Estampas Eucalol, Matança, Curvas do rio e O pedido (que costuma cantar à capela) estão no repertório.
 
 
 
 
 



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