Aguinaldo Silva se irrita com boatos e desmente saída da Globo

Rumores surgiram após texto publicado pelo telenovelista em seu site pessoal e compartilhado nas redes sociais

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 19/11/2017 22:49


O telenovelista Aguinaldo Silva desmentiu, na tarde deste domingo (19/11), boatos de que estaria deixando a TV Globo. Os rumores surgiram após o pernambucano ter publicado texto nas redes sociais em que fala dos 48 anos que passou na emissoras e de "uma saída". Procurado pela reportagem, Aguinaldo Silva esclareceu que, com a mensagem, quis dizer que gostaria de continuar no mesmo caminho. "As pessoas leem mal. Queria passar outros 48 anos trabalhando na Globo. Acontece que já estou com 74 anos de idade, então devo morrer daqui a pouco. Foi o que eu quis dizer. Mas as pessoas não prestam mais atenção no que leem", disse. 

Mais adiante, o escritor postou nas redes sociais: "Escrevo um texto sobre velhice e morte e os apressados acham que estou saindo da Rede Globo!". Além disso, editou a postagem anterior, acrescentando a mensagem: "Atenção, leitores apressados e caçadores de notícias negativas: este é um texto sobre velhice e morte e não tem nada a ver com minha possível saída da Rede Globo, com a qual tenho contrato até 2020. Francamente, leiam as coisas com mais atenção!". 


Leia, na íntegra, a mensagem divulgada por Aguinaldo Silva: 

 
"Nestas minhas idas e vindas dos últimos dias, dividido entre o trabalho e muita badalação, deixei passar o aniversário de uma data icônica em minha vida: o quadragésimo oitavo aniversário do meu ingresso na família Global – quer dizer: da minha contratação como funcionário das Organizações Globo.

Sim, lembro-me como se fosse hoje: no dia 31 outubro de 1969 adentrei para o meu primeiro dia de trabalho na redação do jornal O Globo na qual fiquei apenas cinco dias. Pois no dia 5 de novembro fui preso pelo Centro de Informações da Marinha – o famigerado CENIMAR – e dado como “desaparecido”… Mas desaparecido, vírgula, pois, por conta dos meus antecedentes, todo mundo imaginava que eu devia estar em algum porão da ditadura.

Consultado a respeito do “sumiço” do funcionário recém-contratado, o dr. Roberto Marinho foi curto e grosso: mandou que continuassem a pagar meu salário até que eu aparecesse de novo. Atenção para o detalhe: antes de sumir eu acabara de entregar minha carteira profissional ao DP do jornal e ela nem sequer fora assinada. Portanto, ao me manter como empregado seu, embora eu ainda não o fosse, o dr. Roberto demonstrou uma generosidade pela qual sou grato até hoje.

Vocês nem imaginam o quanto os três meses de salário e mais o décimo-terceiro depositados em minha conta me foram úteis quando, três meses depois, fui solto e voltei a ocupar minha mesa na redação de O Globo: minha casa fora saqueada Deus sabe por quem e nela tudo o que restou foram alguns livros. Até minhas cuecas, sabe-se lá para que, os saqueadores levaram… Talvez para fazer uma macumba que resultou inútil, pois, para essas coisas – atenção, apóstolos do mal – eu sou auto-imune.

Montei uma nova casa. Fiquei no jornal até 1978. Ganhei vários prêmios como jornalista dos quais o I Prêmio Abril de Jornalismo é do que mais me orgulho. Quando saí de O Globo, não fiquei mais que dois meses como jornalista free lancer e fui convocado por Daniel Filho para ocupar um cargo de roteirista na TV Globo.

O resto vocês já sabem e eu não vou ficar aqui relembrando. Queria apenas dizer que, mesmo inconscientemente, festejei os meus 48 anos de Organizações Globo, sim, pois naquela data eu estava em Paris e fui jantar no Le Meurice, do mestre Alain Ducasse, um dos restaurantes mais prestigiados da cidade.

Agora que lembro disso lembro também que, nestes 48 anos, caminhei sempre em linha reta… Até chegar aqui, agora, diante de todos vocês, o meu público. As Organizações Globo me deram muitas alegrias nesses 48 anos… Mas isso foi recíproco, pois tenho certeza que também dei muitas alegrias às Organizações Globo, várias novelas campeãs absolutas de audiência e dois Emmys.

Tenho 74 anos e posso dizer que estes 48 anos de “global”, mais da metade de minha vida, foram um casamento que deu certíssimo. E se a essa altura da minha vida eu ainda pudesse pedir alguma coisa, eu pediria mais 48 anos desta bela parceria que tenho com a Rede Globo. Mas, aos 74 anos, todos nós nos vemos diante daquela porta, que  mais cedo ou mais tarde  atravessaremos, atrás da qual nos espera uma senhora inclemente chamada MORTE. Tudo bem, como qualquer mortal, não escaparei de um dia me perder no seu regaço. Mas, até que este dia chegue, continuarei  por aqui, com esta mesma e bela parceria de 48 anos com a emissora de tevê que me acolheu, e dando “gracias a la vida”.

E “gracias a la vida” é ainda o que darei na hora  da morte, que é aquela hora do desapego e do olvido."
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.