No mês da consciência negra, Brasília recebe projetos com a temática

Os eventos debatem sobre resistência e representatividade negra

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postado em 20/11/2017 07:31

Tuany Araújo/Divulgação

Eventos na capital colocam em pauta debates para promover empoderamento e espaço de discussões relacionados ao Dia da Consciência Negra. Atividades que abraçam causas da mulher afrodescendente e de negros LGBT aparecem em destaque nas programações, que variam entre espetáculos teatrais, oficinas, rodas de debate, batalhas de rap e shows.

Criada há 14 anos, a data foi escolhida para homenagear Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, no dia de sua morte. Os quilombos não foram esquecidos e fazem, inclusive, parte de discursos de luta por direitos dos negros. É por isso que o diretório negro estudantil da Universidade de Brasília (UnB) foi batizado com o mesmo nome. Em outubro de 2017, o Quilombo da UnB completou um ano de existência. Nesse período, o diretório fomentou diversos debates sobre as causas raciais dentro e fora da universidade, incluindo estudantes de outras instituições e até trabalhadores terceirizados em seus eventos.

Neste mês, em homenagem ao Novembro Negro, a proposta do diretório é focar em pautas mais específicas, de acordo com as demandas recebidas pela iniciativa. “Escolhemos falar, principalmente, sobre o rap e sobre o colorismo, além de temas específicos para mulheres negras e para a comunidade LGBT negra”, explica o aluno de Antropologia e integrante do Quilombo Lua Xavier. Atendendo essas demandas, a programação conta com batalhas de rap, como a Batalha das Bixas Pretas, que ocorreu na última semana, e a Batalha das Mulheres Negras, que acontece 23 de novembro.

“Existe hoje uma confusão sobre o que é ser negro, pardo e branco. Acho que isso é justamente o que tem batido na nossa porta”, afirma Lua. Por isso, o Quilombo também realiza, nesta quarta-feira, o debate Colorismo e Identidade Negra. O estudante explica que a intenção do diretório é mostrar que as expressões de cultura negra têm origens, mas que muitas vezes são apropriadas e protagonizadas por pessoas brancas. “Precisamos do nosso espaço para expressar a nossa cultura”, completa.

Representatividade

“A gente está completamente acostumado a ver a figura branca representada na mídia de um país em que a maioria é preta.” A afirmação da atriz Fernanda Jacob ilustra a mesma pauta levantada por Lua e pelo movimento negro: a representatividade. Ela atua no espetáculo Pentes, parte da programação do Céu, primeiro festival nacional de teatro universitário do Distrito Federal, e explica como a questão é abraçada na peça. “Falamos sobre a fuga dos padrões eurocêntricos, que fazem com que, até hoje, as pessoas vejam o cabelo crespo como algo exótico.”

Para Fernanda, é necessário desenvolver o empoderamento na mulher negra, que sofre consequências do machismo e, além dele, do racismo e da discriminação por classe social. A atriz também observa a relevância da data: “Acho que a importância do Dia da Consciência Negra é enfatizar mais ainda a falta dessa consciência racial. Ele serve como um momento em que podemos nos desenvolver artisticamente nas escolas, falar sobre negritude e sobre a nossa mãe África. Se a data não existisse, provavelmente essas atividades não seriam feitas em nenhum dia”.

Causas feminegras

A atriz afirma que a luta contra o racismo não pode ser colocada apenas nas costas do negro. “O branco também deve assumir essa posição e comprar essa briga, senão nada muda.” Com debates similares, o evento Conexões Urbanas ganha primeira edição pensando nas causas feminina e negra. “É algo grandioso se você consegue somar forças para levantar as duas bandeiras juntas”, afirma a idealizadora Débora Carvalho. Ela completa: “A força para nos diminuir é tão grande que, se a gente não se empoderar, o sistema consegue colocar a gente ainda mais para baixo sempre”.

Donas Filmes/Divulgação


Segundo Débora, que é DJ na capital há 18 anos, o maior objetivo do evento é capacitar mulheres. Ao escolher as convidadas que sobem aos palcos, ela explica ter buscado quem fizesse o público de negras se ver representado. O título de uma das atividades do evento dá o recado: “Mulheres donas de si”. Ministrada pela rapper brasiliense Vera Veronika, a atividade oferece oficina de empoderamento feminino. Para Débora Carvalho, o objetivo do projeto é claro: “Queremos mostrar uma perspectiva de futuro em um lugar social melhor, com visibilidade para essas mulheres”.

*Estagiárias sob supervisão de Igor Silveira

Confira eventos para celebrar o Dia da Consciência Negra no DF

» Debate: Colorismo e Identidade Negra
No Instituto Central de Ciências (Universidade de Brasília, campus Darcy Ribeiro, sala BT 620), quarta-feira, às 18h. Entrada franca. Verifique classificação indicativa.

» Batalha da Consciência Negra
No Instituto Central de Ciências (Universidade de Brasília, campus Darcy Ribeiro, sala BT 620), quinta-feira, às 20h. Entrada franca. Verifique classificação indicativa.

» Conexões urbanas
No Estádio Nacional (Eixo Monumental), quinta e sexta-feira, confira programação. Entrada franca mediante doação de livros, brinquedos ou alimentos não perecíveis. Não recomendado para menores de 16 anos.

» Mostra audiovisual de Re-existências Afro-ameríndias
No Instituto Cervantes (707/907 Sul, lt D), terça e quarta-feira, às 19h. Entrada franca. Verifique classificação indicativa.

» Espetáculo Pentes e debate Teatro e Consciência Negra
No Teatro Plínio Marcos da Funarte (Eixo Monumental), segunda-feira, às 10h30, debate Teatro e Consciência Negra; às 17h, espetáculo Pentes. Ingressos a R$ 10 (meia-entrada), R$ 20 (inteira). Classificação indicativa livre.
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